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O direito de vencer! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 25 March 2013 01:16

 

Caros amigos, a coluna desta semana estava praticamente pronta, faltando fechar apenas o “balcão do cafezinho”, mas diante do que vimos no GP da Malásia, não tenho como não postergar o outro assunto para a próxima segunda-feira e falar, com a devida licença do nosso estimado colunista, Toni Vasconcelos, que é o nosso especialista em Fórmula 1, sobre o que aconteceu na pista e no pit wall nas hostes da Red Bull e da Mercedes.

 

Não é de hoje que se sabe que, na Red Bull todos os rios deságuam no ‘Mar da Germânia’. Contudo, o desempenho de Mark Webber foi simplesmente brilhante – ajudado claro pela precipitação de por pneus slick no carro de Vettel com a pista ainda muito molhada e com o ‘erro’ dos pneus duros em seu carro.

 

Pelo rendimento que o australiano vinha tendo com os pneus duros, diante dos médios usados pelos seus perseguidores ao fim de um terço de prova, considerando que por contada chuva não havia mais a obrigatoriedade de se usar pneus slick diferentes, uma estratégia com uma parada a menos seria perfeitamente viável... e com isso Webber dificilmente perderia a corrida.

 

Estranhamente, ele – que parou depois de Vettel – entrou antes de todos, mesmo estando mais rápido na pista. Tal manobra colocou Vettel de volta no páreo pela vitória, uma vez que a possível vantagem de uma parada a menos foi retirada. Contido, Mark Webber continuou na frente e, na transmissão da televisão, não se ouviu, depois da última parada, a ‘ordem codificada’ “Multi 21”, que quer dizer: manter posições 2-1, ou seja, Mark chegaria em primeiro e isso colocaria os dois pilotos da equipe empatados na liderança do campeonato com 33 pontos.

 

Por não estarmos sabendo desta ‘ordem codificada’, para nós, espectadores, foi emocionante ver os dois pilotos da equipe austríaca fazendo curvas lado a lado em Sepang enquanto a TV recuperava o desespero de Adrian Newey e Christian Horner na cabine do pit wall com a cena da batida do GP da Turquia em que os dois bateram em uma disputa por posição repetindo-se em suas mentes.

 

O clima azedo após a prova, no pódio e na entrevista, entre os dois pilotos da equipe era indisfarçável. Vettel pediu desculpas por ter ‘portado-se mal’ e disse que Mark era quem merecia ter vencido. Do outro lado, Webber vociferava contra o ‘companheiro’ de equipe, dizendo que ele – Webber – obedeceu a ordem e reduziu o ritmo de prova e que, só por isso Vettel se aproximou...

 

Interessante é, nesta hora, voltar a um dado momento no meio da prova em que Webber parecia estar mais lento que seus perseguidores e as duas Mercedes, de Lewis Hamilton e Nico Rosberg se aproximavam volta a volta. Em dado momento, a transmissão da TV colocou o áudio da Red Bull onde Vettel reclamava: “Eu estou mais rápido e ele está me segurando”. Confesso que estava quase ouvindo o eco do “this is ridiculous” do Alonso naquela corrida na Alemanha.

 

Além da disputa da Red Bull, os dois pilotos da Mercedes protagonizaram outra destas cenas cada vez mais comuns na Fórmula 1 onde, a equipe manda o que os pilotos podem ou não fazer na pista. Hamilton era o terceiro, mas com os pneus mais desgastados e o tempo extra perdido na bizarra e hilária entrada nos boxes da McLaren para fazer seu pit stop (foi impossível não dar uma gargalhada com aquela cena), tinha atrás de si Nico Rosberg, mais rápido naquele momento e que passaria sem problemas se não fosse a ordem de um igualmente desesperado Ross Brawn na cabine da equipe alemã. No caso da Mercedes, Rosberg resignou-se com a quarta posição e até declarou que ‘entendia e aceitava’ a decisão da equipe.

 

Nestas horas, como fã do esporte, sinto-me frustrado. Lesado em meu prazer de ver a competição acontecer como deve acontecer. Se até a disputa final das Red Bull só aconteceu porque Webber aliviou o pé e Vettel se aproveitou disso, quando é que poderemos ver disputas de verdade como havia antigamente?

 

Impossível não lembrar do GP do Brasil de 1981, quando o Argentino Carlos Reutemann ignorou solenemente a ordem para trocar de posição com Alan Jones e venceu a prova. Muitos dizem que esta vitória custou-lhe o título da temporada, vencida por Nelson Piquet, mas se isso é verdade (pelo contrário, se houvessem trocado de posição, Piquet chegaria em Las Vegas 2 pontos na frente do argentino, e não 1 atrás), Reutemann pode ter perdido o título, mas não a dignidade.

 

O ‘consultor’ da Red Bull, o alemão Helmut Marko, que parece nutrir um ódio cego por Mark Webber quando este tenta mostrar ser um bom piloto ainda não deu nenhuma declaração até o momento em que terminei de escrever este texto, mas o amigo leitor pode ter certeza que ele vai falar... alguma bobagem, como de costume, minimizando Mark Webber e enaltecendo Sebastian Vettel.

 

Será que é pedir demais querer ter competição de verdade?

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

O bom velhinho mandou ‘duas das suas’ nesta semana: primeiro, foi capa do tabloide britânico ‘The Mirror’, revelando que Lewis Hamilton preferia passar por um ‘ano sabático’, a renovar com a McLaren. Isto jogaria por terra aquele cartão de natal em forma de charge onde Lewis encosta a McLaren e pula numa Mercedes com um saco de dinheiro. Bom, dinheiro tinha. São 100 milhões de dólares para 3 anos de contrato. Relações chegam ao fim em qualquer casamento, Ron Dennis.

 

E no final de semana do GP Malaio, declarou que está insatisfeito com São Paulo (interessante... é uma das 3 corridas mais rentáveis pra ele na temporada) e que quer levar o GP de volta para o Rio de Janeiro, afirmando que seria fantástico ter o GP na cidade junto com as Olimpíadas... será que alguém falou pra ele que destruíram o autódromo da cidade por conta dos jogos e que o tal autódromo de Deodoro é um rabisco num pedaço de papel? Mas ele tem razão em um ponto: a infraestrutura para a F1trabalhar em Interlagos é muito precária. Resta saber se a prefeitura paulistana vai investir na modernização ou não.

 

Em termos de ‘casório’, as vezes nem acontecem... ou são adiados. Está rolando na rádio paddock que a Caterham é a próxima ‘nanica’ a fechar as portas. . A especulação foi desmentida por Riad Asmat, diretor-executivo da equipe sediada em Leafield, na Inglaterra, e garantiu que há um projeto de longo prazo na categoria.

 

Segundo os rumores, uma das razões para a eventual saída da Caterham está ligada à adoção de um novo pacote técnico para os motores a partir do ano que vem. Em 2014, a F1 terá motores turbo V6 de 1,6 L no lugar dos atuais propulsores aspirados V8 de 2,4 L. A diferença é que os novos motores serão mais caros, e as montadoras pretendem repassar às equipes a alta dos custos no desenvolvimento do equipamento.

 

Mas há também a notícia de um ‘casório frustrado com a Marussia, que poderia ter acontecido durante a pré-temporada. A conversa não foi adiante, mas pode ser que algo ocorra neste sentido até o final do ano (Eles começaram cedo este ano, não?)

 

Enquanto uns podem ir, outros querem vir. Campinas, que tem uma história de corridas num passado distante, anunciou que a cidade pensa em receber uma etapa da Stock Car e uma da Fórmula Indy. o secretário do Desenvolvimento Econômico e Turismo da cidade, Samuel Rossilho, já entrou em contato com os certames para dar início às negociações. Tudo ainda está muito no início, mas... pagando bem, que mal tem? Dirão os diretores da categoria, especialmente o da Indy, Mark Miles, que foi contratado este ano para “colocar ordem na casa – incluindo o caixa – e dinamizar o campeonato”.

 

O campeonato sulamericano de Fórmula 3 vai tomando forma...e uma forma que tem a ‘assinatura’ de Carlos Col, que mesmo tendo saído da VICAR recentemente conseguiu, ao longo dos últimos meses de 2012 motivar, costurar e trazer de volta equipes que preparadores que estavam afastados há alguns da categoria. A expectativa é de um grid que pode chegar a 16 carros. Em vista do que vimos nos últimos anos, seria um grande avanço.

 

Os campeonatos vão começando pelo mundo. A GP2 teve suas primeiras etapas na escaldante Malásia. O Brasil tem esse ano apenas um representante – Felipe Nasr – que teve um desempenho muito bom no final de semana e deixa a Ásia como vice-líder do campeonato, atrás do italiano Stefano Coletti. O quarto lugar do sábado e o segundo do domingo, onde a vitória ficou muito perto nos dá esperanças de, quem sabe, finalmente, termos um brasileiro como campeão da categoria depois dos vices Luiz Razia, Lucas Di Grassi, Bruno Senna, e Nelsinho Piquet.

 

Por falar no Piquet, na etapa de Fontana da Nationwide deste sábado, apesar da excelente 5ª posição nos treinos, Nelsinho não conseguiu manter o bom rendimento, terminando apenas na 16ª colocação ao final das 150 voltas no super speedway. No domingo, na NASCAR... ah, a NASCAR... teve disputa acirrada, vitória do ‘bad boy’ Kyle Busch e outra daquelas brigas – porrada mesmo – nos pits entre Tony Stewart, que se sentiu prejudicado, e Joey Logano, que deixou a vitória escapar com o acidente.

 

Na Europa, na abertura do WTCC, Ivan Muller não deu chances pra concorrência na abertura do campeonato em Monza. Venceu debaixo de muita chuva em Monza as duas provas da rodada. Na segunda corrida, os carros pareciam estar numa prova noturna de tão escuro que estava. A RML, agora não mais equipe oficial de fábrica, continua na frente.

 

Enquanto a gente chora as mazelas do nosso automobilismo, uma vitória foi conquistada: a FIA reconheceu a Porsche GT3 Cup como “International Series”. Para se ter uma ideia do que isso significa, é a primeira categoria brasileira a alcançar este status (que nem a Stock e nem a Truck possuem). Mérito para uma organização séria e responsável por parte de Dener Pires, que mesmo sendo uma destas categorias de ‘pilotos com dinheiro’ revelou valores como Miguel Paludo, hoje na Truck Series nos Estados Unidos.

 

Ainda podemos ter esperanças, não?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva

 

 

Last Updated ( Monday, 25 March 2013 01:43 )