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Written by Administrator   
Monday, 15 April 2013 00:24

Caros amigos, no final de semana anterior a este tivemos a abertura do campeonato da World Series by Renault, categoria que, paralelamente, coloca-se como último degrau para se chegar à Fórmula 1 e nela, ao contrário da GP2 – a outra categoria – onde temos apenas um brasileiro – Felipe Nasr – a World Series tem quatro pilotos nacionais (André Negrão; Pietro Fantin; Yann Cunha e Lucas Foresti).

 

Diferente da situação em que se encontra Felipe Nasr, que conta com um grande apoio, os demais pilotos brasileiros na categoria equivalente lutam para sobreviver. Contando com um pacote de recursos bem menores, acabam relegados a esquemas mais modestos e isso se reflete diretamente nos resultados, uma vez que o grande combustível do automobilismo atual vai além do talento.

 

Aí eu pergunto: é apenas uma questão de dinheiro ou também faltam pilotos em condições de tentar trilhar uma carreira na Europa?

 

Vinte cinco anos atrás existiam três categorias de monopostos onde alinhavam cerca de 80 carros. As categorias – Fórmula 3 Sulamericana, Fórmula Ford e Fórmula Chevrolet – de onde saíram pilotos com Gil De Ferran, Hélio Castro Neves, Tony Kanaan, Rubens Bar­­richello, Christian Fittipaldi, Cristiano Da Matta e Felipe Massa.

 

Ainda nos anos 90 a Ford encerrou seu investimento em competição, caminho seguido anos mais tarde pela Chevrolet. As duas foram de certa forma substituídas pela Fórmula Renault, sob os cuidados do ex-piloto de F1, Pedro Paulo Diniz. Em cinco anos, ajudou a sustentar a falsa impressão de uma base eficiente no Brasil. Forjou, por exemplo, Lucas Di Grassi, último brasileiro com histórico em monopostos dentro do país a chegar à principal categoria do automobilismo mundial. Contudo, um sinal de alerta foi dado quando Robert Kubica, campeão europeu da categoria, veio disputar a última etapa da temporada brasileira... e enfiou mais de 20 segundos nas promessas nacionais!

 

A Fórmula Renault brasileira tinha quase o triplo do custo da categoria na Europa e seu grid foi minguando ano a ano até o encerramento de suas atividades. Desde então, a formação praticamente ficou restrita à Fórmula 3, categoria que esteve a ponto de ser extinta ano passado, quando passou para as mãos da VICAR, promotora da Stock Car.

 

Antes disso, Felipe Massa conseguiu com o apoio de seu empregador (a FIAT é dona da Ferrari) conseguiu meios para instalar uma categoria de base de monopostos – a “Fórmula Futuro”. Contudo, a categoria nunca conseguiu mostrar-se atrativa para os jovens oriundos do kart e tornar-se uma “fábrica de futuros campeões” e pilotos de Fórmula 1. A Fórmula Futuro durou apenas duas temporadas.

 

E quem é o culpado – ou os culpados – por isso? Será que é o caso de realmente jogar sobre os ombros da CBA? A Confederação Brasileira de Automobilismo pode criar muitas oportunidades para novos pilotos brasileiros, mas não criando e financiando categorias. A FIA não cria ou sustenta nenhuma categoria, assim como a FIA e as federações e automóveis clube pelo mundo são órgãos fiscalizadores e que, no máximo, pode estabelecer uma ponte entre fabricantes e potenciais patrocinadores.

 

Mas não há dúvidas de que algo está muito errado... e há muito tempo. O custo elevado é apontado pelos próprios pilotos como o maior problema para a formação de uma base no país. Na ponta do lápis, é mais vantajoso correr na Europa do que nos circuitos brasileiros. Entre gastar 700 mil a 1 milhão de reais para uma temporada de Fórmula 3 Sul-Americana e 300 mil euros para correr na Fórmula Renault Europeia, muito melhor ir para o exterior, onde o piloto vai correr mais provas, treinar mais tempo (no Brasil praticamente não se treina e sem treino o piloto não “aprende o carro”) e desenvolver-se.

 

A matemática é cruel neste aspecto. Enquanto no Brasil, sob a justificativa de reduzir custos, os treinos são limitados, as categorias europeias têm longas pré-temporadas e períodos de teste. A geografia também ajuda, com etapas concentradas em poucos e próximos circuitos, os deslocamentos são menores. Com mais quilometragem de teste e desenvolvimento dos bólidos, uma temporada na Europa acaba valendo muito mais em termos de aprendizado do que no Brasil. Assim, formam-se pilotos mais preparados em menos tempo.

 

Contudo, cruel mesmo é ver pilotos com um talento nato como o paranaense Gabriel Dias e o carioca Nicolas Costa. O primeiro, depois de algumas temporadas mostrando uma excelente performance na Fórmula 3 inglesa, mesmo sem estar em uma das melhores equipes, conseguindo mostrar capacidade técnica para andar na frente e vencer, não conseguiu atrair um investimento para dar seguimento na carreira. Atualmente Gabriel Dias voltou para o Brasil, estuda engenharia civil em sua cidade natal.

 

Nicolas Costa foi o vencedor da primeira temporada da Fórmula Futuro. Com isso, ganhou o prêmio de entrar para a Academia de Pilotos da Ferrari e venceu o campeonato italiano da Fórmula Abarth. No ano seguinte, conquistou o bicampeonato da categoria e também o europeu, conquista que um piloto brasileiro não conseguia há mais de uma década. Apesar de tudo isso, Nicolas não conseguiu ainda fechar um pacote de patrocínios para disputar a GP3, categoria que seria um possível passo seguinte no rumo da Fórmula 1.

 

Nos dias de hoje, mais do que nunca, talento sem dinheiro não resolve!

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

No mês que se tem o “dia da mentira”, uma grande mentira caiu! O tal do autódromo de Deodoro, que já foi fruto de várias reuniões, de dois projetos apresentados, de mil promessas feitas não vai sair do papel. O orçamento geral da união, documento no qual estão dispostos todos os gastos previstos pelo governo federal para 2013... e nenhum tostão destinado à construção do autódromo carioca, enquanto o falecido Jacarepaguá vai virar o novo foco da especulação imobiliária da capital do estado.

 

Nelsinho Piquet fez uma corrida bem apagada na etapa da Nationwide do Texas. Interessante é que, nas temporadas da Truck series, era uma das pistas onde o brasileiro se saia melhor. Largando em 19º, terminou em 18º na prova vencida por Kyle Busch, que também venceu a prova da Sprint Cup.

 

Na abertura do Mundial de Endurance, tivemos vitórias brasileiras. O Aston Martin de Stefan Mükle /Darren Turner/Bruno Senna venceu na categoria GPE-PRO nas 6 horas de Silverstone. Na LMP2, Antônio Pizzonia/James Walker/Tor Graves venceu com uma volta de vantagem para seus adversários na classe. Na categoria principal, a Audi venceu o primeiro duelo contra a Toyota com o carro de Alan McNish/Tom Kristensen/Loïc Duval (tinha que ser o Lucas Di Grassi neste carro) tiveram menos problemas que o carro dos bicampeões Marcel Fässler/André Lotterer/Bénoit Tréluyer.

 

Mas não foi apenas em Silverstone que o Brasil brilhou. Cesar Ramos venceu a etapa inaugural do Blancpain Endurance Series, maior campeonato de carros de Gran Turismo do mundo. Dividindo a pilotagem de sua Ferrari 458 Italia com os italianos Daniel Zampieri e Davide Rigon, Ramos – que correu na Renault World Series até o ano passado – foi responsável pelo segundo turno de pilotagem, quando o carro ganhou várias posições.

 

E este GP da China... para quem achava que o Fernando Alonso estava morto, que a Ferrari era boa, mas nem tanto e que Felipe Massa estaria tirando o sono do espanhol, a vitória do “dono” da Ferrari calou a boca de todos os “papagaios” de plantão.

 

Felipe Massa, mais uma vez prejudicado pela estratégia desfavorável ficou bem abaixo de seu “chefe”... mais de 40 segundos atrás, com direito a uma parada 1 segundo mais lenta que a do espanhol no primeiro pit stop (pra garantir) e a segunda no meio de um tráfego pesado! Aliás, os segundos que ameaçaram ou ousaram ameaçar seus primeiros tiveram uma corrida de dissabores na China.

 

Mark Webber teve problemas desde os treinos, onde ficou sem combustível e foi punido, tendo que largar em último. Depois, envolveu-se numa batida com Jean Eric Vergne (que pode ter o mesmo destino de Jaime Alguersuari depois da trapalhada) e por fim, foi vítima de uma roda não bem colocada no pit stop e perdeu a mesma na pista. Terminou punido para o GP do Bahrein e Nico Rosberg, que tanto protestou por não poder atacar Lewis Hamilton na Malásia, abandonou novamente, assim como na Austrália.

 

Vida dura essa de segundo piloto... tudo de errado só acontece com eles!

 

Até a próxima,

 

Fernando Paiva