E na TV: não há nada ruim que não possa piorar Print
Written by Administrator   
Tuesday, 02 April 2019 22:44

Tem uma coisa que eu adoro neste nosso Brasil é a tal da sabedoria popular. Hoje mesmo eu ouvi de um fã da Ferrari que quando Sebastian Vettel saiu da Red Bull para Ferrari ele deixou de ter asas e passou a crescer as orelhas... sensacional!

 

Mas eu preciso confessar – e sei que não sou o único – que está difícil assistir a Fórmula 1 este ano pela TV detentora dos direitos de transmissão. E o pior de tudo é que a opção do “horário alternativo” com uma “narração e comentário alternativos” simplesmente acabou. Agora é tudo a mesma coisa (a palavra não era bem essa).

 

Até o ano passado, para quem não assistia a transmissão ao vivo no horário da corrida (algo que normalmente não consigo fazer por ser corretor de imóveis, trabalhar aos domingos e ter contas para pagar), havia a opção de assistir a corrida em “horário alternativo”... e como era bom esse “horário alternativo”. Primeiro que como era no final da tarde ou começo da noite, eu já tinha voltado para casa e segundo, eu me livrava da narração do “Munrá  Bueno”, aquele de vida eterna.

 

 Munrá, aquele de vida eterna e que não larga o osso, continua mandando e desmandando na emissora, mesmo estando gagá.

 

No “horário alternativo” era como chegar no Buffet a Quilo. A gente tinha opção. Tudo bem que muita gente não gostava de algumas piadinhas sem graça do “Ligadíssimo Caprichoso”, que normalmente narrava a corrida acompanhado do grande “Gato-Mestre”, que precisamos reconhecer, tinha – e tem – uma rede de informantes que mais parece filme da II guerra mundial ou aqueles filmes policiais dos anos 80 que passavam na TV, e na parte técnica e tradução dos rádios das equipes, o piloto de mini buggy (ele usa perna de pau pra alcançar os pedais no carro da Stock Car, né?) e goleiro de pebolim, Max Wilson.

 

E o melhor de tudo é que a transmissão era um verdadeiro pacote completo. Tinha uma pré-hora de uns 30 minutos com informações importantes para quem gosta de automobilismo, o “Ligadíssimo Caprichoso” olhava pra tela (a transmissão sempre foi feita no estúdio) e prestava atenção nas informações (coisa que o “Munrá Bueno” não faz), dava espaço para o comentarista comentar o que está acontecendo (coisa que o “Munrá Bueno” não faz), e não fala sobre o rádio, deixando que a gente ouça o rádio – que em alguns casos são hilários – e permite que o tradutor do rádio escute o mesmo e traduza pra quem não fala inglês (coisa que o “Munrá Bueno” não faz: deixar a gente ouvir o rádio e falar inglês).

 

 Com o "horário alternativo sem alternativa", perdemos o pré-corrida e o pós-corrida, que eram sensacionais.

 

Mas o melhor mesmo é que a corrida não acabava na bandeirada. Tinha os rádios dos carros, tinham as entrevistas depois que os três primeiros chegavam de volta no pit Lane, tinha aquele papo entre os pilotos na salinha antes deles seguirem para o pódio e nesta última corrida, vi no programa de automobilismo daquele canal de transmissão de jogos de futebol que passa na madrugada da segunda-feira que o Neguin foi gente pra caramba (a palavra não era essa) pra falar pro pesadelo do Darth Vettel que ele tinha sido “o piloto da corrida”. Tinha a cerimônia do pódio com mais entrevista com os pilotos... e as vezes ainda tinha a entrevista na sala de imprensa.

 

 Na transmissão oficial, "Matusaleme" não consegue falar... porque "Munrá Bueno" não para de falar e gaguejar.

 

Isso tudo acabou! Primeiro eu achei que talvez tivesse sido algum problema na Austrália, algo de fuso horário, de compromissos com outras transmissões do canal, mas não... no tal do “horário alternativo” colocaram um VT da transmissão do horário oficial, com o “Munrá Bueno” atrapalhando a vida do “Matusaleme”, o piloto tradutor, o repórter nos boxes, atropelando o rádio e gaguejando como um velho gagá. #aposentamunra

 

    

   Dispensado no final do ano passado, o "Gato-Mestre" podia falar suas bobagens, mas tinha uma rede de contatos enorme.

 

Mas o estrago no canal por assinatura foi maior do que até o mais pessimista poderia prever. A saída do “Gato-Mestre” e a troca de piloto de Max Wilson para Felipe Giaffone foi um desastre! O Giaffone é um grande piloto, salvava as transmissões da Fórmula Indy que eram ruins com ele e estão pior ainda sem eles, com o “Doutor Smith” (perdido no espaço) na narração, mas está mais perdido do que cego em tiroteio. Ele é inteligente, vai aprender, vai encontrar o caminho, mas ele não tem os contatos do “Gato-Mestre” e a transmissão dos treinos que eram ricas em informações estão bem pobrezinhas. Trocaram dois por 1 e com perda!

 

 Se na emissora da F1 está ruim, na que transmita a F. Indy a coisa é ainda pior, com um narrador "perdido no espaço",

 

Mas para completar o pacote, ainda teve a transmissão da Fórmula 2 com a dupla infanto-juvenil “Tala Larga e Nhonho”. Com a demissão do “Gato-Mestre”, não satisfeitos com a redução na folha de pagamento que fizeram, colocaram dois garotos na linha de frente e, até onde se vê, sem estarem devidamente amadurecidos para segurar o rojão.

 

E nas transmissões das categorias com os pilotos mais jovens, uma dupla mais jovem, que vem comentendo os erros dos mais velhos.

 

O “Nhonho” já tem mais milhagem, mas o “Tala Larga” parece que está fazendo escola com o “Munrá Bueno”. Ele sequer consegue interpretar o que está vendo na tela (qual será o tamanho do monitor que eles usam pra fazer a transmissão?). Se agora já está assim, imaginem quando entrar também a Fórmula 3...

 

Como diz o ditado popular, “não há nada ruim que não possa piorar!”

 

Abraços,

 

Maurício Paiva

  
Last Updated ( Saturday, 20 April 2019 18:26 )