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Written by Administrator   
Friday, 02 August 2013 01:40

Caros amigos, programas em família são sempre prazerosos, pelo menos para nós, os Paiva. Sempre que podemos nos reunimos e fazemos algo juntos, com irmãos, primos, pais e filhos, esposas e namoradas. Nesta última tarde de domingo, fomos todos para frente da televisão assistir, com muita pipoca e guaraná, uma série de filmes que acabaram sendo minha inspiração para a coluna desta semana.

 

“Espaço: a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise. Prosseguindo em sua missão de explorar novos mundos, procurar novas formas de vida e novas civilizações, para audaciosamente ir onde ninguém jamais esteve”. O monólogo do ator William Shatner, o Capt. Kirk da série na televisão e dos filmes do cinema sempre me fascinaram e assistimos juntos alguns dos primeiros filmes da série “Jornada nas Estrelas”.

 

Há algum tempo temos visto o automobilismo em geral – e a Fórmula 1 em particular – desbravando novos países e continentes. Muita gente ‘torce o nariz’ quando se fala em “GP da Malásia”, “GP da Índia, “GP de Abu Dhabi”, “GP do Bahrein”. Será que o amigo leitor já parou pra pensar se os europeus não “torceram o nariz” quando a Fórmula 1 veio para o Brasil no início dos anos 70? Em breve vão passar um filme sobre uma disputa que teve seu final no estreante GP do Japão, em 1976, até depois da chegada da categoria ao Brasil.

 

Para os mais velhos, que viram as corridas desde os anos 70 – ou para os mais novos, que vão buscar estas imagens no you tube – e que assistem as corridas nos dias de hoje, não dá para fechar os olhos e deixar de admitir: a Fórmula 1 – e todo o esporte a motor – mudou muito nestas quatro décadas. Aquela visão que hoje chamamos de “romântica”, deixou de existir faz tempo. Hoje, se é que ainda podemos chamar de esporte, é um grande negócio que movimenta centenas de milhões de dólares por ano. Diria mesmo que as cifras entram na casa dos bilhões.

 

Convido o amigo leitor a fazer uma analogia comigo entre a história e o automobilismo de uma forma geral (e a fórmula 1 em particular): todos nós aprendemos nos tempos de escola sobre as grandes navegações, que tinham uma forte motivação comercial, antes de tudo. Eram os europeus buscando novos mercados, novos produtos, novas riquezas... e nem existia o motor de combustão interna ou a caldeira de pressão de vapor. Esta última – a caldeira – veio a ser a grande força motriz da revolução industrial, que alavancou o mundo em uma curva acelerada de desenvolvimento, disputas de mercado, de fornecedores de matérias primas e mesmo como estopim de guerras mundiais na busca por ganhos de força política, mas principalmente econômica.

 

Nos dias de hoje, com os conflitos comerciais mais melindrosos do que foram no passado e com guerras travadas sem armas, e se formos analisar friamente, o que aconteceu neste um século de esporte a motor é uma repetição da história. A cada vez, a cada década e agora, na velocidade que o mundo está vivendo, a busca de novos mercados é uma tendência irreversível.

 

Por mais que critiquemos o bom velhinho, ele é o grande responsável por a Fórmula 1 ter acompanhado o acelerado processo de revolução empresarial da categoria e exemplo para os demais gestores e promotores. Se um bom exemplo – vide os problemas na justiça alemã – ou não, em certos aspectos é algo questionável, mas ele foi um revolucionário.

 

Ao longo dos anos em que veio gerindo os interesses da categoria, fez o espetáculo ser um dos mais assistidos no mundo, fez com que dezenas de empresas investissem maciçamente em pesquisas tecnológicas, que durante vários anos tiveram como retorno o benefício da melhoria dos carros de passeio em todo o mundo, mas – e há sempre alguns ‘mas’ – o grande ponto das críticas é: até onde vale tratar uma paixão como um negócio?

 

Na ânsia de abrir novos mercados – e ganhar mais dinheiro – as corridas de automóvel se globalizaram. A Fórmula 1, que nasceu essencialmente europeia, tem hoje pouco mais de um terço de suas provas no seu continente de origem, tendendo a diminuir. Outras categorias, até algumas que seriam – teoricamente – regionais, já migraram para “mercados promissores”, como o DTM, que é alemão e já correu na China ou a americana Fórmula Indy que correu por anos no Japão e Austrália.

 

No caso da Fórmula 1, sendo ela a maior, tudo é – proporcionalmente – em maior escala e como o bom velhinho não é desses de perder a oportunidade de um bom negócio, alia o seu ótimo produto com o insandescido desejo de alguns governantes ou investidores privados em levar a Fórmula 1 para algum lugar “diferente”. Assim, temos hoje seis corridas na Ásia e duas no Oriente Médio, contra sete na Europa.

 

Mercados economicamente interessantes por serem emergentes ou aparentemente blindados à crises financeiras não argumentam muito e pagam o que o bom velhinho pede como “taxa de inscrição”... e se não quiser pagar, tem quem queira! O sistema é na base do “tem quem quer, mas não pode”; “tem quem pode, mas não quer”; “tem quem pode e quer” e estes últimos pagam o que o bom velhinho pede, faz autódromo faraônico, psicodélico e de altíssimos custos de manutenção, tudo para ter a F1 correndo “em casa”.

 

Seria ótimo se os contratos da FOM com os promotores de cada país caíssem na internet como foram descobertos os contratos com as indústrias tabagistas ou – melhor ainda – no bom ‘estilo wikileaks’!

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Próximo de estrear na F1 em 2014, o GP da Rússia pode não acontecer. De acordo com o site russo ‘R-Sport’, uma briga entre a Federação de Automobilismo da Rússia e a empresa responsável por promover a prova pode colocar em xeque a corrida do ano que vem.

O entrevero entre as entidades acontece porque a federação se recusou a fazer a inscrição do GP enquanto a promotora não se comprometer em treinar os mais de 700 funcionários para a corrida, como seguranças e fiscais de prova. E o prazo para se juntar à F1 foi quarta-feira passada, dia 31/7.

 

Uma representante da FIA disse ao site russo que a perda do prazo, no entanto, não significa que uma corrida não possa acontecer. Apesar disso, ela se recusou a falar especificamente do caso russo, apontando apenas que “o calendário será aprovado no fim de setembro.” Cabe agora os organizadores conseguirem justificar o atraso.

 

O circuito russo está sendo construído no Parque Olímpico de Sochi (viu, poder público do Rio de Janeiro?), que vai receber também as Olimpíadas de Inverno no ano que vem. Como será necessário fazer algumas reformas para adequar o local à F1, a empresa responsável pelo projeto da pista, a JSC, aprovou a corrida estar marcada para outubro, pois permite que essas obras sejam realizadas a tempo.

 

Enquanto uns estão às portas de entrar, outros já viram o olho da rua. O GP da Índia está fora do calendário da temporada 2014 do Mundial de F1. O evento do próximo ano foi transferido para o primeiro semestre de 2015, revelou Bernie Ecclestone em entrevista à agência de notícias indiana 'IANS', para que a mesma passe para o 1º semestre. Considerando que 6 meses de intervalo seria muito pouco tempo para dois GPs no país, a FOM achou melhor deixar a Índia fora do calendário de 2014 e voltar com a prova em 2015. Mas tem mais coisas por trás disso. Para a agência 'Reuters', o discurso foi outro: “o GP da Índia é muito político”, disse o bom velhinho.

 

Vijay Mallya, dono da Force Índia, clamou por uma solução para o imbróglio tributário que a categoria vive no país. O magnata, porém, disse que as autoridades do país são “difíceis” e devem complicar esse processo (e ele sabe o que fala... escapou há pouco tempo de ir em cana por lá). Segundo Mallya, “a lógica deles é que há 19 corridas na F1 e uma delas é na Índia. Portanto, 1/19 de toda a receita gerada na F1 está sujeita aos impostos indianos”. Já pensaram se a moda pega? O pior é que deve ter algum parlamentar do congresso que segue o nosso site...

 

Com o retorno do GP da Áustria já garantido, saindo a Índia ficam 21 candidatos para 20 datas, seguindo a lógica dos GPs da Rússia e da América (New Jersey). O GP da Rússia, seria no dia 19 de outubro, a janela que seria da Índia. Como a inscrição não foi feita pela Federação Russa – uma vez que o promotor do evento não se comprometeu a treinar os mais de 700 trabalhadores no evento, em especial os comissários de prova – que quer garantias antes de se comprometer com a FIA.

 

Como ainda não está definida a realização do GP da América, nas ruas de Nova Jersey – os promotores do evento ainda não conseguiram dar a Ecclestone as ‘garantias’ de que o evento vai acontecer. Entenda-se por ‘garantias’ o dinheiro para fazer a pista sem que a FOM coloque a mão no bolso.

 

Em menor escala, temos também nossos problemas de autódromo: uma vez que as reformas no autódromo de Goiânia vão levar mais tempo que o esperado (o governo de Goiás ter decidido ampliar as reformas no autódromo, incluindo além da pista, a parte de infraestrutura), a VICAR informou que a etapa, originalmente marcada para o dia 10 de novembro, será realizada em Brasília (desde que as obras prometidas fiquem prontas e condizentes) e que a corrida do dia 1º de setembro, então prevista para o Distrito Federal, terá o circuito de Cascavel como a nova sede.

 

Além disso, a categoria conseguiu um “patrocínio máster”. a Brasil Kirin, dona da marca Nova Schin. A partir de agora, o campeonato passa a se chamar Circuito 2013 Nova Schin Stock Car. O contrato é válido até o fim de 2015.

 

E pra gente que tanto critica a CBA, segura essa: a Federação Alemã de Automobilismo decidiu na última terça-feira, dia 30, manter a desclassificação de Mattias Ekström após a prova do DTM em Norisring, vencida pelo sueco. O tribunal da federação, no entanto, optou por não mudar a posição dos demais pilotos, fazendo com que a corrida acabasse sem um vencedor, e Robert Wickens continuando na segunda colocação. Sensacional, não?

 

A Audi apelou da decisão, mas o tribunal não acatou o protesto, apesar da federação considerar que o alemão não teve nenhuma vantagem nesse episódio (Ekström cruzou a linha de chegada na frente, mas foi desclassificado por ter recebido uma garrafa de água de seu pai enquanto comemorava o triunfo. Como a regra do parque fechado ainda estava em vigor, ele não poderia ter recebido a bebida), os cartolas decidiram que os outros pilotos não vão avançar uma posição. Dessa forma, a corrida acaba sem vencedor, com Robert Wickens sendo o segundo colocado!

 

E se o amigo leitor acha pouco, no ano passado, no mesmo circuito, a primeira bateria da F3 Europeia do ano passado teve Daniel Juncadella cruzando a linha de chegada na frente, mas o espanhol acabou desclassificado por ter se envolvido em acidentes com Pascal Wehrlein e Raffaele Marciello. Também nessa situação ninguém foi promovido ao primeiro lugar.

 

Esse lugar parece mesmo ‘especial’, não?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva