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É preciso assumir responsabilidades PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Friday, 07 June 2013 01:32

Caros amigos, há duas semanas escrevi esta coluna sobre a necessidade de uma profissionalização da gestão da Confederação Brasileira de Automobilismo. Parecia que eu estava antevendo os problemas que surgiriam no último final de semana.

 

A Stock Car teve sérios problemas para conseguir realizar a sua etapa devido aos problemas encontrados nas zebras das curvas 1 e 4, reformadas depois da etapa do Campeonato Brasileiro de Marcas, que também é organizado pela VICAR.

 

As obras, recentes e sem acabamento adequado, tiveram duas partes em cimento trituradas com a passagem dos carros não apenas da Stock Car, mas também do Brasileiro de Turismo. Além de transformarem o cimento em perigosos pedregulhos – como aquele que voou no parabrisa do caminhão de Leandro Totti em Cascavel – uma grade de drenagem se desprendeu.

 

A paralisação dos treinos comprometeu toda a programação do final de semana, empurrando os treinos para outros horários, diminuindo o tempo de treinamentos livres, alterando o classificatório da nova categoria, o brasileiro de turismo, para a manhã do domingo.  Se algum dos 18 carros batesse nos treinos, dependendo to estrago, o grid ficaria ainda menor.

 

Os comissários desportivos, que são os homens que decidem o que deve ser feito em caso de problemas referentes às condições de pista, depois de avaliar as condições de segurança, determinaram que os pilotos não poderiam “atacar” as zebras nas curvas 1 e 4. Uma solução paliativa, mas que foi aceita por pilotos e pela organização da categoria até que um reparo fosse feito para a corrida no domingo, como assim o foi.

 

Durante a corrida, que teve vários acidentes, provocando a entrada do safety car por diversas vezes e que, com o último deles, acabou tendo a prova encerrada sob bandeira amarela. Um triste final de prova para um triste domingo de sol onde o público encheu as arquibancadas do sucateado autódromo internacional Nelson Piquet, com mais público do que qualquer time de futebol do Distrito Federal consegue levar aos seus jogos ao longo de todo o campeonato estadual.

 

Durante todo o final de semana, não faltaram protestos, “twitters” e declarações condenando as absurdas condições de realização do evento em Brasília. Nestas horas, só consigo lembrar do feroz miniatura pintcher da minha filha, que, de dentro do portão de casa, ameaça de morte todo e qualquer coisa ou pessoa que passa na calçada. Contudo, quando algum estranho ou visita passa para dentro de seus domínios, ele se apequena.

 

Sempre que vejo situações como esta e outras tantas que vi, lembro-me do GP da Espanha de F1 de 1975, que comprei anos atrás em um site especializado. Nele, diante das precárias condições de segurança, Emerson Fittipaldi, campeão do mundo do ano anterior, recusou-se a disputar a prova. Foi ameaçado por todos os lados. A Equipe McLaren sofreu uma ameaça de arresto de seu equipamento pela justiça espanhola caso se recusasse a participar da prova.

 

Emerson, que havia manifestado seu repúdio às condições de segurança do circuito à todos os pilotos, anunciou o que faria: Largou, completou uma volta, entrando nos boxes e abandonando a prova. Foi seguido por outros pilotos, como seu irmão, Wilson, já na Fittipaldi, e Arturo Merzario. Seu compatriota, José Carlos Pace, talvez não concordando com as colocações de Emerson ou até achando-as – talvez – alarmistas, continuou na prova...

 

E foi justamente com moco que, num acidente sério como o alemão Rolf Stommelen, o carro do alemão usou o guard rail como rampa (justamente um dos alertas do campeão) e voou sobre as arquibancadas. O saldo foi de oito mortes! Não consigo não questionar se não era o caso de todos os pilotos terem tomado uma atitude junto com Emerson Fittipaldi naquela prova. Talvez, se Jackie Stewart ainda estivesse correndo e se colocasse na mesma posição, ninguém teria sequer largado.

 

Não consigo não questionar se não era o caso dos pilotos se rebelarem como se rebelaram anos atrás em Ribeirão Preto. Não consigo não questionar se os comissários desportivos teriam coragem para enfrentar os interesses de um promotor de categoria como a VICAR e declarar que um autódromo não tem condições de realizar uma corrida com as mínimas condições de segurança e/ou estruturais.

 

O presidente da CBA gosta de repetir que não tem poder de polícia. Realmente, ele não tem. Mas tem o poder de exigir do Conselho Técnico Desportivo Nacional que seja o mais rigoroso possível nas inspeções aos autódromos para que estes, caso queiram receber corridas, sejam corretamente reformados, atualizados e conservados.

 

Examinemos quem são os proprietários dos autódromos do país: Os governos estaduais são os donos dos autódromos de Brasília, Eusébio e Goiânia. Os governos municipais são proprietários dos autódromos de Santa Cruz do Sul, Guaporé, Cascavel, Londrina, São Paulo e Caruaru. Autódromos privados temos o de Tarumã, o Velopark e o de Curitiba.

 

Nenhum deles é de propriedade de qualquer federação ou da CBA. Receber uma verba municipal, estadual ou federal para transformar nossos autódromos em autódromos de primeira linha, e quando falo isso não é transformar um autódromo em um local para receber a F1, falo em ser um bom FIA 2 ou FIA 3, certamente custaria menos de 10% do que está sendo gasto nos estádios que sediarão a copa do mundo e que depois, pelo menos metade deles, ficarão às moscas, uma vez que o futebol nestes estados leva públicos pífios aos seus campeonatos.

 

Mas o pior ainda estaria por vir. Na segunda-feira, após a desastrada corrida da capital federal, um acidente fatal em uma corrida de kart clandestina na cidade de Carpina, distante 50 Km da capital, Recife.

 

O presidente da FPA, Waldner Bernardo, conhecido como ‘Dadai’, disse, na segunda-feira – e continua insistindo – que não tinha conhecimento da corrida e que só ficou sabendo da morte do piloto por meio da imprensa. O dirigente afirmou que, se não tivesse ocorrido o acidente e a morte do piloto, ninguém teria conhecimento do acontecido.

 

Logo apareceram pessoas para dizer que a FPA tinha conhecimento, sim, da prova, mas que preferia fazer vistas grossas e que pilotos que disseram ter intenção de participar haviam sido punidos. O Presidente da federação rebateu as denúncias intimando estas pessoas a provar tais fatos e apresentando as tais punições, que seriam por escrito e não verbais.

 

Segundo a nota oficial da federação pernambucana de automobilismo, ainda na segunda-feira, a mesma informa que desconhecia a realização da prova, o que causa muita estranheza da minha parte. Afinal, em um mundo tão conectado, um evento como este, que tomava as ruas da cidade, certamente estava fartamente noticiado no meio. Seria praticamente impossível um piloto federado não ter conhecimento desta prova e procurar a federação para participar da mesma.

 

No decorrer da semana, a Federação Pernambucana analisou vídeos e fotos e identificou três pilotos filiados e um outro federado da Paraíba que participaram da ‘corrida pirata’. Segundo nota da FPA, foram postadas notificações, via AR, para todos, com a suspensão da carteira. A federação também solicitou que o delegado da cidade preste depoimento para então entrar com uma representação jurídica, além de notificar a Secretaria de Esportes do estado para que informem a todos os municípios que não realizem num evento automobilístico sem seu aval.

 

Ainda há muito o que se apurar no caso de Carpina sobre responsabilidades, seja da prefeitura, seja do organizador do evento não oficial, seja da FPA. No caso do autódromo de Brasília, que agora, depois dos ocorridos na etapa do domingo passado, está interditado pela CBA e só poderá voltar a receber provas após uma verdadeira reforma, além da divulgação de que a FADF estaria “desfiliada” da CBA.

 

Senhores que dirigem, promovem e fazem o automobilismo, é preciso assumir responsabilidades!

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Muita gente que viu a corrida da F. Indy no acidentado (de pancadas e de irregularidade da pista) GP de Detroit deve ter notado que o carro que liderou boa parte da rodada dupla – uma corrida no sábado e outra no domingo – e que venceu no sábado (foi 3º no domingo) era o carro usado pela brasileira Bia Figueiredo na equipe Dale Coyne, só que, neste caso, pilotado pelo inglês Mike Conway, que foi campeão inglês de F3 em 2006. A Band “encobriu” o fato de que era o mesmo carro, que era a mesma equipe... mas quem assiste corridas sabe quem é quem então, isso ficou na conta do fiasco!

 

O excelente resultado de Conway pode trazer péssimas consequências para a piloto brasileira. Afinal, certamente o feito do inglês vai chegar aos ouvidos deles e não é possível que ninguém vá questionar se é mesmo o caso de se investir em um piloto que não vai levar o carro para as disputas e ter a marca exibida por andar no fundo do pelotão.

 

O pior é que algo do gênero aconteceu no ano passado. Quando Bia Figueiredo quebrou a mão em St. Petersburgo e não pode correr a prova seguinte, foi substituída na equipe pelo francês Simon Pagenaut. O francês andou bem e terminou em 8º.

 

Bia Figueiredo já mostrou ter talento, ter carisma, ter torcida... mas para andar bem numa categoria de ponta talvez seja preciso mais que isso. Repensar o futuro deve ser tratado como prioridade.

 

A questão do complicado e polêmico teste dos pneus com os carros da Mercedes em Barcelona chegou a ter como possibilidade o arrolamento da Ferrari por parte da FIA.

 

No intervalo de três semanas entre o GP do Bahrein e o GP da Espanha, uma Ferrari F150 de 2011 foi usada em um teste de pneus na pista catalã em uma atividade conduzida pela equipe cliente da escuderia de Maranello, não a de competição. Segundo a revista inglesa ‘Autosport’, a própria fornecedora de pneus foi quem pagou pelo treinamento.

 

O leitor em geral – e o ferrarista em particular – pode dizer: a Mercedes andou com o W04, carro de 2013, e a Ferrari não. Contudo, o carro de 2011 ainda estaria incluído no ‘pacote’ de carros atualizações que não poderiam ser usadas. O regulamento esportivo do Mundial de F1 fala em carros “que estejam substancialmente nos conformes do atual regulamento técnico além daqueles dos anos anterior e subsequente

 

“A FIA pediu que a Mercedes e a Ferrari, que participaram dos testes de pneus na temporada 2013, para responder ao inquérito disciplinar nos termos das normas judiciais e disciplinares da FIA. Isso segue o Relatório dos Comissários do GP de Mônaco e representa informações complementares exigidas pela FIA à luz das respostas recebidas da Pirelli, que foi convidada a prestar esclarecimentos na terça-feira, 28 de maio,” diz o texto divulgado pela entidade.

 

A Mercedes será obrigada a encarar o Tribunal Internacional por causa do teste secreto, realizado no último mês em Barcelona. A FIA anunciou ter analisado o relatório feito pelos comissários de prova de Mônaco – onde o protesto original foi feito – além das explicações das equipes envolvidas para definir que pode ter havido uma quebra do regulamento desportivo de 2013, já que a equipe alemã treinou com o carro deste ano.

 

A entidade FIA decidiu, também, que a Ferrari não burlou as regras, já que usou o equipamento de 2011, e por isso a escuderia italiana está livre. “A FIA decidiu encerrar o caso sobre a Ferrari considerando que a participação em um teste de pneu organizado pela Pirelli, em Barcelona, nos dias 23 e 24 de abril, usando o carro de 2011, não é uma contravenção às regras da FIA”, disse o comunicado.

 

Para a gente ver que não é só no Brasil que se faz coisas que são, que não são, que podem ser... com o caso da Mercedes indo para o Tribunal Internacional, o julgamento deve começar em aproximadamente 45 dias, já que pelas regras do tribunal a acusação tem 15 dias para entregar um relatório, enquanto a defesa terá o mesmo prazo na sequência. A acusação, por sua vez, terá mais 15 dias para a réplica. O Tribunal Internacional, no entanto, pode aumentar ou diminuir esse prazo se entender que há necessidade.

 

Já pensou se a Mercedes é punida e, inconformada, decide deixar a categoria?

 

Melhor – ou pior – que essa é que a próxima etapa do mundial de F1 não terá a corrida transmitida ao vivo pela televisão. Nem na TV aberta, nem em um dos três canais da emissora por assinatura. Tudo isso por conta do amistoso da seleção brasileira contra a França, marcado para às 16:00 horas (a corrida terá a largada às 15:00 horas, horário de Brasília).

 

No ano passado, a emissora atentou para o detalhe e, junto à CBF, atrasou a rodada do campeonato brasileiro em 1 hora. Porque não fizeram isso novamente? Sobrou incompetência ou sobrou desinteresse?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva