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O "Pneugate" PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Friday, 14 June 2013 01:20

Caros amigos, no próximo dia 20 será julgado o caso “pneugate”, este que envolveu os testes nada secretos da Pirelli com os carros da Mercedes e que tantos protestos geraram por parte de outras equipes, que passou raspando na Ferrari e que pode, talvez, mudar rumos na categoria.

 

Voltemos ao início de tudo:

 

A Pirelli realizou três dias de testes de pneus usando carros da equipe Mercedes nos dias 15, 16 e 17 de maio, em Barcelona. Segundo o regulamento da FIA, a fornecedora de pneus pode solicitar às equipes que sejam feitos testes de seus produtos, sendo estes abertos a todas as equipes que se dispuserem a participar. Após o GP do Bahrein, foram feitos testes similares com a Ferrari.

 

O problema – segundo está sendo questionado pelo Tribunal da entidade – é que a equipe Mercedes usou os carros de 2013 – o W04 – enquanto a Ferrari usou o carro de 2011. Além disso, há uma discrepância de informações (a Pirelli afirma que convidou todas as equipes para fazer os testes e apenas a Mercedes respondeu. As equipes afirmam que não foram chamadas e sequer comunicadas dos testes). Não bastasse isso, há um outro ponto, no mínimo, obscuro: os pilotos da equipe (Lewis Hamilton e Nico Rosberg) usaram capacetes diferentes, um preto e um branco...

 

A ‘bomba’ estourou na manhã de domingo do GP de Mônaco, onde os dois carros da Equipe estabeleceram os dois melhores tempos e conseguiram manter o “1-2” até a primeira entrada do Safety Car, e a liderança depois deste com Nico Rosberg ditando um ritmo mais lento para a prova... ao ponto dos carros da Marussia e Catehram terem estabelecido voltas mais rápidas ao longo da corrida.

 

Agora vamos ao desenrolar que está levando o caso ao tribunal.

 

A Pirelli alegou que a sessão teve como objetivo testar os pneus que a fornecedora projeta para a temporada de 2014 e entende que a Mercedes não levou vantagem alguma. A escuderia alemã seguiu o discurso da Pirelli e alega não ter sido beneficiada pelo teste secreto. Entretanto, Ferrari e Red Bull entendem que a equipe alemã tiveram vantagem em termos de aquisição de dados e conhecimento sobre o comportamento dos pneus uma vez que fizeram uma boa quilometragem – 1000 km – e tiveram a chance de avaliar melhor o desempenho do carro de 2013.

 

Inicialmente o processo envolveria a Ferrari, que usou o carro de 2011, e que este também seria proibido... mas o tribunal  é soberano e independente, apesar da FIA ser presidida pelo ex-funcionário da Ferrari, Jean Todt...

 

Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari , acredita que o polêmico teste secreto promovido pela Mercedes em conjunto com a Pirelli em maio, em Barcelona, será julgado da melhor forma pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo), apesar de ter amenizado o discurso inicial, mas de certa forma, ainda cobrando uma posição da FIA, declarou que, ainda que a Ferrari tenha apresentado um protesto formal contra a equipe de alemã (e contra a Pirelli, nada?) após tomar conhecimento da sessão privada em Montmeló, manifestou-se confiante na FIA, preferindo não expressar sua opinião a respeito de uma eventual punição à adversária.  “Nós temos fé na FIA!”

 

Na mesma linha, Stefano domenicali até justifica a condição atual da Ferrari no campeonato não aos pneus, mas a boa primeira metade de campeonato de Sebastian Vettel. “Ele foi muito consistente até agora, mas as coisas podem mudar muito rápido neste ano. Se você tem uma corrida difícil, as coisas podem mudar novamente, mas, com certeza, ele está muito forte. No ano passado, ele tinha 40 pontos a menos nas férias de verão, mas perdemos o título, infelizmente, por coisas que não estavam nas nossas mãos”.

 

Num gesto de “gentileza gera gentileza”, Christian Horner aliviou o lado ferrarista desde os primeiros movimentos do imbróglio. No seu entender, não é possível comparar o teste dos italianos, com aquele feito pelo time de Nico Rosberg e Lewis Hamilton. Referindo-se ao teste da Ferrari, feito no Bahrein, com seu piloto de testes, Pedro de la Rosa. O chefe dos touros vermelhos tem uma opinião bastante clara quanto ao ‘sigilo’ do teste da Pirelli com a Mercedes: “Você tem esse tipo de abordagem quando não quer que alguém saiba de algo, do contrário, eles teriam anunciado em público. Como fazem com todas suas atividades”!

 

Quem não aliviou nada – e nunca alivia mesmo – foi a Red Bull, através do seu ‘pitbull’, Helmut Marko. O consultor para assuntos aleatórios bradou contra a Pirelli, contra a Mercedes, contra a FIA, contra tudo! Neste caso, dizendo que a realização de testes com outra equipe era um absurdo e uma violação direta do regulamento, independente de uma mudança na construção dos futuros pneus, o que pode ser positivo para sua equipe, uma vez que o time austríaco é o grande detonador de pneus da temporada.

 

Na reunião mensal do comitê da FIA, após a mesma foi divulgada a seguinte nota à imprensa: “Em 5 de junho de 2013, além dos protestos apresentados durante o GP de Mônaco de 2013 pela Red Bul Racing e Scuderia Ferrari contra os carros #9 e #10 (Mercedes AMG Petronas F1 Team) por ter conduzido, com a Pirelli, três dias de testes de pneus usando o carro de 2013 nos dias 15, 16 e 17 de maio, em Barcelona, o presidente da FIA, agindo como membro do Ministério Público da FIA, enviou ao presidente do Tribunal Internacional uma notificação de acusações contra a Pirelli e uma notificação de acusações contra a Mercedes AGM Petronas Team”.

 

A Pirelli, desde o início tratou de se defender. Primeiro dizendo que os testes visavam os compostos do ano que vem – apesar de a Pirelli ainda não ter assinado nada e o contrato estar vencendo este ano – e que todas as equipes foram convidadas para o teste. A Mercedes, claro, repete o discurso de Paul Hembery, o diretor da pneumática italiana.

 

Como Mônaco não é parâmetro para nada se formos falar de Fórmula 1, a prova de fogo de quem estaria em vantagem com o que seria o GP do Canadá, que tem um histórico de alto desgaste de pneus, mesmo antes destas porcarias que calçam os carros de algum tempo pra cá. Contudo, as condições de baixa temperatura, tanto do ar como de pista, mascarou a realidade e, claro, com os desgastes sendo menores para todas as equipes, ganhou quem menos perdia e perdeu quem mais ganhava: Vettel massacrou a concorrência e Kimi com a Nega Genii não conseguiu sobrepujar a deficiência dos outros carros.

 

Logo após a vitória em Montreal, Sebastian Vettel falou sobre os pneus, justificando que as suas críticas estavam relacionadas à segurança, não à performance. A Mercedes fechou o pódio com um terceiro lugar, tendo Lewis Hamilton andado em segundo lugar por quase toda a prova. Alonso e a Ferrari terminaram em segundo, mas ninguém, em momento algum, ameaçou o tricampeão. 

 

Diante do massacre taurino Paul Hembery aproveitou a situação para declarar não ser possível compreender o tom elevado das críticas da Red Bull justamente pelo domínio que seus carros – e Vettel em particular – estão apresentando nesta temporada. O britânico entende que a supremacia da escuderia anglo-austríaca em Montreal indica que o desgaste imposto pelos RB9 aos pneus não seria tão grande assim. “Acho que é um sinal, mas antes mesmo do Canadá eles já estavam liderando o campeonato”, disse.

 

Quem também partiu em defesa da Pirelli foi Eddie Jordan, ex-dono de equipe e atualmente comentando para a BBC: “A Pirelli abertamente apresentou sua proposta, eles também pagam por isso, e agora eles estão sendo criticados ou ridicularizados por algumas equipes. Acho que algumas equipes devem ter um pouquinho mais de cuidado. Quem é que vai lhes fornecer pneus se a Pirelli não estiver lá?” A Pirelli já deu alguns sinais no sentido de que “se não estão satisfeitos, podemos sair!”

 

A questão levantada por Eddie Jordan procede. Depois do GP da Espanha, até o bom velhinho andou criticando pesado a empresa que fez os pneus conforme foi pedido. E se ela “errou na mão” para este ano? Isso já aconteceu, naquele GP dos EUA em Indianápolis onde os carros com Pneus Michelin não largaram.

 

E se a Pirelli sair? Quem poderia entrar? Quem aceitaria entrar e fazer um pneu que se desmancha na pista e que, com isso, certamente passa uma péssima imagem aos seus potenciais clientes que não acompanham F1, mas que veem manchetes de notícias?

 

A Bridgestone descartou a possibilidade de retornar à F1 como fornecedora de pneus. A fabricante japonesa entregou seus compostos para a categoria durante 16 temporadas. Esteve nas temporadas de 76 e 77, retornando em 97, ficando até 2010. Bridgestone deixou a F1, mas continuou na F. Indy, onde, segundo deus diretores, dedica-se às tecnologias para pneus de carros de rua.

 

Procurada pelo site da revista britânica ‘Autosport’, a Bridgestone, por meio de um porta-voz, negou que tenha interesse em retornar à F1. O foco segue sendo no desenvolvimento de novas tecnologias para pneus para carros de rua. A fábrica japonesa vem investindo em soluções ecológicas para os compostos que equipam os veículos de passeio.

 

Além da Bridgestone, a Hankook, fornecedora sul-coreana de pneus, também descartou interesse em equipar a F1. A fábrica asiática hoje é a fornecedora oficial do DTM, principal campeonato de turismo no mundo e que recentemente renovou seu vínculo até 2016. 

 

Diferente da Bridgestone, a Michelin, que forneceu pneus em concorrência com a Bridgestone  entre 2001 e 2006, considera retornar ao grid, informou semana passada uma reportagem do diário espanhol ‘AS’. Na reportagem, o jornal de Madri informou que “no paddock de Montreal está sendo dito que representantes da Michelin se reuniram com executivos da F1 de olho em um retorno ao esporte”.

 

A Michelin chegou a dominar a F1 na disputa contra a Bridgestone em 2005/2006, mas ficou marcada pelo fiasco no GP dos Estados Unidos de 2005, em Indianápolis, quando os pneus da fornecedora francesa simplesmente “quebravam” no “ombro” entre a lateral e a banda de rodagem. A corrida teve apenas 6 carros largando!

 

Algo que os outros veículos de mídia não especularam – ainda – é sobre o que pode acontecer em termos de punição. Se a Pirelli sair no final do ano, indignada com uma punição que ela considerará injusta, fica até o final do ano. E se a Mercedes for punida, achar que não deveria, e decidir sair? Quem impede a equipe alemã de não tirar mais os carros da garagem? Quem vai fornecer os motores para as equipes que ela fornece?

 

Dia 20 veremos mais um capítulo deste drama sobre rodas.

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Não bastasse a estúpida e inconsequente tragédia de Carpina, o mundo do esporte a motor teve mais duas mortes na pista. No GP do Canadá, o fiscal Mark Robinson – que trabalhava como voluntário – foi atropelado pelo trator de serviço que retirava um carro acidentado. A FIA fez uma nota oficial com os votos de condolências.

 

Na quarta-feira, o piloto da NASCAR, Jason Leffler morreu devido a um gravíssimo acidente sofrido durante uma prova de oval de terra em Bridgeport, no estado de Nova Jersey. O piloto tinha 37 anos e vinha de sua primeira participação em uma corrida na Nascar nesta temporada, no último domingo, em Pocono, mas já corria na categoria desde 2001. Nunca venceu, mas tinha uma pole.

 

Leffler guiava um 410 Sprint Car e foi levado às pressas de helicóptero para o hospital mais próximo da região, onde tentou ser reanimado pela equipe médica, sem sucesso.

 

Quem estaria “escapando da morte” é o kartismo baiano. O imbróglio do kartódromo de Lauro de Freitas, na Bahia, cujo terreno foi anunciado como entregue para a construção de um centro de excelência de judô em janeiro de 2011 caminha para uma desfecho.

 

Há alguns dias um oficial de justiça foi ao kartódromo e entregou um Mandado de Imissão de Posse (Ordem expedida por um Juiz quando este reconhece o direito de posse de uma determinada pessoa em relação à determinada coisa e ordena que esta seja retirada da posse de quem a tem indevidamente e esta retorne ao legítimo dono). Segundo informações veiculadas na imprensa baiana, e pela federação, a FAB.

 

O governo do estado já depositou R$ 6 milhões por conta da desapropriação dos 20 mil metros de terreno, e deve investir outros R$ 22 milhões (aí divididos em R$ 12 mi do Ministério dos Esportes, R$ 4 mi do Governo do Estado e R$ 6 mi da Confederação Brasileira de Judô) para a construção do centro de excelência. Em contrapartida, ofereceu à FAB através de um Protocolo de Intenções, um terreno de 50 mil metros quadrados no mesmo município de Lauro de Freitas e mais R$ 3 milhões para a construção do novo kartódromo... isso não lembra Jacarepaguá? Acho que a Sra. Selma Moura, presidente da Federação de Automobilismo da Bahia, está indo na mesma conversa fiada que passaram para a CBA e para a FAERJ.

 

Depois de ficar de fora do calendário da temporada 2013 da F1, os organizadores do GP de Nova Jersey disseram que acertaram o contrato com Bernie Ecclestone para receber a principal categoria do automobilismo mundial pelos próximos 15 anos!!! Contudo, os organizadores confessaram que “alguns detalhes” ainda estejam pendentes. O bom velhinho ainda não confirmou a assinatura... provavelmente mais preocupado com o julgamento na Alemanha que pode precipitar seu afastamento da categoria.

 

Quem já marcou presença foi a Porsche, que apresentou o LMP1 que irá participar do mundial de Endurance a partir de 2014, quando o regulamento da categoria sofrerá algumas mudanças. Melhor para nós que temos uma etapa no Brasil.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva

 

 

 

 

 

Last Updated ( Friday, 14 June 2013 11:43 )