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Uma mão de poker com Bernie Ecclestone PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 22 April 2013 00:48

Caros amigos, não sei se algum dos nosso leitores joga poker, um interessante jogo de cartas que requer – além de sorte, claro – um raciocínio apurado para “contar as cartas” e calcular as possibilidades, e também uma boa capacidade de dissimulação para intimidar seus adversários mesmo quando está ou estaria, teoricamente, em desvantagem: o ‘blefe’.

Também não sei se o nosso querido bom velhinho é adepto do famoso jogo de cartas, que hoje tem diversos sites na internet para qualquer um poder jogar, mesmo à distância. Contudo, na ‘mesa’ da Fórmula 1, onde temos vários ‘jogadores’, Bernie Ecclestone é – sem sombra de dúvidas – o maior deles. Seja quando cria seus ‘factoides’ com declarações polêmicas, seja quando comenta algo que acontece durante alguma corrida, seja quando negocia o calendário da categoria.

Mais uma vez o mecenas da categoria teve declarações publicadas sobre o futuro do Grande Prêmio do Brasil. Desta feita, o jornal O Estado de São Paulo, foi “na caixa de brita” quando publicou um artigo sobre Interlagos estar com os dias contados e que este – 2013 – seria o último ano do GP do Brasil na capital paulista.

Os dados da matéria – passados para o bom velhinho na entrevista – eram de dois anos antes, quando o prefeito da cidade ainda era o Gilberto Kassab, mas tocar em pontos “sensíveis” para Bernie Ecclestone é pior do que ele vai ter que ouvir no mês que vem quando sua filha Tamara sair na Playboy.

A resposta dele sobre a mais uma vez “questão Interlagos” foi a mesma de sempre:  “A pista tem um dos melhores traçados do calendário, mas a estrutura para o trabalho das equipes, da organização e da imprensa é a pior de todas. Não precisa ser como aqui (Xanghai, onde foi dada a declaração), mas não pode ser como está e eu já estou cansado das promessas de reforma que nunca acontecem.

Antes de chegarmos ao “momento das apostas e dos blefes”, voltemos ao momento onde as cartas são embaralhadas e as ‘mãos’ distribuídas aos jogadores.

Da mesma forma como citei na semana passada que o Orçamento Geral da União não contemplava o Estado ou a Cidade do Rio de Janeiro com a tal verba para a construção do lúdico ‘Autódromo de Deodoro’, para se fazer uma reforma num autódromo, é preciso dinheiro e este dinheiro foi prometido pelo então prefeito Gilberto Kassab para ser incluído no Orçamento do Município (120 milhões de reais), só que não foi e o orçamento foi aprovado antes da posse de Haddad.

Cento e vinte milhões de qualquer coisa que seja é muita coisa e no caso, é muito dinheiro. Contudo, em São Paulo tudo parece ser mais caro do que em qualquer lugar do planeta, visto o custo que foi aquela ‘cicatriz’ ali,pouco antes da curva do café, que batizamos de “a chicane do milhão”. Se pra fazer ‘aquilo’ custou tudo o que custou, para fazer tudo o que o bom velhinho quer, talvez os 120 milhões nem sejam suficientes para tudo o que quer o chefão do circo.

Levantada a questão, o prefeito Haddad reagiu... contra o jornal! Chamou de irresponsável a atitude – no caso a matéria – do jornal quando colocou dados defasados em sua matéria para indagar a posição de Bernie Ecclestone. O fato é que: Haddad destinou uma verba de 30 milhões de reais para reformas em Interlagos e, depois das declarações de Bernie Ecclestone, tratou de entrar em contato com o bom velhinho para dar “garantias” de que as reformas serão feitas.

Se o octogenário tem um mísero par de 2 nas mãos ou uma quadra de ases é difícil de saber. Ele sabe que não é em todo lugar que a Fórmula 1 arrecada o que arrecada aqui no Brasil. Além disso, recentemente declarou que gostaria de ver a categoria de volta à África do Sul, em uma clara intenção de ver a Fórmula 1 em todos os continentes. Sendo assim, ele abriria mão da única etapa na América do Sul?

A vizinha Argentina já desistiu há muito tempo de pensar em levar a Fórmula 1 para lá. A economia esfacelada dos hermanos não permite grandes ambições no momento. Sem São Paulo, Bernie Ecclestone levantou a possibilidade de fazer a corrida no (sic) Rio de Janeiro. Pois é... onde? O autódromo de Deodoro tem tudo para jamais sair do papel. Restaria uma corrida de rua, coisa que o bom velhinho já ventilou fazer em Roma e em Londres. No Rio isso poderia ser fantástico, com os carros, por exemplo, passando entre o final do aterro, ali em Botafogo e indo até o começo de Copacabana, passando pelos tuneis. O temor é deixar isso nas mãos das competentes autoridades políticas locais, visto o que vem sendo feito com as obras para a copa do mundo e olimpíadas.

Outra opção seria o projeto do parque Beto Carreiro, que conta com um projeto de Hermann Tilke e todo o apoio do governo estadual para tirar a F1 de São Paulo ou mesmo fazer um sonhado segundo GP no país. Com isso, o que não falta nas mãos de Bernie Ecclestone são possibilidades e certamente o prefeito de São Paulo não vai querer perder o retorno não apenas do aumento direto da arrecadação de impostos (ISS) pelo aumento de visitantes na cidade durante a semana da corrida, mas também da exposição em mídia fora do país. Segundo entrevista dos administradores do autódromo, Octávio Guazzelli e Chico Rosa, sem a receita da Fórmula 1, é inviável manter Interlagos.

Um grande risco que a área corre é aparecer outra ideia como a da integrante do PT na época da reforma de 1089, a Marilena Chaui, que queria transformar Interlagos em um grande complexo habitacional. Certamente a arrecadação com IPTU e a especulação do metro quadrado da região dariam uma grande receita aos cofres do município e este “fator social”, bem típico do partido que venceu as eleições pode ser somado aos riscos.

Caso a reforma ocorra, uma oportunidade histórica pode dar a Interlagos um retorno às suas origens. Com a eliminação dos boxes na reta atual e sua passagem para a antiga reta oposta, a entrada dos novos boxes pode ficar depois da saída do ‘S’ do Senna e a saída ficará depois da descida do lago. Com isso, um trabalho de recuperação das curvas 1, 2, 3 e 4, um “encurtamento” da ferradura e a recomposição da curva do sol e do sargento, além da junção podem ser feitos dando a Interlagos três opções de traçado. “Bastaria” evitar a construção de uma estrutura fixa do outro lado da reta oposta, o que destruiria o antigo retão. É difícil, mas não custa tentar apelar para o bom velhinho entender o processo.

No final das contas, o amigo leitor pode ficar tranquilo quanto ao GP de 2014. Existe um contrato assinado e o bom velhinho não gosta de colocar a mão no bolso pra pagar multas (talvez um subornozinho aqui ou ali, que o digam os alemães, não é mesmo? Afinal, o processo continua em andamento). Quanto ao que vai acontecer depois disso, é bom a prefeitura paulistana não entrar nessa de “blefar com promessas”. O risco é real!

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

Tivemos neste final de semana mais um enorme leque de opções para quem gosta de corridas – com duas ou quatro rodas – ficar em casa diante da televisão. Dureza foi ver quando passavam duas no mesmo horário e, nestas horas, não tem como questionar certas decisões: será que não dava pra passar a corrida do mundial de GT em videotape a partir das 11 da manhã ao invés de colocar – ao vivo – no horário da F1? Principalmente marcando o VT do GP do Bahrein para as 11 da noite? A GP2 já foi 22 horas do sábado. Manda muito essa família Bueno...

Em Brasília tivemos a segunda etapa do Brasileiro de Marcas e da Fórmula 3 Sulamericana. Seguindo um critério lógico, teve gente abrindo mão da etapa do ‘Marcas’ para correr fora do país, mas o que me preocupou foi ver apenas 10 carros para a corrida da Fórmula 3. O projeto da única categoria de monopostos no país não pode naufragar.

Enquanto a Nationwide faz um intervalo, Nelsinho Piquet vem para o Brasil para participar dos X-Games, na categoria Rallycross, correndo com um Mitsubishi, numa pista que mescla terra e asfalto. Com ele, o experiente Guilherme Spinelli. Nelsinho cravou a pole de sua eliminatória, quem sabe até vença... mas anda devendo na Nationwide. Acelera, menino!

E por falar em América, na Fórmula Indy, pela primeira vez, um piloto japonês chega à vitória. Takuma Sato, que “bateu na trave” algumas vezes no ano passado, finalmente venceu. Nas ruas de Long Beach ninguém segurou o piloto da AJ Foyt, que já mostrara sérico nos treinos. Os brasileiros não tem muito o que comemorar na etapa. Helio Castro Neves foi o 10º, Bia Figueiredo a 14ª e Tony Kanaan o 20º. Menos mal que, com os resultados gerais, Helio Castro Neves continua líder do campeonato.

Quem vem acelerando muito é Felipe Nasr, que só não fez mais na etapa do Bahrein da GP2 por conta da péssima parada nos boxes (tudo bem, ele largou muito mal) na prova do sábado. Ainda assim, recuperou-se e fez um 4º lugar. No domingo, mostrou saber coo cuidar dos pneus e por coisa de 100 metros, não conseguiu ultrapassar o vencedor da prova. Terminou em 2º e está na terceira posição no campeonato.

E essa corrida do Bahrein... vou deixar o comentário para os nossos novos colunistas, Antônio de Pádua e Maria da Graça, mas se tem algo que todos irão concordar é que as areias do deserto foram uma tragédia na casa de Maranello.

Um abraço e até a próxima,

Fernando Paiva