Classificados

Administração

Patrocinadores

 Visitem os Patrocinadores
dos Nobres do Grid
Seja um Patrocinador
dos Nobres do Grid
Liberdade ainda que tardia? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 01 April 2013 01:29

 

Caros amigos, esta coluna seria a que eu colocaria na semana passada. Contudo, diante de tanta confusão durante e depois da prova na Malásia, precisei mudar tudo, mas ainda assim o que aconteceu 12 dias atrás foi das maiores surpresas, destas inimagináveis, que já tive em trinta anos acompanhando automobilismo (desde menino, claro).

 

Em vista do “enorme respeito” que o esporte a motor recebe nos domínios da principal emissora de televisão do país – seja na TV aberta, seja na por assinatura – o programa “linha de Chegada” tem um “horário estimado” de início, isso caso não encontrem algo mais ‘interessante’ para apresentar. Sendo assim, coloco um período grande, de três horas, para a gravação do que por ventura vier a ser transmitido, torcendo para que passem o programa. Afinal, sou um trabalhador que precisa levantar cedo para cumprir com minhas obrigações e garantir o pão de cada dia para mim e para minha família, como quase todas as pessoas que conheço.

 

No dia seguinte, depois do jantar, ao invés de assistir a novela, vou ver aquilo que me interessa e foi aí que deparei-me com o inusitado: Roberval Andrade, piloto da Fórmula Truck (ao lado do goleiro Cassio – que por um instante achei que fosse o Átila Abreu. A ‘ficha’ só caiu por conta da camisa do Corinthians), com aquele esquema de juntar dois atletas de esportes diferentes e tentar fazer um paralelo.

 

O programa foi divertido, com o Roberval Andrade fazendo algumas ‘confissões indecorosas’, como ter feito uma série de ‘zerinhos’ com um caminhão em plena Avenida dos Bandeirantes, na frente de uma churrascaria famosa onde jantava com outros pilotos de diversas categorias, entre eles, Rubens Barrichello.

 

Ao longo daquela hora, imagens do caminhão do piloto na pista, cenas de corridas, trabalho nos boxes, numa exposição da categoria nunca antes demonstrada naquele canal de televisão. Foi impossível não ficar chocado – positivamente – com aquilo. Passei para um DVD e enviei no dia seguinte para meu primo, Mauricio, também colunista do site (infelizmente seus comentários, como de costume, são impublicáveis).

 

O amigo leitor mais desavisado poderia até perguntar: porque tamanho espanto?

 

Simples. A Fórmula Truck é, em termos de público e fidelidade, a maior concorrente da Stock Car. Apesar de serem categorias completamente diferentes, ambas são corridas, ambas levam público aos autódromos e ambas tem marcas registradas muito fortes. A Stock é composta pela nata dos pilotos brasileiros. São mais de 10 com categorias top internacionais no currículo. Em compensação, a corrida é uma porcaria, com 40 minutos, sufocada por uma grade de programação que deixa o automobilismo em último plano.

 

Por outro lado, a Fórmula Truck encontrou na sua parceira de transmissões, uma grande aliada, que abre seu espaço num horário – de TV aberta – onde a concorrência digladia-se apresentando um verdadeiro ‘lixo popularesco’, com as mesmas ‘atrações’ se revezando de um canal para o outro a cada domingo. Sua corrida tem mais de uma hora de duração e, mais que isso, existe um verdadeiro show ao longo do dia que termina com a apoteose, que é a corrida. Nos últimos anos, em termos presença nos autódromos, tem batido a Stock em todos os confrontos.

 

A empresa de comunicação que cuida do canal de TV aberta, de TV por assinatura e de um poderoso jornal, tem por conduta – ou pelo menos tinha – ignorar e tratar como inexistente a categoria criada por Aurélio Batista Felix, chegando ao cúmulo de sequer dar uma nota de falecimento quando o criador da Fórmula Truck, nos moldes que ela é, faleceu em Guaporé, na abertura do campeonato de 2008.

 

Mais que isso, houve diversas tentativas de se levar a categoria para a transmissão por lá, mas quiseram impor para Aurélio o “jeito de ser” deles e o caminhoneiro simplesmente não aceitou mutilar seu espetáculo para o público que começa a chegar nos autódromos por onde a Fórmula Truck passa ainda na sexta-feira.

 

Em anos anteriores houve muito conflito de datas, com as categorias fazendo provas nos mesmos finais de semana em diferentes cidades. Felizmente houve um bom senso e estas “coincidências” pararam de acontecer, contudo, uma outra questão havia e esta mais da parte da Truck do que da Stock – pelo menos abertamente: piloto que corria em uma categoria, não corria na outra! Neusa Felix, em entrevista ao site dos Nobres do Grid tentou justificar o motivo da não aceitação, mas até isso parece ter caído por terra este ano quando David Muffato, que corre na Stock Car, assumiu o caminhão do pai, Pedro Muffato, na abertura do campeonato da Fórmula Truck.

 

Está certo que durante a transmissão da corrida do Desafio Internacional das Estrelas, em Santa Catarina, no início do ano, o ‘narrador-mor’ da emissora passou por uma enorme ‘saia justa’ ao ter que narrar o desempenho do pernambucano Beto Monteiro, piloto da Fórmula Truck, entre os ponteiros da prova. “Esse rapaz, este grande piloto, que tem uma bela trajetória nas pistas... esse ‘caminhoneiro’”...  Essa já está competindo para o ‘troféu perolas do GB de 2013. Proibido de falar sobre a ‘categoria rival’, ele, em dado momento, sem saída, falou em ‘Efe Truck’.

 

Honestamente, pra que isso? Foi um avanço sensacional o programa da última terça-feira, e a participação do David Muffato na abertura do campeonato em Tarumã. Os dirigentes esportivos – promotores de categoria, no caso – precisam dialogar, se ajudar, fazer com que todos cresçam. Seria espetacular ver os autódromos lotados em qualquer corrida de qualquer categoria como já tivemos no passado e como é na vizinha Argentina.

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Seguindo a mesma linha, o amigo (da onça?) Tony Kanaan revelou que o amigo Rubens Barrichello gostaria de correr as 500 Milhas de Indianápolis (desde que tenha um esquema com condições de vencer). O problema é que com o sistema de classificação todo particular da prova, Rubinho teria que ‘perder’ uma etapa da Stock, em Salvador, dia 19 de maio.

 

Não acredito que a patrocinadora do piloto ou mesmo a equipe vá comprometer este desejo do piloto, mas tem mais coisas por trás disso. E a TV? Que no ano passado praticamente ignorou a trajetória de março a setembro de Barrichello, trazendo-o ‘de outro planeta’ para as 3 últimas etapas do campeonato. Ainda temos pelo menos 3 semanas para este projeto ir pra frente ou não. Vamos ver no que vai dar, mas acho que está mais distante depois do anúncio de Barrichello como comentarista de Fórmula 1 ao lado de Luciano Burti e Reginaldo Leme.

 

Em uma semana onde a tônica foi colocar panos quentes em tudo que de polêmico aconteceu no GP da Malásia (Incrível, até o Helmut Marko foi comedido nas suas declarações. Isto dá uma ideia do tamanho da encrenca que o Vettel arrumou lá dentro). Se o negócio é não ter polêmica, deixa que o bom velhinho faz!

 

Bernie Ecclestone saiu em defesa ampla, geral e irrestrita de Sebastian Vettel – a quem certa vez declarou ser “o genro ideal” (na época as duas filhas, Petra e Tamara, estavam solteiras) – por este não ter aceito as ordens da Red Bull. Interessante é que, não muito tempo atrás, o mandachuva da categoria defendeu com unha e dentes, forçando até uma alteração no regulamento de 2010 para 2011. Ele é impossível!

 

Impossível vai ser para a grande maioria das pessoas assistir a nova atração do ‘canal campeão’, o Mundial de FIA GT. A corrida principal vai ser na segunda-feira (que é feriado na França) no circuito de Nogaro. Na prova do domingo, Sebastien Loeb mostrou que vai ser um adversário duro ao longo do ano. Venceu a  prova classificatória e larga na pole. O carro ‘zero’ andou bem, podendo vir a ser um candidato ao pódio se não se enrolarem na troca de pilotos.

 

Enquanto um campeonato transborda de notícias, num outro, o brasileiro de turismo, pouco se fala... interessante, não?

 

Até a próxima,

 

Fernando Paiva