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Há segurança nos autódromos do Brasil? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Friday, 09 August 2013 01:07

Caros amigos, neste último domingo tivemos mais uma etapa da Fórmula Truck no Autódromo Internacional Zilmar Beux, em Cascavel. A corrida foi transmitida pela Rede Bandeirantes com narração de Teo José e comentários de Eduardo Homem de Melo, dupla que acompanha e transmite as provas da categoria há vários anos.

 

Confesso ter ficado indignado com a reação de ambos quando dos acidentes ocorridos durante a corrida, aproveitando-se do ocorrido – em especial no primeiro acidente, quando o caminhão de Jansen Bueno saiu da pista depois do ‘S’ em subida, “escalou” o guard rail e por pouco não invadiu a área de camping, localizada por trás da tela de proteção.

 

Ambos vociferaram contra a falta de segurança nos autódromos brasileiros... mas até onde nossos autódromos são inseguros? Será que parte da responsabilidade por acidentes que acontecem não estariam ligados à pouca quilometragem de alguns pilotos em determinadas categorias? O assunto é deveras complexo e delicado.

 

Vamos começar analisando os autódromos: No Brasil temos quatro autódromos cujo as pistas tem um desenho e seu terreno (área e topografia) permitem – em praticamente toda a sua extensão – que um piloto, mesmo cometendo um erro grotesco ou tendo um problema sério de falha mecânica ou acidente dom outro competidor, saia da pista e o carro possa parar sem tocar em nada! Muros, barreiras de pneus, guard rails.

 

Estes são Campo Grande, Caruaru, Goiânia e Fortaleza. Caruaru e Fortaleza carecem de reformas de melhoria de infraestrutura e alargamento da pista. O circuito cearense tem um projeto de modificação para criação de um trioval com enormes áreas de escape e o problema do muro na reta dos boxes não existe mais. Caruaru tem o projeto pronto e aprovado, preso apenas na – como sempre – disputa política em que vice governador e prefeito da cidade estão em partidos adversários. Assim, nada de reforma.

 

Campo Grande tem um problema sério de asfalto, que foi mal feito e até hoje nunca devidamente reparado, o que tem tirado o excelente circuito e de modernas instalações do calendário de praticamente todas as categorias. Asfalto também foi o problema de Goiânia por vários anos. Agora, em 2013, parece que – finalmente – uma obra decente está em andamento e vai devolver o autódromo goiano ao cenário nacional.

 

No Rio Grande do Sul, dos quatro autódromos podemos dizer que dois não tem pontos críticos (Santa Cruz do Sul e o Velopark). Tarumã, que tem mais de 40 anos, precisaria de algumas reformas adicionais em algumas áreas de escape e na entrada dos boxes. Guaporé precisaria de um milagre... e que seria uma desgraça para o autódromo! Seria refazer as curvas mais sensacionais do traçado, encurtando a pista, para criar áreas de escape. A outra seria a colocação de muros de concreto, com sistema de “softwall” e telas como as dos ovais dos Estados Unidos. Contudo, ambas as opções haveria um alto custo. Quem entraria com o dinheiro?

 

Sobre Brasília eu e outros aqui no site, além da imprensa em geral já dissemos tudo que teria que ser dito. Agora é uma questão de ver o poder público investir “uns trocados” (se compararmos ao rio de dinheiro que foi gasto no estádio de futebol para a copa da FIFA) para atualizar o autódromo, que carece de uma reforma grande em suas áreas de escape, zebras, miolo, boxes e recapeamento.

 

Dos três autódromos paranaenses, Londrina é o mais complicado, espremido pelo estádio e seu estacionamento, com algumas curvas praticamente sem área de escape. Curitiba tem o problema do muro na saída da curva zero e a proximidade do guard rail na saída do S de alta que fez a Auto GP usar uma Chicane de pneus quando correu lá em 2012. Cascavel poderia ter uma área de escape melhor na – agora – curva 7, a que dá acesso para a nova reta dos boxes. O ponto onde aconteceu o acidente com o Jansen Bueno não é um ponto crítico, mas expôs um ponto que precisa ser visto em qualquer autódromo do mundo que receba corrida de caminhões.

 

Antes de criticar ou defender, acusar ou isentar quem quer que seja de alguma responsabilidade, vamos parar para analisar, matemática e fisicamente falando, o acidente de Jansen Bueno:

 

Estamos falando de um caminhão de 4,2 toneladas se chocando contra um guard rail a 80 Km/h. Pelo que aprendemos nas aulas de física, Força é igual a massa vezes a aceleração, que no caso aqui seria a velocidade. Assim, teríamos uma força aplicada no guard rail da ordem de 93.333,33 Newtons (unidade de força no sistema internacional de unidades) uma vez que uma massa de 4200 Kg colidiu com as lâminas do guard rail a uma velocidade de 22,22 metros por segundo.

 

Para termos uma ideia do tamanho deste impacto, tomemos o acidente onde Ayrton Senna perdeu a vida em Ímola: Segundo a telemetria, a Willians colidiu contra o muro de concreto da curva Tamburello a 216 Km/h. O F1 pesava 640 Kg naquela temporada. Assim, a força do impacto naquele ponto do muro foi de 38.400 Newtons (640 Kg vezes 60,0 metros por segundo). Ou seja, menos da metade da força de impacto sofrido pelo guard rail de Cascavel.

 

Quem viu as imagens do acidente de Dilmar Bueno em Guaporé, onde seu caminhão pulverizou o muro da curva 1, ao colidir contra o muro a 195 Km/h (54,167 m/s), o caminhão de 4200 Kg aplicou naquele muro uma força de 227500 Newtons! Quase seis vezes o impacto da Williams no muro do circuito de Ímola.

 

Depois disso, não tenho como não perguntar: é seguro correr de caminhão? Qual autódromo do mundo – não apenas do Brasil – teria guard rails, muros de concreto, telas de proteção capazes de segurar um impacto de um caminhão? Quando entrevistamos a Sra. Neusa Felix, perguntada sobre a possibilidade de uma corrida de rua ela disse que era impossível. Certamente a questão segurança falou alto para que esta possibilidade fosse sequer levantada pela categoria.

 

Foi lamentável a postura dos apresentadores da corrida (Teo José, o narrador e Eduardo Homem de Melo, o comentarista) contra a segurança dos autódromos brasileiros de uma forma geral. Apesar de não sermos um exemplo de modernidade e segurança mundial em termos de autódromo, em momento algum questionou-se um outro problema que não pode ser mascarado: a formação dos pilotos brasileiros, que está sendo questionado na nossa seção Nobres do Grid = Enquete, com o foco voltado para o futuro do Brasil no cenário internacional, mas que teve no último grupo de depoimentos colhidos, a valorosa participação de alguns dos mais importantes responsáveis por formação de pilotos no Brasil.

 

Se questionarmos a segurança – ou insegurança – dos autódromos, seja brasileiros ou estrangeiros, de forma irresponsável poderemos estar colaborando para o desmantelamento dos poucos autódromos que ainda temos e fazer com que potenciais interessados – públicos ou privados – em construir um autódromo, temerosos por possíveis implicações legais em casos de acidentes. O exemplo de Ímola permanece. Os administradores do autódromo também foram acusados no processo da morte de Ayrton Senna.

 

Fechar os olhos ao que está errado é uma irresponsabilidade, mas a leviandade também o é!

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

No final de semana passado tivemos a prova do WTCC na Argentina, no reformado circuito de Termas de Rio Hondo, na província (estado) de Tucumán, praticamente aos pés dos Andes e longe uma enormidade de Buenos Aires. Yvan Muller conquistou a vitória na primeira bateria da etapa da Argentina do WTCC. Largando na pole, o piloto da não mais oficial equipe Chevrolet (RML) despachou a concorrência e recebeu a bandeirada com 4s924 de folga para Pepe Oriola, o segundo colocado. Tom Chilton completou o pódio. Mas a emoção estava por vir.

 

José María ‘Pechito’ López, ao volante de uma BMW da equipe Wiechers, valeu da pole-position, conquistada pela regra do grid invertido, para conquistar sua primeira vitória no WTCC. ‘Pechito’, que teve poucas chances na Europa, chegando até a GP2 com muita dificuldade, corre hoje na TC 2000.

 

Dada a largada, o argentino pisou fundo e em apenas uma volta abriu quase 2s para os adversários. Nas passagens seguintes, o piloto da casa chegou a ser pressionado por Tiago Monteiro, mas ficou tranquilo novamente quando o português foi atacado – e tocado – por Yvan Muller, que acabou punido. A festa só não foi maior porque o público ficou aquém do esperado pelos organizadores, abaixo do que costuma ir nas provas locais.

 

Mas, nesta semana, o grande anúncio da categoria veio por parte da estreante de 2014, a Citroën. A montadora francesa anunciou a contratação de Yvan Muller para a disputa da temporada 2014 do WTCC ao lado do já havia Sébastien Loeb, fazendo assim, uma escuderia 100% francesa para a disputa.

Os rumores que indicavam a chegada do tricampeão ganharam força nos últimos dias, quando um vídeo promocional da marca o exibiu testando o novo modelo C-Elysee, carro que será utilizado pela escuderia no ano de estreia e o chefe da Citroën, Yves Matton já havia admitido anteriormente o interesse na contratação de Muller.

 

“Em toda sua história, estando em ralis cross-country ou no WRC, a Citroën sempre buscou recrutar os melhores pilotos”, disse o dirigente. “Nós temos objetivos ambiciosos para nossa temporada de estreia no WTCC, e a chegada de um piloto experiente como Yvan vai nos ajudar a fazer um progresso muito rápido”, disse.

 

Numa destas coincidências da vida, Muller e Loeb nasceram na mesma região da França e se conhecerem há algum tempo. A equipe acredita que não deva ter problemas no ambiente em 2014... quero ver depois do primeiro treino em conjunto!

 

Mas se para os lados da Citroën as coisas se complicarem é algo subjetivo, nos lados da um dia francesa e hoje sabe-se lá o que “Nega Genii”, a coisa tá preta (não apenas o carro) tem um bom tempo.

 

O site alemão ‘motorsport-total.com’ noticiou que a situação financeira do time não é nada boa. Mesmo depois de ter anunciado um acordo com o fundo de investimento Infinity (vendeu 65% das ações em junho passado), a pindaíba é total a dívida está em 120 milhões de Euros! De acordo com a página, a escuderia praticamente não tem mais componentes para desenvolver na luta pelo título de 2013.

 

O Responsável pela engenharia da equipe, Alan Permane teria confirmado que a equipe está encontrando dificuldades para conseguir fabricar novas peças, e as atualizações que serão usadas nas próximas corridas já foram previamente desenvolvidas.

 

O problema é que o dinheiro do Grupo Infinity ainda não entrou... e a espera por este aporte irá fazer a diferença entre o time poder ou não lutar pelo título de 2013, e mais: Lutar também para manter Kimi Räikkönen na próxima temporada. O chefe da equipe, Eric Boullier, disse à emissora finlandesa MTV3 que vai reestruturar o orçamento do time para poder terminar a temporada. Enquanto isso, passará todas as informações para que Räikkönen continue por lá em 2014.

 

Soltada esta bomba na mídia, a equipe apressou-se em negar que esteja com a corda no pescoço, mas esta semana, Boullier afirmou que os custos da F1 precisam ser reduzidos o mais rápido possível, com o objetivo de salvaguardar a saúde financeira das equipes. O dirigente acredita que 80% dos times são a favor de uma negociação maior para o controle de despesas, mas que algumas poucas equipes estão impedindo um consenso, criando um grande impasse para o avanço das conversas. É... onde há fumaça, há fogo!

 

Se na ‘Nega Genii’ o problema é falta de dinheiro, na Ferrari é falta de competitividade. Os números não negam: desde a vitória no GP da Espanha, Alonso não conseguiu mais chegar perto do topo do pódio. Sua melhor posição de largada foi no GP da Hungria, onde saiu em quinto. Nas últimas cinco etapas, foram apenas dois pódios. O palpite de Domenicali é o de que o ponto fraco da Ferrari, de fato, pode estar relacionado ao consumo de pneus.

 

“Não estamos onde queremos estar, por isso precisamos entender se este é o caso e como reagir. É algo que precisamos analisar com cuidado, porque a estrutura de pneus que temos agora é a que teremos até o final da temporada” disse o diretor técnico.

 

 

Já o Presidente da Ferrari, Luca Di Montezemolo foi mais além, insatisfeito com os acontecimentos da temporada 2013 da F1, voltou suas baterias contra a FIA, afirmando que o teste secreto da Mercedes com a Pirelli, após o GP da Espanha, afetou a credibilidade da categoria e prejudicou o trabalho das outras equipes.

 

“A F1 precisa ser um esporte limpo, sem qualquer negócio desonesto como tivemos nos últimos anos, para a próxima temporada, vamos ter uma F1 completamente diferente, menos dependente da aerodinâmica. Eu construo carros, não aviões. Nós finalmente vamos ter testes novamente, e não será como essa farsa que tivemos este ano com uma equipe testando de forma ilegal, sem receber a punição correta para isso”, declarou ao jornal ‘Corriere della Sera’, furioso com a decisão do Tribunal Internacional, que apenas proibiu a Mercedes de participar do treino dos novatos em Silverstone. E está claro que, depois destes testes, o rendimento dos carros alemães melhorou absurdamente.

 

 

E eles tem que dar graças a Deus que a Red Bull, parece mesmo ter aberto mão dos préstimos de Fernando Alonso... só faltava essa para turma de Maranello.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva   

 

Last Updated ( Friday, 09 August 2013 01:26 )