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A borracha que não vai apagar PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 30 May 2013 17:03

Caros amigos, certamente alguém estranhou ver a minha coluna sendo publicada na sexta-feira. Acontece que estamos fazendo algumas mudanças no site e este será meu novo dia. Passaremos a ter três colunas semanais, com a Maria da Graça e o Antônio de Pádua passando a ter cada um a sua própria coluna. Espero que gostem.

 

A corrida da Fórmula Indy, para nós, brasileiros, foi maravilhosa, apesar da televisão não transmitir a festa. Contudo, a corrida de Mônaco além de ter sido surpreendente pelo arrojo de alguns pilotos que ‘inventaram’ pontos de ultrapassagem onde – pelo menos na televisão – não me lembro de ter visto ultrapassagens em disputa por posição, digamos, relevante, vejo-me forçado a voltar a falar sobre a polêmica do teste ‘secreto’ da Pirelli com os carros da Mercedes.

 

A bomba explodiu na manhã do domingo: Todos ficaram sabendo que a Pirelli, fabricante de pneus e fornecedora única da Fórmula 1, realizou três dias de testes com os carros da equipe Mercedes após a corrida em Barcelona. A grande celeuma foi que os carros utilizados foram os WS 04, os carros desta temporada! Em um grande trabalho de jornalismo investigativo, a publicação britânica ‘Autosport’, o trecho percorrido foi de cerca de 1000 km. 

 

O regulamento da Fórmula 1 – já há alguns anos – proíbe os testes privados, com a justificativa de se conter a alta de custos da categoria. As exceções são para sessões de filmagem, mas neste caso as equipes são obrigadas a usar uma especificação de pneus bastante distinta e que não é utilizada nos finais de semana de corrida e carros que não são o modelo em uso na temporada. A Ferrari, por exemplo, realizou um treino semelhante após o GP do Bahrein, mas usando o carro de 2010.

 

Segundo a ‘Autosport’, os testes com a Mercedes foram requisitados pela própria Pirelli no sentido de ajudar a fornecedora a entender os problemas causados pelo excessivo desgaste dos pneus no GP da Espanha e nas últimas corridas. Segundo fontes da escuderia de Brackley, o teste foi adiante porque a Pirelli alega que a sessão foi promovida para ajudar no desenvolvimento dos seus produtos, no caso, visando 2014.

 

O protesto das outras equipes é válido e lógico: porque com apenas uma equipe e não com mais de uma... ou com todas? O fato é que boa parte das equipes ficou insatisfeita com a situação e promete levar o caso às mais altas esferas da FIA. Representantes de algumas equipes do grid se reuniram com a FIA antes do GP de Mônaco e demonstraram sua insatisfação. A Red Bull – surpresos? – foi que ‘bateu mais forte’, vociferando contra a Pirelli, dizendo que a fabricante italiana não agiu de forma transparente.

 

Paul Hembery, diretor-esportivo da Pirelli, defende a sua empresa – e por tabela a Mercedes – afirmando que a equipe prateada não foi beneficiada pela sessão após o GP da Espanha. Segundo ele, 90% do que foi testado é para o ano de 2014 (como assim se o contrato nem foi assinado e a Pirelli andou dizendo que não renovaria?) e que este teste já foi feito com outra equipe e que foi pedido para fazer com uma outra... quem teriam sido estas equipes? Ninguém falou nada.

 

Ao longo desta semana, aos protestos subiram de tom. Stefano Domenicali, o diretor da Ferrari declarou à agência ‘Associated Press’ que todos podem esperar uma sanção desportiva, apesar de não ter ficado realmente claro o efeito que isso teve no fim de semana da corrida e nos que virão, podendo as consequências serem ainda maiores uma vez que não há um precedente como o que ocorreu.

 

Quem também colocou a boca no trombone, defendendo – como sempre, com unhas e dentes – os interesses da Red Bull, Helmut Marko, viajou na maionese e comparou o ocorrido com o escandaloso  caso de espionagem de 2007, que envolveu McLaren e Ferrari (na época, a FIA considerou a exclusão da McLaren, mas optou por excluir a equipe do Mundial de Construtores e aplicou uma multa de US$ 100 milhões... que há sérias dúvidas de como e por quanto deu-se o pagamento). Segundo Marko, “Vai ter uma audiência, apesar de eu não saber quando e onde”, declarou ao jornal alemão ‘Bild’. 

 

Helmut Marko foi mais além, afirmando que o teste feito em Barcelona não só foi benéfico para o GP de Mônaco, mas também para a etapa do Canadá, quando a Pirelli introduziria novos compostos (a fornecedora anunciou que os novos pneus só estrearão no GP da Inglaterra). Para Marko , “Um teste como este é uma vantagem ainda maior se é imediatamente após a corrida, porque você tem todos os dados comparativos, então pode fazer melhoras bastante decisivas. Até então, os pneus tinham um cinturão de aço, mas agora será de kevlar, que é o pneu que foi testado.”

 

Nesta hora o ‘garganta de plantão’ morde a língua, pois esta mudança, que ocorreu entre as temporadas do ano passado para este ano, prejudicou sensivelmente a Red Bull e o retorno da cinta de Kevlar, provavelmente devolverá para a equipe austríaca a competitividade perdida. Esse sujeito é um artista mesmo!

 

Depois de ouvir a Ferrari, Red Bull, Pirelli e Mercedes, comissários do GP de Mônaco encaminharam um relatório sobre o teste realizado pela fornecedora de pneus com a equipe de Brackley para o Tribunal Internacional da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) de acordo com um comunicado oficial da entidade.

 

De acordo com a entidade, o teste realizado em Barcelona só é passível de punição se foi coordenado pela Mercedes e se a Pirelli não ofereceu às demais escuderias da F1 a mesma oportunidade. Dentro do contrato que a Pirelli tem com a FIA como fornecedora única, há a previsão para que eles completem 1000 km de teste com qualquer time – desde que ofereçam para todos os times a chance de fazê-lo. E segundo o diretor da Pirelli, Paul Hembery, o teste foi solicitado a todas as equipes e quem primeiro se apresentou para fazê-lo foi a Mercedes. O problema é que as equipes andaram negando ter recebido o tal convite.

 

Tecnicamente falando, grande problema da Pirelli é que, para fazer o trabalho de estudo e desenvolvimento dos pneus que equipam os carros da Fórmula 1 de hoje, ela usa um modelo Toyota do ano de despedida (2009) da equipe nipônica da categoria. Com a evolução dos carros, é lógico que os resultados – na prática – são sentidos apenas quando as equipes vão para pista em fevereiro.

 

Uma coisa parece estar definida: em havendo um julgamento no tribunal internacional da FIA, o resultado do GP de Mônaco não corre grandes riscos de ser alterado. Contudo, essa discussão ainda vai longe. Aguardemos o desenrolar!

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

A última terça-feira foi de automobilismo nos estúdios de dois dos canais de esportes da TV por assinatura: o ESPN Brasil fez o seu programa “Bola da Vez” com Nelsinho Piquet (este eu vi no horário que passou) e o “Linha de Chegada”, do Sportv recebeu Carlos Montagner e Arnaldo Cezar Coelho (que eu só assisti no feriado porque não sou nenhum desocupado para ficar na frente da televisão no meio da semana no meio da madrugada). Para não estragar o prazer de quem não viu, procurem ver nas referidas programações as reprises e/ou no you tube. Vale a pena assistir.

 

Os Nobres do Grid tem agora voto no Conselho Mundial da FIA! Emerson Fittipaldi, como Presidente da Comissão de Pilotos, o brasileiro terá direito a assento e voto nas reuniões do Conselho Mundial da FIA. A entidade foi recentemente reconhecida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), que requer a participação de uma representatividade direta dos atletas no conselho de cada órgão afiliado. Para nós, brasileiros, uma honra. Fica apenas a pergunta: será que Jean Todt quer incluir alguma modalidade de automobilismo nos jogos olímpicos no futuro? O prefeito do Rio escapou desta...

 

Não vou deixar de confessar que estou curioso para assistir e a etapa do novo campeonato da VICAR. O “Brasileiro de Turismo”. O carro é bonito, mas a temporada é salgada! Segundo informações recebidas, 550 mil reais para alinhar. Talvez isso, unida à demora na fabricação dos carros e no início da temporada tenha feito o grid encolher. São 17 pilotos confirmados e um “asterisco”. Em Brasília, devem largar 18, vamos ver para o restante do campeonato.

 

O pessoal aqui da corretora que tem perfil no Facebook me cercou esta semana por conta de uma foto do Kamui Kobayashi ao lado de uma Ferrari, devidamente vestido com o macacão dos pilotos da equipe. “Já demitiram o Massa?” “O ‘Zacarias’ dançou?” “É pra próxima corrida ou pra 2014?”

 

Nada disso (a princípio). Segundo a assessoria de imprensa da equipe, o Japonês vai fazer um evento promocional  na Russia e o carro é o modelo de 2010. Em todo caso, no lugar do ‘Macarroni’, eu ficava de olho na fervura para a massa não desandar!

 

Por falar em desandar, quem parece ser do time do ‘anda e desanda’ é a justiça alemã (será que eles importaram o modelo brasileiro?). O caso do processo sobre o suborno do banqueiro Gerhard Gribkowsky na venda das ações da fórmula 1 em que o nosso amado bom velhinho está sendo acusado deve ter mais um capítulo em junho. Segundo o porta-voz da justiça alemã, a decisão do tribunal de Munique será anunciada. Agora, se isso vai implicar em xilindró para ele...

 

E falando nele, não custa dar uma alfinetada: Quem viu a corrida de domingo passado, viu o estrago que a batida do Maldonado causou, arrancando a proteção do gruard rail, bloqueando a pista e causando a paralisação da prova. Alguém viu ou ouviu alguma crítica por parte de Bernie Ecclestone? Agora imaginem uma cena dessas, na descida do ‘S’ do Senna, com um monte de pneus rolando pra dentro da pista e bloqueando a passagem dos carros?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva