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Um duro ajuste de engrenagens PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 20 May 2013 00:20

Caros amigos, um problema que pode vir a ter consideráveis proporções está se avizinhando do circo da Fórmula 1.

 

Todos tem visto e ouvido, há pelo menos uma década – para deixar no barato – donos de equipes, donos de montadoras que tem equipes, donos de montadoras que tiveram equipes, ex-donos de equipes, crônica esportiva pelo globo a fora falando em baixar os custos da categoria e que este problema poderia levar ao esvaziamento do grid.

 

Três anos – quatro se levarmos em conta o ‘processo de gestação’ – atrás, o grid, que estaria fadado a ter apenas 18 carros para a temporada de 2011, recebeu as três chamadas ‘nanicas’, Virgin (hoje Marussia), a Lotus (hoje Caterham) e a Hispania (hoje uma triste estória), além do embuste da USF1. Das quatro, restam duas... e sabe-se lá até quando.

 

A questão – que foi uma briga de Max Mosley, que um dia foi amigão do peito do bom velhinho e que, no final dos seus dias à frente da FIA era tratado com a frieza de um poste – era encontrar um meio de fazer uma Fórmula 1 mais barata e acessível, como nos tempos dos ‘garageiros’, que um dia ambos foram. Só que a ideia não foi pra frente.

 

Construir carros não é o único investimento de grande porte que as equipes de Fórmula 1 fazem. O outro é o motor e este é que está sendo ‘o motor’ do problema que vem em contagem regressiva – como uma bomba relógio – aproximando-se da abertura da temporada de 2014.

 

A FIA decidiu, há alguns anos, dentro dos seus programas, um deles o de preservação do meio ambiente com a redução das emissões de carbono provenientes de treinos e corridas, adotar um “motor padronizado” para todas as suas competições. Este motor seria um motor de 1.6 Litros, quatro cilindros, dotado de turbo compressor e que, dependendo da categoria, teria mais capacidade de compressão ou não, gerando mais ou menos potência.

 

A revolta na Fórmula 1, puxada pelo bom velhinho foi geral! Como a FIA, presidida por Jean Todt, com quem Bernie Ecclestone teve sérios embate no tempo em que este era funcionário da Ferrari, não cedeu em seus propósitos, uma “solução conciliadora” foi adotada para a principal categoria do automobilismo mundial: o motor dos Fórmula 1 teriam os mesmos 1.6 Litros, turbo, mas com seis ao invés de quatro cilindros!

 

Com a data de estreia estipulada para 2014, as fabricantes de motores tiveram tempo para estudar, construir e aperfeiçoar suas novas ‘usinas de força’, além de a FIA ter deixado aberta a possibilidade de qualquer construtor produzir unidades e vendê-las para as equipes que se interessassem.

 

Atualmente quatro construtores fornecem os motores V8, aspirados de 2.4 Litros para as equipes: a Renault (para Red Bull, ‘Nega Genii’, Caterham e Williams), a Ferrari (para ela mesma, Sauber e Toro Rosso), a Mercedes (para ela mesma, McLaren e Force Índia) e a Cosworth (para a Marussia).

 

A Cosworth, que um dia equipou a grande maioria dos carros da Fórmula 1, antes da primeira era turbo, parece estar com os dias contados na categoria. Ela, que estava no ostracismo e foi ‘resgatada no pacote de Max Mosley’, nunca levou adiante a ideia de fazer um motor turbo e não deu mostras até hoje de que entrará nesta corrida tecnológica, deixando a disputa pelo valioso mercado de motores entre as três fabricantes (aos quais a Honda irá se juntar em 2015).

 

Como todo investimento tecnológico está atrelado ao investimento financeiro, concluído o produto final, é hora de buscar se recuperar o investimento através da comercialização do produto... e é aí que a coisa complica! O tal do novo motor vai pesar no orçamento de quem tiver que pagar por ele e, neste caso, apenas a Mercedes e a Ferrari não terão que arcar – diretamente – com o custo.

 

Segundo o diário alemão ‘Bild’, sete das 11 equipes do grid não podem pagar pelos novos propulsores turbo, deixando a categoria em estado de alerta. Tudo por conta de uma regra válida também a partir do ano que vem, que desobriga as montadoras a venderem seus motores por um valor-limite, estipulado em cerca de 6 milhões de euros.

 

Quem quiser continuar cliente da Renault, como Williams, Caterham são hoje, além da ex-vinculada ‘Nega Genii’ vai ter que pagar praticamente o quádruplo disso, uma vez que a montadora francesa ‘tabelou’ seus propulsores em 23 milhões de euros segundo a reportagem. A Toro Rosso, que é o time B da Red Bull e que no início do ano pretendia adorar os mesmos motores do time A parece ter começado a repensar a vida. Tal quantia para quatro carros é muito dinheiro, para o conglomerado austríaco.

 

Tricampeã da categoria, a Renault mandou o preço de seus motores nas alturas. 23 milhões de euro por unidade.

 

Os motores da Mercedes seriam um pouquinho menos caros, estando na faixa entre 18 a 20 milhões de euros. A McLaren, enquanto não tem os motores japoneses da Honda, vão ter que arcar com a conta (que deve ser repassada para o novo ‘patrocinador master da equipe’ a telefônica Claro). Quem vai ter que se virar é Vijay Mallya, dono da Force Índia, pra conseguir este dinheiro todo.

 

Os mais ‘baratinhos’ são os da Ferrari, estimados na casa dos 15 milhões de euros, e que devem equipar a Marussia no ano que vem (se esta sobreviver).

 

Como cada carro pode usar até 8 motores, sem sofrer penalizações e que este número pode ultrapassar esta casa, vamos fazer uma conta: cada equipe vai comprar, no mínimo, 16 motores, ou seja, quem usar motores Renault terão que desembolsar pelo menos 368 milhões de euros, Em torno dos 300 para os Mercedes e 240 parra os Ferrari. Sendo assim, a princípio apenas quatro equipes teriam motores para a temporada de 2014. Ferrari e Mercedes por construírem seus motores, a Red Bull pela força econômica e a McLaren não apenas por este motivo, mas pelo contrato que tem com a Mercedes, que vai até o final de 2014.

 

O valor do motor Mercedes não ficou bem definido na matéria do 'Bild', mas estima-se entre 18 e 20 milhões de euros.

 

Ou se encontra uma saída para este problema de números impressionantes ou a temporada de 2014 pode até estar em risco! Exagero meu? Talvez, mas caso Bernie Ecclestone não faça algo – e acho pouco provável que ele não faça – o armagedon se abaterá.

 

Uma das possíveis soluções poderia ser uma outra fornecedora. Quando foi anunciada a mudança das regras, em 2011, o empresário Craig Pollock, que foi o sócio de Jacques Villeneuve na BAR, reuniu um grupo de investidores e engenheiros e criou a PURE com o objetivo de produzir e fornecer motores para as equipes que não quisessem – ou não pudessem? – usar os motores das grandes montadoras.

 

Pollock foi uma figura polêmica em sua passagem junto ao campeão Villeneuve no paddock e fez mais desafetos do que amigos. Contudo, como negócios são negócios, “coisinhas pequenas” costumam ser “esquecidas” (Flavio Briatore que o diga).

 

Entre os motores turbo do ano que vem, o Ferrari é, a princípio, o "menos caro".

 

Só que, aquela que parecia ser a primeira fornecedora a produzir um motor, “emperrou”. No início de 2012, Pollock chegou a declarar que os motores da PURE podiam já estar equipando carros para esta temporada. Contudo, seis meses depois, a empresa parou seu trabalho de desenvolvimento por falta de recursos. Isso faz um ano!

 

Segundo a “versão oficial”, o conflito está na obtenção do chamado “financiamento ponte”, procedimento usado para antecipar a captação de recursos que já estão programados para serem obtidos em um futuro próximo.

 

“A situação é muito simples: o investidor tem sede nos Estados Unidos, mas o financiamento ponte deve vir da Europa e as autoridades suíças insistem nisso, por conta da situação dos impostos”, explicou Pollock ao site inglês “Autosport”.

 

O motor da PURE poderia ser uma alternativa, mas o projeto empacou por falta de dinheiro. 

Mas o problema parece ser maior que isso e a empresa que foi criada com todo o aval do presidente da FIA, Jean Todt comunicou recentemente a suspensão de suas atividades “por tempo indeterminado”. O diretor técnico da marca, Gilles Simon, enviou uma carta aos fornecedores da PURE, na qual se desculpou pela situação e disse que não há prazo para uma resolução definitiva: “Aviso aos meus colegas da fábrica de Colônia que fomos obrigados a suspender as atividades. Os fundos que esperávamos de nossos investidores não estão disponíveis e isso não nos permitirá começar o projeto da forma correta. Esperamos que a situação se normalize rapidamente. Um ano se passou e a PURE não voltou a funcionar.

 

O outro fornecedor de motores tem uma larga tradição. A Honda assinou com a McLaren um contrato para voltar a fornecer motores em 2015 e, ao menos no imaginário dos fãs – e por que não dos dirigentes da equipe – de reeditar a vitoriosa parceria do final dos anos 80 e início dos anos 90.

 

Takanobu Ito, presidente mundial da Honda, comemorou a volta de uma das uniões mais bem-sucedidas da F1 e em seu pronunciamento na cerimônia de assinatura do contrato declarou que “a F1 está prestes a introduzir novos regulamentos, que exigem um motor mais reduzido com um turbocompressor e sistemas de reaproveitamento de energia, o que se encaixa melhor com as tecnologias ambientais para os veículos de produção em massa. Como resultado, mais do que nunca, podemos esperar mais feedback dos carros de corrida nos veículos de produção em série e algum feedback dos carros produzidos em série para os carros de corrida”.

 

Da parte da equipe, Martin Whitmarsh – o pseudochefe – deu as boas-vindas à nova fornecedora de motores da equipe, selando assim o fim de outra união extremamente duradoura. A equipe usa motores Mercedes desde 1995. Em seu discurso, o britânico salientou os feitos do passado e projetou os anseios do futuro:


“É uma notícia fantástica para todos que amam a F1 poder receber a Honda de volta à F1. Juntos, estamos prestes a embarcar em um novo e extremamente empolgante capítulo na história da McLaren”, vibrou o dirigente britânico. “Como a McLaren, a Honda é uma empresa que tem o automobilismo entranhado em sua herança. Estamos muito orgulhosos e entusiasmados em unir forças para, mais uma vez, enfrentar o mundo da F1."

"Embora ambas as empresas estejam plenamente conscientes de que estamos embarcando em uma jornada muito exigente em conjunto, estamos extremamente comprometidos com o sucesso da parceria, e vamos passar os próximos 18 meses trabalhando lado a lado para garantir que estamos plenamente estabelecidos e competitivos para o nosso primeiro GP juntos em 2015”.

 

Nas palavras dos oradores, um pequeno ‘detalhe’ pode ter passado desapercebido pelos mais empolgados, mas que, para quem acompanha a categoria de perto, este último ano de contrato da McLaren com a Mercedes pode dar a Honda uma enorme vantagem em torno de desenvolvimento e economia de recursos de pesquisa. Ou alguém tem dúvidas que o motor que os alemães vem desenvolvendo há quase dois anos não será “dissecado como um sapo”?

 

Para quem não conhece a história, os japoneses começaram sua indústria copiando e aperfeiçoando produtos consagrados, como os alemães. Coisas que os chineses fazem hoje de forma generalizada. Certamente os engenheiros da Mercedes já pensaram nesta possibilidade, quase certeza... e, por força de contrato, não tem muito o que fazer.

 

Esta conversa sobre motores ainda vai render muito... tanto que esta semana, ao invés do ‘Balcão do cafezinho’, fomos todos para o boteco do seu Malaquias, tomar uma cachaça mineira e comer torresmo!

 

Até a próxima,

 

Fernando Paiva

Last Updated ( Monday, 20 May 2013 01:09 )