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Written by Administrator   
Tuesday, 30 July 2013 18:49

No último sábado encerrou-se o 48º Campeonato Brasileiro de Kart, que teve sua segunda parte disputada no Kartódromo Julio Ventura, na cidade de Eusébio, próxima a Fortaleza, no Ceará, e que passou muito perto de um desfecho que seria mais do que lamentável para o automobilismo brasileiro: seria trágico!

 

Se a palavra “trágico” pode soar um tanto pesada e alarmista para alguns, eu diria que tragédia não seria exagero nenhum. Não precisamos ter uma morte física para termos uma tragédia. Por vezes, uma “morte moral”, onde ao invés de uma ou duas vítimas temos milhares devido ao efeito de um fato ou ato.

 

Quando a Confederação Brasileira de Automobilismo divulgou que a segunda fase do Campeonato Brasileiro de Kart seria disputado no Ceará, imediatamente lembrei da nossa entrevista com o Presidente Cleyton Pinteiro em 2011 (leia a entrevista aqui). Na época, ele falou que era preciso integrar o país e termos campeonatos brasileiros que fossem a todas as regiões do país, algo pertinente e louvável, digno de quem pensa o país como um todo e não como algumas partes.

 

Mas também lembrei de uma matéria do nosso querido parceiro, o jornalista Robério Lessa, que assina a coluna “Velocidade Nordeste”, onde ele falava sobre o kartismo local e como seria bom o Brasileiro no Ceará. A matéria trazia uma foto do estado do kartódromo naquela altura (leia a matéria aqui). Imagens mostram muito: o kartódromo precisaria de reformas!

 

Sediar uma competição de nível nacional, poderia ser um bom motivo para a Federação Cearense de Automobilismo – uma das mais ativas, ou mesmo, talvez, a mais ativa do norte-nordeste – conseguisse mobilizar apoios para reformar o kartódromo sob sua responsabilidade e recuperar ao menos parte do crédito perdido com o escândalo da “Operação Podium”, da Polícia Federal que levou seu presidente, Haroldo Scipião, para trás das grades por algum tempo.

 

A federação cearense teve um semestre para se preparar para receber a segunda fase do brasileiro de kart. Um semestre para avaliar, planejar e executar as reformas necessárias para receber a competição com o kartódromo em perfeitas condições.

 

Robério Lessa nos manteve abastecidos de notícias, com os passos que vinham sendo dados e com as fotos das obras, especialmente do recapeamento da pista... mas a última coluna do “Velocidade Nordeste” fez ‘acender a luz de alerta’ aqui na redação: feitos testes com a pista, o asfalto novo apresentou problemas e reparos com cimento precisavam ser feitos... e isso foi a menos de duas semanas do início do campeonato (leia a matéria aqui). Tinha tudo pra dar problema... e deu!

 

Se a pessoa está envolvida com automobilismo há algum tempo e tiver o mínimo interesse em aprender, uma das primeiras lições é que asfalto de autódromo não é igual a asfalto de rua ou estrada. Asfalto de estrada e rua é feito para ser resistente ao peso, ao tráfego pesado do dia a dia. Asfalto de autódromo precisa ser resistente à tração, a força de tração dos carros e no caso dos karts, que tem uma relação peso/potência mais perto de um Fórmula 1 que qualquer categoria nacional. Além de um serviço extremamente bem feito e por gente especializada, o processo requer tempo... e não houve tempo para o asfalto ficar pronto.

 

Alegou-se que a culpa foi do calor, que não permitiu a “cura” do asfalto como era devida... mas no Ceará faz calor o ano inteiro! No deserto onde estão os circuitos de Doha e Abu Dhabi, onde correm a Moto GP e a Fórmula 1 jamais poderiam ter autódromos? Se os remendos feitos de concreto resistem, porque não fazer o kartódromo inteiro de concreto? Quando os americanos se instalaram em Recife e Natal na, 2ª guerra mundial, pavimentaram a BR 101 com placas de concreto... que duraram décadas!

 

É preciso humildade para se reconhecer os erros.

 

Só que apenas reconhecer que errou-se não resolve problemas. É preciso mais! É preciso, se a CBA quer, efetivamente, fazer com que o automobilismo chegue a todos os cantos do país, que as 20 federações que a compõe sejam efetivamente participantes e que eventos ocorram nacionalmente, há que se estudar bem, planejar bem e executar melhor seus eventos.

 

O campeonato esteve a ponto de ser cancelado. Como ficariam pilotos, pais, patrocinadores e demais profissionais - como os da mídia - que empenharam tempo e dinheiro para ir ao Ceará competir nesta que tem a obrigação de ser a competição mais importante do país?

 

Eu espero e isso é pensamento, certamente, de todos que trabalham para o site dos Nobres do Grid, que campeonatos futuros sejam disputados em Pernambuco, em Manaus, no Piauí, onde está sendo feito o kartódromo de Parnaíba... mas que estes locais estejam preparados para receber uma competição. Do contrário, não estaremos assim tão distantes do absurdo que foi a corrida de Carpina-PE... a diferença estará apenas na legalidade. Os improvisos não são cabíveis!

 

Da mesma forma que temos promotores de categorias que correm nos nossos autódromos, como a VICAR, a F. Truck, a Loyal, a Porsche Cup, não seria a hora de se pensar em gente disposta a produzir os certames nacionais de kart? O Super Kart Brasil tem sido um sucesso. É um empreendimento feito por jovens pilotos que tem disposição, iniciativa e – o melhor – paixão por este esporte.

 

Buscar um canal de diálogo, estabelecer parceria, trabalhar em conjunto... um trabalho neste formato pode vir a dar meios para termos campeonatos melhores. O momento requer serenidade e objetividade para o que aconteceu no Ceará não volte a acontecer, onde quer que seja. É hora de pensar até em mudanças.

 

Que todas as mentes estejam abertas para elas.

 

Flavio Pinheiro