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A Globo está errada? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 25 July 2013 21:02

Caros amigos, aquilo que surgiu, inicialmente como um boato, um “grito dos excluídos”, acabou confirmando-se como verdade: a televisão de sinal aberto, detentora dos direitos de transmissão da Fórmula 1 não irá transmitir a corrida devido à cobertura da passagem do Papa Francisco I pelo Brasil, na Jornada Mundial da Juventude.

 

E não adianta chorar, reclamar, xingar o Sr. Ali Kamel, todo poderoso do Departamento de Jornalismo da emissora que nada será mudado. Na verdade, nós, os prejudicados por não podermos assistir aquilo que queremos e que eles, donos de um contrato de exclusividade de transmissão da Fórmula 1 estão se lixando para o que nós queremos, se formos analisar friamente, teremos que admitir que eles não estão errados!

 

A televisão é movida por que paga para ela estar no ar, no caso, patrocinadores dos programas exibidos ou aqueles que pagam para ter seu produto ou serviço exibido ao longo da programação.

 

No caso da Fórmula 1, cinco patrocinadores compraram cotas para que, antes, durante e depois das corridas, além dos treinos, chamadas nos telejornais e programas da emissora, sejam exibidos os filmes produzidos por agências de publicidade regiamente pagas. Em se falando de televisão, nada é barato!

 

É fato sabido que a audiência da Fórmula 1 nos últimos anos vem em ritmo de Sauber ou Williams, tendendo para Caterham ou Marussia. Em raros momentos consegue a marca de dois dígitos nas medições dos institutos de pesquisa. Para quem não sabe a dimensão disso, 1 ponto de audiência em uma cidade grande como São Paulo significa 57 mil aparelhos de televisão ligados.

 

De forma impressionante, a Fórmula 1 tem ‘tomado tempo’ do desenho animado do Pica Pau, exibido há mais de 40 anos, e do humorístico mexicano Chaves, exibido há mais de meio século! Isso, certamente, deve deixar os organizadores da grade de programação ‘roxos de raiva’ e não devem ser isoladas as vozes que falam pelos corredores do labirinto platinado, questionando se um produto ‘tão ruim para os padrões da emissora’ não deveria ser abandonado, deixado de lado ou simplesmente repassado para os canais da TV por assinatura.

 

A emissora não detinha a exclusividade nas transmissões quando os brasileiros começaram a acompanhar a Fórmula 1 pela televisão. Algumas corridas foram transmitidas pela extinta Rede Tupi, mas na segunda metade da década de 70 ela conseguiu o monopólio que possui até hoje... a exceção de um único ano.

 

Em 1979, alegando a baixa audiência (não havia tanta divulgação dos índices como acontece nos dias de hoje) e o “desinteresse do público por não termos pilotos brigando por vitórias” (Emerson Fittipaldi se arrastava com a Copersucar e a Brabham teve um ano horroroso, com Niki Lauda – que chutou o balde antes do final da temporada – marcando ínfimos 4 pontos e Nelson Piquet apenas 3), não iria mais transmitir as corridas.

 

No ano seguinte, em 1980, a Rede Bandeirantes Contratou o narrador Galvão Bueno e o comentarista Gil Ferreira e transmitiu a temporada completa, na qual Nelson Piquet terminou como vice campeão e conquistou suas primeiras vitórias. Bastou isso para que ‘a força da grana que ergue e destrói coisas belas’, como diria Caetano, abraçasse novamente a categoria e não mais a largasse, até os dias de hoje.

 

Talvez a filosofia seja a de ter o produto e mesmo que não o tenha como transmitir, não permitir que a concorrência o faça. Esta é uma prática bem comum por parte deles. Afinal, já fizeram isso e certamente farão muito mais vezes. Seja com a Fórmula 1, seja com outros produtos.

 

Essa tal de audiência é uma coisa engraçada. Para nós, que gostamos de assistir alguma coisa, pouco importa se a televisão do vizinho está no mesmo canal. Para eles, é coisa de vida ou morte. Algum tempo atrás, quase morri de rir quando parei para prestar atenção num destes infrutíferos programas de comentaristas de futebol falando depois de terminada uma rodada (Qual a cor do sangue da galinha morta?).

 

Não sei por motivo o assunto passou para esta ceara sobre audiência e um deles contou um fato que passou nos tempos em que trabalhava no SBT e este decidira transmitir partidas de futebol. Não lembro agora qual era o jogo em questão, mas eles abriram a transmissão com a audiência oscilando entre 4 e 5 pontos, o que a emissora já considerava muito bom.

 

Contudo, houve um problema na transmissão e a imagem ficou congelada por alguns minutos, provocando o caos nos bastidores o no pessoal da grade de programação. Como o sinal da transmissão não voltava, enfiaram um desenho animado no ar – Tom e Jerry – até que o sinal retornasse.

 

A danada da audiência começou a subir. 7... 9... 10... 12 pontos! Com 12 pontos de audiência para as perseguições entre o gato e o rato, o sinal do jogo voltou. E agora? Bem, havia uma série de compromissos com os patrocinadores que compraram as cotas de publicidade e assim, o jogo voltou... e o índice de audiência despencou para 3 pontos!

 

O que será que move a credulidade dos diretores da emissora carioca para manter a Fórmula 1 como um de seus produtos é um mistério para nós, meros telespectadores. Para o ano que vem, há um forte rumor de que a Fox Sports, que já transmite as provas da categoria para diversos países da América Latina irá passar a transmitir também para o Brasil, no caso, o sinal em TV por assinatura. Tomara! Assim teremos uma opção confiável contra estas “particularidades” como a vinda do Papa ao Brasil ou o choque de horário com a rodada do campeonato brasileiro de futebol. Meu temor é quanto ao número de “torcemos juntos” da transmissão. Afinal, bem ou mal, as transmissões da Fórmula 1 no Brasil não tem intervalos durante a corrida há mais de uma década.

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Não bastasse estar enrolado com a justiça alemã, parece que o bom velhinho que se encrencar com a inglesa também.

 

A F1 deixou de pagar £73,2 milhões (cerca de R$ 250 milhões) em impostos ao governo do Reino Unido em 2011. A revelação foi feita pelo jornal britânico 'The Independent', desmascarando um complexo esquema por meio do qual o grupo que controla o dinheiro da categoria escapa, legalmente, de pagar tributos.
 

A maracutaia tem até um aspecto legal, já que foi por um arranjo encontrado pelas empresas de Bernie Ecclestone com o braço tributário do governo britânico, o HM Revenues & Customs (HMRC), sendo feita através da realização de empréstimos entre as empresas do grupo da F1. Segundo a lei do Reino Unido, os juros dessas movimentações podem ser deduzidos do imposto pago. E, pior, para o fisco e para os contribuintes, o arranjo vai até 31 de dezembro de 2017!

 

As equipes também fazem um outro tipo de artimanha para driblar o fisco da ilha. No caso delas, elas investem todo o lucro que obtém. Com isso, saem em um “zero a zero” relativo, uma vez que todo investimento trás benefícios e ainda escapam de pagar os 24% em impostos que seriam cobrados.

 

No polêmico artigo há uma dessas “amaciadas no lombo” que não dá (ou dá?) pra entender: eles afirmam que, apesar deste rombo na arrecadação que o governo teria direito, a F1 ajuda e muito a economia do país. Ao todo, a F1 gera mais de cinco mil empregos, e, além disso, gasta bilhões com empresas que pagam os impostos (sem o trambique), o que faz o HMRC sair ganhando, no fim das contas.

 

E é aqui que tem o “jeitinho brasileiro”, é?

 

Mas em se tratando de dinheiro, o bom velhinho é um expert e para não passar nenhum tipo de aperto, o negócio é vender o seu melhor produto: no caso, a Fórmula 1. Sendo assim, depois de confirmada a tão almejada corrida de New Jersey, que acontecerá logo em seguida ao GP do Canadá, foram anunciadas mais duas novas provas para 2014.

 

Os organizadores da prova de Sochi, na Russia, anunciaram que a corrida deverá acontecer no dia 19 de outubro do próximo ano. Ou seja, faltam 450 dias para a disputa do primeiro treino livre no circuito do Leste Europeu, que está montado dentro do parque olímpico, mostrando que um projeto sério poderia comportar os dois projetos, ao contrário do que foi feito no Rio de Janeiro.

 

A outra corrida será com a chancela do mais novo amigo do bom velhinho, o austríaco Dietrich Mateschitz, o dono da Red Bull... e do chamado há algum tempo, Red Bull Ring, antigo A1 Ring, uma das muitas mutilações by Herman Tilke em grandes autódromos como era Zeltweg.

 

O contrato vale por sete anos e a empresa dos energéticos vai bancar todas as adequações exigidas pela FIA e pela FOM para deixar o circuito em perfeitas condições de receber a categoria.

 

Aí sou obrigado a fazer uma conta rápida: 19 + 3 = 22! Teremos 22 corridas em 2014? Tio Bernie diz que não. Que serão apenas 20. Com isso, quem seriam os fortes candidatos a deixar o calendário? Eu aposto em Alemanha, que tem enfrentado dificuldades em pagar as taxas que o bom velhinho exige e nós aqui no Brasil... com o Bernie apostando na lerdeza, inoperância e burocracia política brasileira.

 

Se o assunto passa por dinheiro, mais um piloto ficou a pé por falta dele... e não foi um piloto qualquer, foi um campeão de talento largamente reconhecido! O holandês Robin Frijns está fora do restante da temporada 2013 da GP2. Mesmo tendo sido campeão da World Series no ano passado e vencido a etapa de Barcelona, o holandês, que não tem um forte patrocinador, foi substituído por Adrian Quaife-Hobbs na equipe Hilmer.

 

Frijns começou a temporada como piloto em desenvolvimento da Sauber, mas com a equipe em crise para pagar salários e fornecedores ele jamais teve apoio na GP2. Ainda assim, conseguiu disputar cinco etapas do campeonato de acesso pela Hilmer, conquistando 45 pontos e dois pódios, até ser substituído.

 

E o Kobayashi, heim... Com uma chance de mostrar suas habilidades ao volante de uma Ferrari F1 e sem ter abandonado o sonho de voltar à categoria, andou fazendo sessão de fotos, dando entrevistas... mas na hora de encarar o asfalto molhado de uma larga avenida na capital russa, perdeu o controle do carro e bateu no guard rail e na proteção de pneus, destruindo a frente do carro e estragando a festa. Essa, nem o Nakajima faria melhor!

 

Se a semana começou com uma grande notícia no kartismo, com Pedro Piquet vencendo as duas provas da segunda rodada do Troféu Academia 2013, disputadas em Ortona, na Itália. Pedro, que começou andando no meio do pelotão, veio evoluindo ao longo do torneio e agora é o vice líder do campeonato.

 

Em compensação, a segunda etapa do Campeonato Brasileiro de Kart viveu dias de caos! Com o asfalto se desmanchando e reparos emergenciais sendo feitos, os treinos da quarta-feira chegaram a ser cancelados. Rubens Gatti, presidente do Conselho Nacional de Kart divulgou nota oficial dizendo que os reparos estão sendo feitos para garantir a segurança dos pilotos e a realização do campeonato, mas a situação – infelizmente – podia ser prevista.

 

Uma semana antes do início dos treinos o site dos Nobres do Grid publicou na seção “Velocidade Nordeste”, uma coluna assinada pelo jornalista e parceiro Robério Lessa onde ele narra que, no teste feito na pista, duas semanas antes do campeonato, o asfalto apresentou problemas e precisou de reparos com cimento (ver a coluna aqui).

 

Não temos como não questionar o fato de que a CBA decidiu que o campeonato seria disputado no Ceará no início do ano e que a federação local teve seis meses para preparar o autódromo.

 

O desejo de levar o automobilismo a todos os recantos do país, algo que o sorridente presidente já declarou várias vezes, é extremamente louvável. Contudo, há que se certificar de que os locais escolhidos tem realmente condições de realizar os eventos e, verificar, com antecedência, se as obras estão prontas, testadas. A FIA faz isso quando manda o Charlie Whiting ao Brasil meses antes ao Brasil verificar o autódromo de Interlagos. Será que a lição não se aplica ou não serve como exemplo?

 

Abraços e até a próxima,

  

Fernando Paiva