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Não teve corrida, mas tem coluna e o assunto é: Autódromos para 2026 PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 13 October 2025 22:35

E aê Galera... agora é comigo!

 

O final de semana do dia da padroeira do Brasil, Nossa Sra. Aparecida não teve corridas das categorias nacionais pelos autódromos do Brasil, mas até onde eu saiba, ninguém foi rezar pra pneu. Só que não vamos ficar sem coluna. Tem um assunto que eu vinha guardando agora para o final do ano e vou adiantar: os novos e os reformados autódromos brasileiros.

 

Quem vai ficar aliviada é a minha editora, Chica da Silva, a Rainha da Bahia, que deve estar tonta de tanto rodar a baiana a cada texto que recebeu nas últimas 3 semanas. Se ela não gostou, não estou nem aí... o que interessa é que o público que lê a coluna do Ogro goste e eu sei que gosta. Tem gente que me reconhece nas ruas e – mesmo com medo – pede pra tirar foto comigo. Já cabe a foto aqui do lado? Então vamos lá.

 

Depois de muitos anos de vacas magras e neste 2025 em particular, com a reforma no autódromo de Goiânia para receber a Moto GP (eu pretendo ir), faltaram autódromos para a disputa dos campeonatos de automobilismo e motociclismo no Brasil. Com o autódromo de Santa Cruz do Sul em recuperação – finalmente de volta no último mês de setembro – a eterna reforma do autódromo de Brasília (parece que agora sai), as limitações de Guaporé e a não disponibilização (que era esperada, mas não aconteceu) da pista de pobrinhos do Raceville, até ressuscitar o Parque dos Pequizais valeu pra fazerem corridas.

 

Contudo, 2026 promete ser um ano auspicioso (desde que façam a coisa certa... e é aí que mora o problema) para o automobilismo nacional. Além da reforma de Goiânia terminar e voltarmos a ter as corridas na capital do meu estado natal, deveremos ter a conclusão das obras e a entrega dos autódromos de Chapecó e Cuiabá, a volta das corridas em Brasília e o autódromo de Santa Cruz do Sul totalmente disponível ao longo do ano. Pelos projetos que são, não será mais necessário fazer uso daquela pista de track day de Mogi-Guaçu (mas eu duvido que saiam de lá, por uma questão de conveniência e proximidade de São Paulo).

 

 

O Autódromo Internacional de Chapecó continua com suas obras em andamento. A primeira camada do asfalto – a base – já foi toda concluída e fizeram um “oval à brasileira” (o país onde os circuitos ovais tem área de escape nas curvas) no modelo “paper clip”, como é o oval de Martinsville. Os próximos passos são a construção dos boxes, da torre de controle, da construção do pit wall. Com isso pronto devem fazer as caixas de brita das áreas de escape e colocarem os guard rails.

 

Em paralelo a estas obras estão sendo feitas algumas correções de nivelamento nas áreas entre os traçados (como são os autódromos dos nossos Hermanos argentinos, o autódromo catarinense vai oferecer algumas opções de traçado para as corridas – além do oval), Ajustes no sistema de drenagem – que foram observados com as chuvas intensas que caíram nos últimos meses – e o acabamento das laterais da pista para o plantio de grama.

 

 

A prefeitura, que é a dona do autódromo, comprou milhares de pneus usados (velhos mesmo) para fazer as barreiras de pneus das curvas seguindo as orientações do engenheiro Ernesto Morales, da CBA e da FIA (esse cara sabe das coisas, tem uma entrevista dele aqui no site que todo mundo deveria ler). Depois de feito todo esse trabalho entra o passo crítico, que é a colocação da segunda camada de asfalto, aquela que se fizerem bobagem (o advérbio não era bem esse...) vai colocar a perder todo o trabalho, como fizeram no passado em Goiânia, Campo Grande e há 2 anos em Santa Cruz do Sul. Vão usar o chamado Stone Matrix Asphalt (SMA), que é um asfalto próprio para autódromos, com mais pedra e menos betume, o que dá maior resistência à tração e aceleração, além da resistência à deformidade por carga.

 

Com todas essas obras, apesar do que falam, o Autódromo de Chapecó só deve ficar pronto para receber corridas na metade do ano, apesar de que, desde maio passado, foi assinado um contrato para que a inauguração do autódromo – com a primeira competição de grande porte – seja com a verdadeira categoria de corridas de caminhões do Brasil, a Fórmula Truck! Pelo visto, o promotor, Gilberto Hidalgo, foi mais esperto que a turma da Cosa Nostra.

 

 

O Autódromo Internacional de Cuiabá, que também está em construção tem as obras mais adiantadas do que o que está em construção em Chapecó, uma vez que as obras no Parque Novo Mato Grosso tiveram início em 2022. A segunda camada do asfalto, o “Stone Matrix Asphalt (SMA)” foi aplicado no mês de setembro e agora está no chamado “processo de cura”. Paralelamente a isso os trabalhos fora da pista, após o asfalto ser colocado, incluíram a confecção das zebras em todas as curvas, seguindo os padrões orientados por Luis Ernesto Morales, que são os padrões da FIA.

 

Existe uma corrida contra o relógio em Cuiabá. O mês de novembro tem duas datas agendadas para a Cosa Nostra. Uma é o final de semana de 13 a 16 de novembro, que no site está como “a definir” e no final de semana de 27 a 30 que está programada para o Autódromo Internacional de Brasília (o da novela sem fim). A Cosa Nostra tem que resolver o quanto antes essa questão do calendário e temos a prefeitura de Santa Cruz do Sul agitando as bandeiras para que, em caso de algum problema, o recém recuperado autódromo seja a tábua de salvação para D. Corleone e trupe.

 

Caso sigam o que está escrito no site da Cosa Nostra, caso realizem alguma coisa no Autódromo Internacional de Cuiabá, além da Stockamburão, a categoria de baixa cilindrada gourmetizada, a Turismo Nacional comporia o programa do final de semana que prevê – a princípio – uma inédita corrida noturna na história da categoria (havia o plano de uma corrida noturna no Velopark no ano passado, mas a corrida acabou sendo disputada com luz natural, o que pode acontecer novamente em Cuiabá, caso aconteça mesmo uma etapa da Stockamburão e da Turismo Nacional Gourmet por lá.

 

 

A estrutura do autódromo não vai estar pronta em novembro e, ao invés de boxes, para os carros e equipes, o plano é a instalação de tendas (até climatizadas) para todos os equipamentos auxiliares como sala de imprensa, sala dos comissários, do diretor de prova, posto médico, etc. O governador do estado, Mauro Mendes, “garantiu” a corrida para este ano... só falta combinar com os carcamanos.

 

Eu falei que tinha outra data indefinida e essa seria, caso concluída, o fim de uma novela de uma década de coisas mal feitas, mal explicadas e mal resolvidas, o Autódromo Internacional de Brasília (será que vão tirar o nome do tricampeão Nelson Piquet – o piloto – do monumento à velocidade da capital federal?) está programado para ser reaberto no final de novembro com um verdadeiro festival de velocidade com a Stockamburão, a Stock novamente Light e a F4 Brasil.

 

 

Apesar das muitas idas e vindas, da pressão dos lobbies (de diversos seguimentos) chegou-se a sugerir a demolição do autódromo para transforma-lo em estacionamento para o elefante branco de 2 bilhões de reais – valores de 2014 – construído para a copa do mundo. Outro movimento pressionava para que o “setor hoteleiro” fosse expandido e tomasse seu lugar, ações que foram impedidas pelo tombamento do plano diretor, ocorrida anos antes, que não permite alterações no mesmo.

 

Apesar de todas as intervenções nas características originais do circuito, as particularidades do traçado foram preservadas, ajustando as exigências de segurança, garantindo a identidade histórica da pista, elevando o circuito para que este receba uma certificação com padrão internacional da Federação Internacional de Automobilismo, tanto que no evento de abertura está programada uma etapa da Fórmula 4 Brasil.

 

 

Com as obras, a pista terá seis opções de traçados, permitindo corridas de diversas categorias — carros, motos, arrancada e drift. O traçado principal ficou com 5.384 metros de extensão, sentido horário, 16 curvas (nove à direita e sete à esquerda) e três retas principais, com destaque para a maior delas, de 803 metros. A reta de largada tem 614 metros e a reta oposta, 502 metros. Para o público, a estrutura permitirá receber até 100 mil espectadores por evento, posicionando o Autódromo Internacional de Brasília como um dos maiores e mais modernos do país. Só falta resolver agora a questão do nome e o Banco Regional de Brasília apresentar as contas do quanto custou esta grande obra.

 

Como eu entrei no assunto do dinheiro, todos os amantes da velocidade estão comemorando a vinda da Moto GP para o Brasil e a reforma do Autódromo Internacional de Goiânia, que leva o nome do Presuntinho, que nunca colocou os pés por lá. O valor estimado para a execução da reforma da pista, áreas de escape e infraestrutura – boxes, paddock, acessos, etc – foi de 200 milhões de reais. Como sabemos que obra pública (o autódromo é do governo do estado) sempre estoura seus orçamentos no país, sabe-se lá onde vai parar.

 

 

Para que os meus leitores tenham uma ideia, o moderníssimo autódromo de San Juan Villicum, na Argentina, construído em 2016, custou 30 milhões de dólares ao governo da província. O autódromo recebe o Mundial de Superbike, tem grau A da FIM e grau 2 da FIA. Um circuito moderno, largo, com uma infraestrutura contando com 64 boxes e arquibancadas fixar para 10 mil pessoas e um exemplo de como se fazer as coisas do jeito certo.

 

A reforma do Autódromo Internacional de Goiânia vai custar 37 milhões (sem estourar o orçamento) e não vai chegar nem perto. Ao menos, quando voltar a receber corridas, será mais uma opção para termos corridas, com a vantagem de que, tendo um contrato assinado para receber a Moto GP em 2026, atrasos no prazo de entrega não estão em questão e o autódromo vai ser entregue para as corridas da motovelocidade e, depois, para o esporte a motor nacional.

 

 

As melhorias no autódromo fazem parte do investimento do Governo de Goiás na revitalização de praças esportivas estaduais. As obras na pista começaram nas áreas de escape do circuito, incluindo muretas de contenção, guardrails e barreiras de pneus, visando proporcionar segurança máxima aos pilotos. As intervenções, que começaram no dia 23 de junho, já estão com mais de 50% de conclusão. A camada asfáltica do circuito será totalmente trocada, enquanto a reta principal terá alargamento de cerca de um metro e as áreas de escape e caixas de brita também serão ampliadas.

 

Bem longe de por onde andam os carros de corridas das principais categorias nacionais, um outro autódromo teve o início – de forma silenciosa e errada! A governadora do estado de Pernambuco, Raquel Lyra, contratou (sem licitação) uma empresa privada foi uma empresa com sede em São Paulo, a Rígido Engenharia, que – oh, coincidência – o proprietário (Eduardo Zeppo Boretto) trabalhou com o partido ao qual a governadora era filiada, o PSDB (ela hoje está no PSD). Um luz – talvez – nessa coisa nebulosa é o fato de Luis Ernesto Morales (o cara dos autódromo na CBA e membro da comissão na FIA) é um dos sócios da empresa.

 

 

A reforma deve ser algo bem mais modesto que o que vem acontecendo em Goiânia, mas tem muita coisa para serem mudadas. Os boxes do autódromo são ridículos (para dizer o mínimo) e precisam ser demolidos e refeitos, dentro do que é necessário para que os pernambucanos possam sonhar em receber as principais categorias do automobilismo Tapuia. Muitos aspectos de infraestrutura precisam ser feitos, como a ligação do autódromo com a BR-104 e acessos no entorno do autódromo.

 

Ainda não foi apresentado o projeto do que será feito no autódromo que também leva o nome do Presuntinho, que provavelmente nunca esteve sequer em Pernambuco, já recebeu a F3 brasileira e a Fórmula Truck no passado e, se fizerem as coisas do jeito certo, talvez os promotores nacionais possam olhar com um pouco menos de um eventual preconceito e levar suas competições para o nordeste do Brasil. Certamente Pernambuco é mais perto do que Portugal ou Thermas do Rio Hondo.

 

Sessão Rivotril.

Seguindo meu mestre inspirador, está na hora de receitar as pílulas da semana.

 

- O Aiatolá Sulayem, está criando mecanismos para se perpetuar à frente da FIA. Nesse seu primeiro mandato não faltaram polêmicas, desde conflitos com a dona da Fórmula 1, a Liberty Media, sobre questões desportivas e comerciais, também com os pilotos da categoria, desde o que eles podiam ou não falar ou pelos piercings do Neguim. Numa postura ditatorial, ele foi afastando diretores e impedindo-os de participar de reuniões do Conselho Mundial do Esporte. 3 candidatos surgiram neste ano, mas é possível que ele seja candidato único.

- Depois do lançamento do documentário que a Cosa Nostra fez, estou pensando em fazer um documentário durante as férias. Já tenho o título: A epopeia do Opalão ao Camburão! Vou colocar no meu blog, junto com a minissérie que fiz no ano passado sobre o maior piloto de todos os tempos.

- Para quem não sabe porque eu fiquei longe do site por algumas semanas no início do ano, tive negado meu projeto onde escrevi uma série (em 6 episódios), sobre a verdadeira história do maior piloto de todos os tempos. Criei um Blog para isso e quem quiser ler a saga do maior astro das pistas é só clicar aqui.

 

Felicidades e velocidade,  

 

Paulo Alencar

 

 

Nota NdG: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Nobres do Grid.


Last Updated ( Tuesday, 14 October 2025 22:01 )