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Por uma CBA mais profissional PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Sunday, 26 May 2013 22:49

Caros amigos, há anos acompanhando o automobilismo brasileiro, como fã de corridas e leitor assíduo de seu noticiário, seja pelos veículos oficiais de divulgação, seja pelos principais veículos de mídia, seja por alguns excelentes blogs existentes no país.

 

Há anos, deste os tempos do goiano Reginaldo Bufaiçal, passando pelo paulista Paulo Scaglione e agora, no segundo mandato do pernambucano Cleyton Pinteiro, críticas à gestão, as decisões – tanto técnicas quanto políticas – foram uma constante, com mais ou menos frequência, com maior ou menor intensidade.

 

Falando sobre gestão, a CBA tem um processo ‘pseudodemocrático’ para a eleição de seu presidente: o voto unitário, onde cada federação tem direito a um voto, coloca o mesmo peso e importância para estados como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul – onde estão concentrados 9 dos 14 autódromos homologados pela confederação para competições nacionais, incluindo o Velocittá e o de Santa Luzia – com federações que nem chegam a 100 pilotos regularizados, somadas todas as categorias, dos kartistas aos ‘jipeiros’.

 

Pela atual forma de votação e eleição, o sistema pode acabar gerando injustiças com a maioria dos pilotos, chefes de equipe e mecânicos, que são os verdadeiros representados – ou ao menos deveriam ser vistos como tal – em favor de minorias. Gestão de automobilismo tem que ser séria e responsável, sendo ela profissional ou não. Nós fazemos um site de automobilismo de forma voluntária e não remunerada e todos levam o trabalho a sério.

 

Nestas horas eu pergunto, baseado na informação que recebi direto do Anhembi, durante a etapa brasileira da Fórmula Indy: O que o Sr. Carlos Rodrigues de Deus, presidente da Federação Gaúcha de Automobilismo estava fazendo no Anhembi enquanto, em Curitiba, acontecia uma etapa do Brasileiro de Arrancada, sendo ele o presidente da comissão nacional da modalidade? Não tem como dizer que ele não foi passear!

 

Independente do que se foi feito no passado e do que pode ser feito no futuro a realidade é esta e, há poucas semanas, a Confederação Brasileira de Automobilismo publicou o seu demonstrativo financeiro referente ao ano de 2012. O mesmo está acessível à qualquer interessado que entrar no site da CBA (http://www.cba.org.br/site/). Neste, aparece um lucro de quase 71 mil reais (R$ 70.932,08 para ser exato), resultado do balanço entre receitas (R$ 6.774.053,03) e despesas (R$ 6.668.123,27).

 

Há que se salientar que, qualquer administração que é, ou ao menos tenta se mostrar transparente, apresenta seus resultados financeiros ano a ano. Quantas vezes o amigo leitor já não viu balanços de bancos – mesmo privados – empresas de capital misto ou que possuem grande divisão acionária publicar seus demonstrativos em jornais de circulação nacional? Se bem que é raro encontrarmos alguém que um dia tenha parado para ler aquilo...

 

Quem tiver a curiosidade – e a paciência – de abrir e ler a prestação de contas, verá uma detalhada descrição do que foi arrecadado e como, além do que foi gasto/aplicado ao longo do ano. É uma prestação de contas como outra qualquer e o fato de ter no seu final um resultado positivo é algo que o sorridente presidente, Cleyton Pinteiro, pode sorrir mais ainda com a possível falta de argumento – ao menos na questão financeira – contra a sua gestão.

 

Por curiosidade, fui no site da FIA procurar a prestação de contas da gestão Jean Todt no ano passado – ou em qualquer ano de qualquer presidente – e não achei... Será que só fazem isso no Brasil? Não. Prestar contas é algo comum em qualquer lugar do mundo. Se a FIA não faz e ninguém até hoje reclamou, talvez a CBA devesse cobrar deles como afiliada...

 

Apesar de termos este demonstrativo financeiro na página do site, isso não quer dizer que a administração da CBA seja um exemplo de eficiência, profissionalismo e até mesmo de transparência. O que não faltam são críticas, algumas exageradas, mas a quantidade – e o tom de algumas – são duras.

 

Profissionalizar a gestão de uma entidade esportiva não é um exemplo distante ou algo inexequível. Um exemplo, inicialmente ruim, resultou em um caso que poderia ser uma referência para a CBA. Nos anos 90, o governo Menem, na Argentina, interviu na Associação Argentina de Volantes, onde o automobilismo e a ação governamental andam muito próximas.

 

O governo nomeou um interventor para reorganizar a associação e sanear suas contas. Feito isso, o governo devolveu a gestão da mesma aos seus dirigentes... que contrataram o interventor para, profissionalmente, continuar a gerir a associação!

 

Aqui no Brasil, o governo – não duvido – ignora o que é a realidade do automobilismo. Talvez saibam o que é Fórmula 1, Ayrton Senna, blá blá blá. Realidade, não. Portanto, uma intervenção nem teria como ocorrer, mesmo porque, a gestão da CBA não requer um ato extremo como este. Mas não seria algo a se pensar e se ter um “Gerente” para mudar o foco de visão – e ação – da confederação?

 

Carlos Col – apenas para citar um exemplo – elevou a Stock Car a um platamar de referência. A Fórmula Truck, criada por Aurélio Batista Felix e hoje gerida por D. Neusa Felix e um ótimo staff, a Porsche Cup, sob a gestão de Dener Pires, que reúne mais de 40 pilotos e que leva seus carros para Portugal (e neste ano, Espanha) mostram que são capazes de promover fórmulas de sucesso.

 

A FIA não organiza nenhum campeonato ou categoria, ela gere o funcionamento dos mesmos, coordenando o cumprimento de regulamentos técnicos e desportivos, harmonizando calendários e interesses e trabalhando programas como o desenvolvimento de novas tecnologias, segurança no trânsito...

 

Aqui no Brasil ainda há muito o que se fazer em termos internos do automobilismo antes de se fazer algo mais amplo. Contudo, uma atuação mais profissional – e política – seria muito bem vinda. Assim como outros esportes conseguem ter uma penetração – e retorno – no meio político, isso falta ao automobilismo e nesta hora, volto a mirar no modelo argentino, onde as montadoras lá instaladas são obrigadas por lei a destinar 2% de seu faturamento para o investimento no esporte a motor. Dá para imaginar se aqui no Brasil, com o volume de negócios da indústria automotiva nacional, tivéssemos 1%?

 

É preciso agir... e o tempo urge!

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Em um final de semana de corridas tradicionalíssimas – GP de Mônaco na Fórmula 1 e 500 Milhas de Indianápolis nos Estados Unidos – atire a primeira pedra aquele que não passou o domingo na frente da televisão.

 

Se o ‘trenzinho vagaroso’ puxado pela Mercedes podia ter deixado a corrida chata, aqueles pilotos que ‘fogem do convencional’ convencional como o Sergio Perez (que usou da descida do túnel para deixar o Jenson Button com cara de bobo e o Fernando Alonso furioso, mas que no fim, fez bobagem e estragou sua corrida e a do Kimi Raikkonen) e Adrian Sutil, que fez dois de bobo na curva da antiga Gare Marítima (o terminal portuário) trataram de deixar todo mundo ligado.

 

Já em Indianápolis, não tem essa de trenzinho... até tem, mas muito mais rápido e com muitas trocas de locomotiva. Foi uma corrida simplesmente alucinante, com poucas bandeiras amarelas e as úlimas 70 voltas em que não deu nem pra piscar diante da tela!

 

Numa destas coisas do destino (alguém tem outra explicação?), as lágrimas de tristeza e angústia de Tony Kanaan se transformaram em lágrimas de alegria. Nas duas bandeiras amarelas que ocorreram nas 10 voltas finais, duas sensacionais relargadas garantiram a sua primeira vitória em Indianápolis, com 3 carros da antiga equipe – a Andretti – que não o manteve por falta de patrocínio e que eram os carros favoritos à vitória tendo que ver a festa do baiano. Dava pra escrever a coluna só sobre a corrida, mas isso é assunto para os Focas.

 

Independente do resultado da corrida de Mônaco, o grande fato em discussão foi o teste que a Mercedes fez, com o carro deste ano, a pedido da Pirelli, uma bateria de três dias de testes secretos e focados nos pneus no circuito de Barcelona, pouco depois do GP da Espanha. Segundo a revista britânica ‘Autosport’, o trecho percorrido foi de cerca de 1000 km. 

 

O regulamento da Fórmula 1 – já há alguns anos – proíbe os testes privados, com a justificativa de se conter a alta de custos da categoria. As exceções são para sessões de filmagem, mas neste caso as equipes são obrigadas a usar uma especificação de pneus bastante distinta e que não é utilizada nos finais de semana de corrida e carros que não são o modelo em uso na temporada. A Ferrari, por exemplo, realizou um treino semelhante após o GP do Bahrein, mas usando o carro de 2010.

 

Segundo a ‘Autosport’, os testes com a Mercedes foram requisitados pela própria Pirelli no sentido de ajudar a fornecedora a entender os problemas causados pelo excessivo desgaste dos pneus no GP da Espanha e nas últimas corridas. Segundo fontes da escuderia de Brackley, o teste foi adiante porque a Pirelli alega que a sessão foi promovida para ajudar no desenvolvimento dos seus produtos, no caso, visando 2014.

 

O protesto das outras equipes é válido e lógico: porque com apenas uma equipe e não com mais de uma... ou com todas? O fato é que boa parte das equipes ficou insatisfeita com a situação e promete levar o caso às mais altas esferas da FIA. Representantes de algumas equipes do grid se reuniram com a FIA antes do GP de Mônaco e demonstraram sua insatisfação. A Red Bull – surpresos? – foi que ‘bateu mais forte’, vociferando contra a Pirelli, dizendo que a fabricante italiana não agiu de forma transparente.

 

Paul Hembery, diretor-esportivo da Pirelli, defende a sua empresa – e por tabela a Mercedes – afirmando que a equipe prateada não foi beneficiada pela sessão após o GP da Espanha. Segundo ele, 90% do que foi testado é para o ano de 2014 (como assim se o contrato nem foi assinado e a Pirelli andou dizendo que não renovaria?) e que este teste já foi feito com outra equipe e que foi pedido para fazer com uma outra... quem teriam sido estas equipes? Ninguém falou nada.

 

Isso ainda vai dar muita discussão. Haja café!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva 

 

 

 

Last Updated ( Monday, 27 May 2013 00:31 )