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As emocionantes 6 Horas de Interlagos e o IMSA em Mosport Park PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 13 July 2026 22:55

Alô Brasil!

 

Neste último final de semana vivi uma experiência inédita na minha vida. Fui convidado pelas editoras do Nobres do Grid, Catarina Soares e Maria da Graça, a fazer um “diário” das 6 Horas de Interlagos, etapa do Brasil do Campeonato Mundial de Endurance. Todos os dias, desde a quinta-feira, fui recebendo áudios da Maria, que estava no autódromo. Eu tinha que fazer os textos (aqui em Sidney), buscar os detalhes de tempos de volta, resultados dos treinos e detalhes técnicos para enviar até San Diego, com Catarina revisando, traduzindo para português e publicando. Foi sensacional. Vamos fazer mais disso.

 

Após 6 horas de chuva que não caiu, de sol que ardeu, de uma neblina que veio não sei de onde, fazendo parecer que aquele autódromo totalmente urbano estava encravado nas Ardenas ou na Floresta Negra como Spa-Francorchamps ou Nurburgring, num espetáculo equilibrado, disputado, emocionante, onde mais de 75 mil privilegiados puderam assistir uma grande corrida de endurance, com todas as variáveis possíveis, com todas as possibilidades possíveis, sem interrupções de safety car. Uma corrida como nós, os apaixonados por corridas, queremos sempre. Essas foram as 6 Horas de Interlagos do WEC em 2026.

 

 

A BMW M Team WRT com seu carro nº 15 M Hybrid V8 conquistou a vitória nas 6 Horas de São Paulo do FIA WEC hoje. Kevin Magnussen, Raffaele Marciello e Dries Vanthoor — este último competindo mesmo indisposto — largaram na quarta posição e superaram a concorrência da Alpine, Cadillac e Ferrari para garantir a primeira vitória da equipe na temporada e a segunda da BMW.

 

A corrida desenrolou-se de forma completamente diferente da edição de 2025. No ano passado, a Cadillac dominou a prova desde o início e fez uma dobradinha, colocando pelo menos uma volta de vantagem sobre todos os concorrentes da categoria Hypercar, exceto um. Desta vez, 11 carros terminaram na mesma volta do líder após uma disputa acirrada, imprevisível e envolvente, com diversas estratégias em jogo e apenas uma situação de Full-Course Yellow, sem nenhuma entrada do Safety Car ao longo das seis horas.

 

 

Anteriormente, a corrida do WEC no Brasil nunca havia sido vencida por um carro que não largasse na primeira fila. Desta vez, a história foi diferente. Os carros V-Series.R da Cadillac não conseguiram transformar a dobradinha na largada em uma segunda vitória para o programa no WEC; ambos perderam tempo nos primeiros pit stops e perderam posições na pista, não conseguindo se recuperar totalmente depois disso. O carro nº 12 teve problemas com uma porca de roda dianteira direita travada quando Stevens parou nos boxes pela primeira vez, rodou na pista durante o turno de pilotagem de Norman Nato e, mais tarde, recebeu uma punição de tempo por um contato com o Lexus nº 87 na Curva 8. Já o carro “irmão” passou do ponto de parada no primeiro pit stop, perdendo segundos preciosos, e também recebeu duas punições de tempo por contatos na pista. Will Stevens cruzou a linha de chegada em terceiro lugar com o carro nº 12, apenas cinco segundos atrás do vencedor e um segundo à frente do carro nº 38, pilotado por Jack Aitken no trecho final.

 

Os problemas da Cadillac abriram caminho para que outra fabricante aproveitasse a oportunidade. Foi a BMW, com a equipe do carro nº 15, que se destacou com uma atuação limpa e estratégica, resultando na conquista da primeira vitória na categoria Hypercar para os três pilotos. “O carro estava incrível; a BMW era o carro mais rápido. A estratégia, os pit stops, tudo foi perfeito. Estou muito feliz por finalmente conquistar essa vitória; ela demorou a chegar, mas finalmente conseguimos”, disse Magnussen após a corrida.

 

A Alpine optou por uma estratégia diferente para seus dois carros — semelhante à da BMW em Spa — para ganhar posição de pista e assumir a liderança com pista livre. Por algum tempo, a tática pareceu funcionar, com ambos os A424 apresentando bom desempenho e o carro nº 35 liderando um número considerável de voltas. No entanto, a equipe sabia que precisava de um período de bandeira amarela para evitar paradas extras de reabastecimento no final; além disso, ambos os carros sofreram furos lentos nos pneus durante a segunda metade da corrida, obrigando a equipe a fazer paradas para a troca de pneus individuais. O carro nº 35 terminou em um decepcionante 10º lugar, à frente do nº 36, que ficou em 11º, fora da zona de pontuação.

 

 

Enquanto isso, a Ferrari foi a grande surpresa da corrida. O carro nº 51 garantiu à marca italiana seu primeiro pódio no circuito com o modelo 499P, em grande estilo. Antonio Giovinazzi, Alessandro Pier Guidi e James Calado terminaram a apenas 2,2 segundos da BMW vencedora, depois que o carro ganhou ritmo na segunda metade da prova, com a queda da temperatura e a chegada da neblina. A corrida do carro, porém, não foi perfeita. Calado, com pneus frios, bateu na barreira de pneus na saída dos boxes durante a quinta hora de prova; felizmente, o incidente não causou danos significativos nem afetou o sistema de refrigeração ou o ritmo, embora ele tenha sido obrigado a pilotar com um pedaço de placa publicitária preso à dianteira durante todo o stint.

 

Atrás dos dois Cadillacs, a Ferrari nº 83 da AF Corse terminou em quinto lugar, depois que Robert Kubica herdou duas posições quando a BMW nº 20 de Robin Frijns e a Ferrari nº 50 de Antonio Fuoco colidiram no trecho do "S do Senna", nos 20 minutos finais. A Ferrari nº 50, que rodou após um contato lateral, caiu para a oitava posição, atrás da Aston Martin nº 007. Frijns conseguiu salvar o sexto lugar. No entanto, houve uma punição de 5 segundos aplicada após a corrida ao carro nº 20, fazendo-o cair da 6ª para a 8ª posição no resultado final; talvez mais importante ainda, a consequente perda de quatro pontos fez com que o nº 20 deixasse de liderar o campeonato isoladamente, passando a dividir a liderança — com 75 pontos — com o Toyota nº 7.

 

 

Mais atrás, a Genesis, apesar de ter demonstrado velocidade ao longo do evento, não conseguiu colocar nenhum de seus carros entre os dez primeiros. A Toyota, vencedora de Le Mans neste ano, também não pontuou: o TR010 nº 7 teve dificuldades de ritmo e terminou em 12º lugar, enquanto o nº 8 sofreu danos na suspensão devido a um contato no início da prova e terminou em 17º, com 23 voltas de atraso após passar por reparos nos boxes.

LMGT3

A categoria LMGT3 foi agitada, com disputas acirradas — muitas vezes lado a lado — durante toda a prova e, assim como na Hypercar, uma grande variedade de estratégias de pneus e combustível que se desenrolaram ao longo da corrida. O Corvette nº 34 da Racing Team Turkey venceu a corrida após uma atuação impecável de Salih Yoluc, Peter Dempsey e Charlie Eastwood. A estratégia da equipe de escalar seu piloto da categoria Silver, Yoluc, para a largada e reservar o trecho intermediário para Dempsey (da categoria Bronze) deu certo, permitindo que Eastwood conduzisse o carro até a vitória; o único contratempo foi um furo lento no pneu faltando uma hora para o fim, o que não custou tempo nem posições à equipe.

 

 

O BMW M4 GT3 nº 69 da WRT acabou em segundo lugar, após uma manobra de ultrapassagem de Dan Harper sobre o Ford Mustang nº 77 da Proton, pilotado por Seb Priaulx, quando restavam 24 minutos de prova. Os dois Porsches da Manthey — com o carro da Bend à frente do 911 da DK Engineering — terminaram em terceiro e quarto, enquanto o Ford perdeu rendimento ao economizar combustível. O outro carro da Proton, o Ford nº 88, terminou em quinto após uma pilotagem agressiva de Logan Sargeant, com o Mercedes-AMG nº 61 da Iron Lynx em sexto.

 

O Aston Martin nº 23 da Heart of Racing, que largou na pole position, não chegou a disputar as primeiras posições. Gray Newell perdeu a liderança na largada, caiu para sétimo, rodou na pista durante a segunda hora e sofreu danos no difusor após um contato com a Ferrari nº 83. O carro terminou na última posição.

 

 

A próxima etapa do calendário é a Lone Star Le Mans, em Austin, Texas, no dia 6 de setembro.

 

O GP do Canadá no Tire Mosport Park

Quando Tom Dillmann deixou o Canadian Tire Motorsports Park em julho do ano passado, ele estava em uma maca e usando um colar cervical após uma batida frontal contra o muro. Uma falha nos freios de seu protótipo LMP2, enquanto liderava na fase final da prova, resultou em uma ida ao hospital em vez de uma ida ao pódio da vitória.

 

 

Este ano, o piloto francês e seu companheiro de equipe, Jeremy Clarke, saíram da corrida sprint do campeonato WeatherTech com o troféu de vencedores da categoria LMP2, a principal atração da única etapa canadense da série. Ao final de duas horas e 40 minutos, e após apenas duas full-course-yellow, Dillmann cruzou a linha de chegada com uma vantagem confortável de 9,796 segundos. No dia anterior, seu companheiro de equipe — Clarke, piloto classificado como "Bronze" — havia estabelecido o recorde da categoria e conquistado a pole position no circuito de 10 curvas, pilotando o carro da Inter Europol Competition com uma velocidade média de 130,366 milhas por hora (aprox. 209,8 km/h).

 

Após a vitória sobre o carro LMP2 da CrowdStrike, pilotado por George Kurtz e Alex Quinn, Dillmann e Clarke também avançaram na disputa do campeonato, reduzindo a diferença para a dupla da CrowdStrike para 70 pontos (em contagem não oficial), restando três corridas para o fim da temporada.

 

Nenhuma corrida em Mosport é um passeio tranquilo, dadas as velocidades elevadas e desafiadoras, as curvas de alta velocidade e o tráfego intenso envolvendo nove carros da LMP2 e 23 da GTD. No entanto, tendo passado lentamente pelo local do acidente na Curva 3 durante um longo período de bandeira amarela no final da corrida do ano passado, os pilotos de todas as três categorias mantiveram uma postura cautelosa e disciplinada nesta edição.

 

Tivemos as inevitáveis ​​incursões pela grama e manobras nas áreas de escape asfaltadas nas curvas de altíssima velocidade 2 e 8. Dois carros da LMP2 acabaram batendo na barreira de pneus na Curva 8 em incidentes separados, sem ferimentos aparentes para Tobi Lutke ou Mikkel Jensen. PJ Hyatt passou pela área de escape (asfalto e grama) na Curva 2, mas a equipe AO Racing conseguiu se recuperar e conquistar o terceiro lugar. Os atuais campeões da série, Hyatt e Dane Cameron, caíram para a terceira posição na disputa pelo título, ficando 81 pontos atrás dos líderes.

 

GT3

A equipe Lexus da Vasser Sullivan conquistou sua segunda vitória consecutiva na categoria GTD Pro, com Jack Hawksworth e Ben Barnicoat superando por 1,993 segundo a dupla Nick Tandy e Harry King, da equipe AO Racing (a bordo de um Porsche 911 GT3 R). Foi a primeira vitória em Mosport para o já veterano Lexus RC F GT3. “Finalmente conquistamos o Canadá e agora vamos para as demais pistas”, disse Hawksworth, apontando o Virginia International Raceway como outro alvo para uma vitória inédita antes da chegada do novo e sofisticado modelo GT3 no próximo ano. “Vamos nos divertir e vencer mais algumas corridas”. Ao terminarem em terceiro lugar na GTD Pro com o BMW M4 GT3 EVO da Paul Miller Racing, os líderes do campeonato, Neil Verhagen e Connor De Phillippi, ganharam terreno em relação aos Corvettes, após Verhagen ter registrado uma volta espetacular para a pole position no sábado.

 

 

Um dia de corrida frustrante para o Corvette nº 3 da Pratt Miller Motorsports fez com que os pilotos Antonio Garcia e Alexander Sims — que terminaram em nono e último lugar na categoria — caíssem para a terceira posição na classificação do campeonato, ficando 145 pontos atrás dos líderes. Durante a segunda rodada de paradas nos boxes, o carro nº 3 caiu da segunda para a nona posição devido a uma troca mal executada do pneu traseiro esquerdo e não conseguiu recuperar nenhuma posição.

 

O Corvette Z06 GT3.R nº 4, pilotado por Tom Milner e Nicky Catsburg, teve um desempenho melhor ao conquistar um quarto lugar, embora distante dos líderes, após realizar uma parada nos boxes extra; os pilotos consideraram-se afortunados por ocuparem a segunda posição na disputa pelo título, a 108 pontos da liderança. “Feliz apenas por terminar em quarto aqui”, disse Milner, que perdeu tempo ao ajustar os cintos durante a troca de pilotos. “Obviamente, a situação não parecia boa após a parada nos boxes, mas houve ótimas decisões estratégicas, a sorte jogou um pouco a nosso favor e o Corvette manteve um bom ritmo no final”.

 

 

Na categoria GTD, os vencedores Russell Ward e Philip Ellis deram a volta por cima com seu Mercedes AMG-GT3 após um desempenho ruim em Watkins Glen. A vitória coloca a dupla da Windward Racing de volta à briga por pontos, embora ainda estejam a 207 pontos de Dudo Barrichello, piloto do Aston Martin Vantage. Ellis assumiu a liderança na relargada após a segunda bandeira amarela e, a partir daí, a corrida tornou-se uma questão de sobrevivência.

 

A situação não poderia ter sido pior para Barrichello, que abriu mão de disputar a etapa do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) — que coincidia com a prova da IMSA — em sua pista de casa, em São Paulo, para focar na disputa pelo título da IMSA. Um problema com a pistola pneumática e uma punição por excesso de membros da equipe da Heart of Racing ultrapassando o muro dos boxes resultaram em um sexto lugar. Barrichello segue na liderança da GTD, mas com uma vantagem de, agora, 92 pontos sobre Aaron Telitz e Benjamin Pedersen, da Vasser Sullivan, que terminaram em segundo, 1,886 segundos atrás dos vencedores da categoria.

 

Tudo de bom, 

 

Geoff McNeelan

 

 

Nota NdG: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Nobres do Grid. 

 
Last Updated ( Tuesday, 14 July 2026 09:35 )