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Written by Administrator   
Friday, 23 August 2013 09:34

Caros amigos, vocês estarão lendo esta coluna às vésperas do retorno das atividades de pista da Fórmula 1, contudo, apesar da altíssima temperatura nos bastidores com as diversas possibilidades de mudanças de pilotos nas equipes, algo que deixou em segundo plano – e quase esquecida – mudança dos motores para 2014, quando a Fórmula 1 voltará a usar motores turbo.

 

Contudo, o que mais chamou minha atenção ao longo da semana foi uma matéria no jornal inglês, ‘The Independent’, e que tem muito a ver com um assunto no qual tenho falado com certa frequência por aqui: autódromos.

 

Segundo o jornal, o circuito de Silverstone não está mais nas mãos do British Racing Drivers Club (BRDC) – ou Clube de Pilotos Britânicos, em português. O clube não foi seu proprietário desde o início. Em 1948, foi o Royal Automobile Club (RAC) – Real Automóvel Clube Britânico –  quem conseguiu com que a antiga base utilizada na 2ª Guerra Mundial e que estava ociosa fosse cedida para a instalação de um novo circuito para competições, visto que o circuito de Brooklands foi destruído para a ampliação da fábrica de aviões de guerra.

 

O British Racing Drivers Club (BRDC) passou a administrar o autódromo apenas em 1951, ou seja, praticamente desde a sua construção, onde inicialmente havia uma divisão “amigável” de responsabilidades com o Royal Automobile Club (RAC), e Silverstone tinha, além do GP de F1 – quando este não era em Brands Hatch – a ‘Corrida dos Campeões’, até o final dos anos 70. Com o final do “revezamento”, em 1987, Silverstone tornou-se o palco das disputas do GP inglês.

 

No ano de 2009, o bom velhinho chegou a anunciar que o GP da Inglaterra mudaria para Donington Park, que sediara uma única corrida de F1 – 1993, aquela da super 1ª volta do Rubens Barrichello – por desacordos com o O British Racing Drivers Club (BRDC).

 

Para que vejamos que as coisas não acontecem da forma que pensamos ser coisas apenas ‘deste lado do oceano atlântico’, o consórcio que quis fazer de Donington Park o novo palco da Fórmula 1 na Inglaterra não conseguiu cumprir com o comprometido com a FOM e o O British Racing Drivers Club (BRDC), ainda em 2009, assinou um contrato de 17 anos com Bernie Ecclestone, comprometendo-se apagar uma taxa de € 20.000.000 (20 milhões de euros) para a FOM, além de assumir um compromisso de fazer reformas para modernizar o circuito.

Em 2011, após a conclusão das obras que mudaram o traçado do circuito, com a nova reta dos boxes e as novas instalações de boxes e paddock, o British Racing Drivers Club (BRDC) ficou com uma dívida – segundo o balanço daquele ano – da ordem de £ 30.000.000 (30 milhões de libras). Pior: desde então, a dívida, dado aos prejuízos com a F1 só tem aumentado.

 

A proposta de venda do circuito para algum grupo de investidores interessados chegou a ser discutida no conselho do BRDC – clube que tem como membros mais de 800 pilotos ingleses, dentre eles, Jenson Button e Lewis Hamilton. Contudo, o conselho não concordou com a venda do patrimônio, mas acabou por aceitar negociar um contrato de arrendamento, no sistema de ‘leasing’, por um dado período.

 

Para quem não é familiarizado com o que é ‘leasing´, trata-se de um contrato através do qual a arrendadora ou locadora (a empresa que se dedica à exploração de leasing) adquire um bem escolhido por seu cliente (o arrendatário, ou locatário, no caso, o BRDC) para, em seguida, alugá-lo a este último, por um prazo determinado. Ao término do contrato o arrendatário pode optar por renová-lo por mais um período, por devolver o bem arrendado à arrendadora (que pode exigir do arrendatário, no contrato, a garantia de um valor residual) ou dela adquirir o bem, pelo valor de mercado ou por um valor residual previamente definido no contrato.

 

O contrato valerá pelos próximos 150 anos (isso mesmo, caro leitor: um século e meio!). Além disso, não impedirá que o British Racing Drivers Club faça investimentos no local, sem que o valor do contrato seja alterado. O BRDC tem planos para o futuro de Silverstone, que incluem a construção de um parque de negócios, um centro de tecnologia, um campus educacional e três hotéis.

 

Ao arrendatário ficarão as responsabilidades pela promoção do GP da Inglaterra, bem como pelo pagamento das taxas exigidas pela FOM (Formula One Management), ou seja, eles vão descobrir porque os prateados cabelos do bom velhinho brilham tanto! O ‘The Independent’ informou que a primeira reunião entre Bernie Ecclestone e os novos investidores iria acontecer antes mesmo do GP da Bélgica, mas até o fechamento da coluna, nada havia sido publicado neste sentido. O periódico também informou que um pronunciamento oficial por parte do BRDC só acontecerá no próximo mês.

 

Visto e dito isto, voltemos para a nossa realidade: Interlagos vai passar por uma reforma que custará aos cofres públicos – ou seja, dinheiro dos impostos dos cidadãos, gostem eles ou não de automobilismo – 160 milhões de reais (no papel, porque – na prática – conhecemos bem a nossa triste realidade de orçamentos extrapolados e/ou superfaturados ao final das obras).

 

Será que não haveria aqui no Brasil nenhum grupo de investidores interessados em fazer um contrato semelhante ao assinado na Inglaterra para a exploração do autódromo de Interlagos? Temos visto as nababescas ‘arenas’ da copa do mundo da FIFA (porque a copa é da FIFA, não é do país-sede) estão sendo arrendadas, porque não o nosso principal autódromo?

 

Além de desonerar o estado, o novo administrador poderia ficar responsável por garantir as melhorias, reformas e até mesmo a recuperação do traçado original de Interlagos, além de ficar com o encargo de engolir os sapos que o bom velhinho costuma enfiar goela abaixo dos que assinam contratos com ele.

 

Esta pode ser também uma possibilidade para que outros autódromos passem a ter uma gestão privada, como – por alguns anos – o autódromo de Brasília teve, quando ficou arrendado por Nelson Piquet, mas que dê ao arrendatário a possibilidade de investir, de implementar melhorias, coisa que o tricampeão não teve.

 

Esta semana, assistindo o excelente programa do Celso Miranda no Bandsports, vi que o meu pensamento de que ter um autódromo em uma cidade de médio porte e em uma região com bom potencial econômico é muito mais interessante do que ter um autódromo em uma grande cidade. Mais uma vez, fica a dica para os que dizem fazer automobilismo no estado do Rio de Janeiro.

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Não tenho como não continuar no assunto autódromo: no último sábado, em Brands Hatch, o ex-diretor da BMW, Karl-Heinz Kalbfell, de 63 anos, estava participando de um evento do Clube dos Pilotos de Motociclismo Britânicos (BMRDC), quando sofreu uma queda na curva Druids durante um treino e foi atingido por outro competidor. Kalbfell foi levado de ambulância até o hospital Darenth Valley, onde não resistiu às lesões e morreu, informou o Motorsport Vision (MSV), grupo que administra Brands Hatch.

 

Diretor-executivo do MSV, o ex-piloto Jonathan Palmer lamentou o ocorrido. “Estou profundamente entristecido por ouvir essa notícia trágica. Conhecia Karl-Heinz, embora não tão bem, e tinha um grande respeito por suas conquistas na indústria do automobilismo, particularmente com a BMW”.

 

Se isso acontece aqui no Brasil, teríamos aquela velha saraivada de críticas, no estilo “várzea sobre rodas”, “degradação dos autódromos nacionais”, “A CBA só tem incompetente – Fora Pinteiro”, etc. Atire a primeira pedra (caneta ou teclado) quem não acha que seria exatamente isso! Brads Hatch não é um autódromo defasado. Corridas internacionais, como o WTCC acontecem lá. Ele estaria como Curitiba é para Interlagos nos dias de hoje e , caso um serviço apropriado fosse feito no asfalto, Campo Grande se juntaria a Goiânia (quando a reforma estiver terminada) e a Cascavel como bons autódromos no país.

 

Agora, nesta, eu só acredito quando as máquinas entrarem na pista (não as motos, mas as retroescavadeiras, concretadoras e betuminadoras para fazer o novo asfalto: A MotoGP pode correr em Brasília na próxima temporada. A condição é o Autódromo Nelson Piquet receber homologação da Federação Internacional de Motociclismo (FIM), anunciou a Dorna, promotora da categoria, nesta segunda-feira (19), no Distrito Federal.

Diretor-executivo da Dorna, Carmelo Ezpeleta se reuniu com o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT-DF) e, em entrevista coletiva, afirmou que a corrida brasileira pode ser incluída na segunda metade do calendário de 2014.

 

Sem ter passado por nenhuma melhoria significativa (nem mesmo um recapeamento) desde sua construção, há quase 40 anos, o autódromo tornou-se inseguro para os atuais padrões de segurança, tanto do automobilismo, quanto do motociclismo. Em junho, a Stock Car teve problemas quando lá correu e em julho, uma piloto de moto sofreu um acidente fatal.

 

Mesmo que tudo isso venha a se tornar realidade e Brasília volte a ser um palco de grande importância no automobilismo nacional, até mesmo como um circuito FIA 1, como foi um dia, enquanto a forma de gestão continuar como está, onde o autódromo não tem autonomia para gerir o que arrecada, tendo que repassar este valor para a Secretaria de Esportes do Distrito Federal e ficando na espera da divisão dos valores arrecadados por outros meios para só então ter direito a algum dinheiro, a realidade não irá mudar.

 

Deixando uma piada sem graça para uma com graça, parece que ‘El Gordito’, Juan Pablo Montoya tem convite para correr em 2014... Michael Andretti, dono da equipe campeã da temporada 2012, está procurando patrocinadores para contar com o colombiano em um de seus carros no ano que vem, revelou o próprio ex-piloto em entrevista à ‘Associated Press’.

 

Os dois ex-campeões da CART se reuniram na semana passada, depois que o colombiano ficou sabendo que não continuaria na equipe de Chip Ganassi na NASCAR. Montoya estava guardando silencio sobre o fato de algumas equipes da Indy o terem procurado, mas Michael tratou de abrir o jogo.

 

Atualmente contando com quatro pilotos (Ryan Hunter-Reay, Marco Andretti, James Hinchcliffe e Ernesto Viso), fica a dúvida: onde entraria ‘El Gordito’? Quem estaria numa situação mais complicada seria James Hinchcliffe. Vencedor de três corridas em 2013, o simpático piloto pode ficar sem o patrocínio da ‘GoDaddy’ – o mesmo da marrentinha Danica Patrick – que expira neste ano. Foi numa destas, como a saída da ‘Seven-Eleven’ que Tony Kanaan perdeu o lugar na equipe.

 

Em um processo que mais parece correr na justiça brasileira, O Ministério Público alemão divulgou “mais detalhes” sobre o indiciamento de Bernie Ecclestone no caso da venda das ações da F1. De acordo com o processo de 256 páginas, o dirigente máximo do Mundial pagou para um banqueiro envolvido na negociação para que a venda acontecesse e ele permanecesse como chefe-executivo da categoria. 

 

O bom velhinho continua negando que o valor tenha sido suborno e alega que Gribkowsky ameaçou dizer ao HM Revenue & Customs, um departamento do governo britânico responsável pela coleta de impostos, que Ecclestone controlava o fundo, exigindo os US$ 44 milhões por seu silêncio. O que neste caso, seria extorsão, e não suborno e Bernie Ecclestone, coitadinho, seria uma vítima.

 

Residente no Reino Unido, Bernie teria de pagar impostos sobre os US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 9,5 bilhões) do fundo se estivesse no controle. O dirigente, entretanto, nega veementemente essa acusação. Ecclestone afirma que pagou a Gribkowsky, pois sua falsa acusação resultaria em uma longa e dispendiosa investigação. 

 

Gribkowsky está em cana, continua cumprindo uma pena de oito anos e meio de prisão por ser culpado na Alemanha de evasão fiscal e suborno no caso da venda das ações da F1. Em junho deste ano, o tribunal decidiu indiciar Ecclestone por suborno em um caso separado, que vem se arrastando com a velocidade de uma antiga HRT.

 

Quem quer andar mais do que isso é o brasileiro – que não desiste nunca – Luiz Razia.

 

O Baiano de Barreiras afirmou que considera voltar à principal categoria do automobilismo mundial caso arrume algum patrocinador nas próximas semanas. Do contrário, deve focar a carreira no endurance.

 

Em entrevista para a Sky Sports, Razia foi duro. Disse que “A F1, hoje em dia, se resume apenas a dinheiro. O talento vem em segundo lugar, e, infelizmente, eu não tenho dinheiro no momento, então está difícil voltar. Nós tivemos aquele problema no começo do ano, e isso foi o fim. Ainda estamos tentando corrigir a situação. Obviamente, não foi fácil, mas depois disso fui convidado para correr em carros GT e está sendo uma boa experiência”.

 

“Entre o fim de agosto e o início de setembro, ainda vamos continuar tentando, mas se eu não vir nenhum sinal de patrocínio, então vou mudar para os carros GT, Le Mans, algo assim. É bom procurar uma vaga como profissional ao invés de pagar durante toda a minha vida. Se o dinheiro aparecer, então ainda vou tentar, mas é muito difícil arrumar £ 10 milhões (cerca de R$ 40 milhões) ultimamente. Está complicado”. E com a disparada do câmbio, ficou mais complicado ainda!

 

Embora ainda esteja de olho na vaga na F1, e tendo o Mundoal de Endurance como alvos principais, Razia descartou voltar à GP2, onde foi vice-campeão do ano passado. O baiano disse que não precisa mais competir no certame de acesso, pois já mostrou o que é capaz de fazer. Mas, sinceramente, o que é melhor: andar na frente na GP2 ou se arrastar na pista em uma Marussia? 10 milhões de libras é muito dinheiro para se colocar em um lugar que não oferece perspectivas.

 

E para fechar o balão, mal voltaram as atividades em Spa e quem está no olho do furacão? Nosso batalhador Felipe Massa. Na Ferrari ninguém fala nada, mas a a imprensa inteira especula que o brasileiro tem duas provas (Bélgica e Itália) para conseguir convencer a casa de Maranello a continuar apostando nele para 2014. Dureza é fazer isso com um carro que não tem mostrado competitividade há algum tempo e, no caso do GP deste domingo, ainda sujeito às falsetas do tempo na região com seu “chove-e-para” sem fim.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva