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A ‘Nascarização’ da Fórmula 1? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 11 March 2013 00:05

 

Caros amigos, parafraseando aquele ‘filósofo do futebol’, acho que posso dizer que ‘a internet é uma caixinha de surpresas’. Depois de receber esta semana o ‘relatório de tráfego’ da empresa que hospeda o site e constatar que continuamos bem vistos e bem lidos (457.189 acessos em 28 dias de fevereiro, média de 16.328/dia) aqui no Brasil e no exterior, com 29,3% de acessos vindos de fora do país.

 

Levando em conta que números possam ser apenas números, alguns ‘detalhes’ talvez acabem por revelar quem vem acessando o site dos Nobres do Grid pelo mundo a fora e não posso me furtar a da suspeita de que um dos nossos seguidores é mesmo o bom velhinho, o Bernie Ecclestone!

 

Na semana passada eu reclamei que havia se passado duas semanas sem nenhuma daquelas ‘pérolas’ que só ele é capaz de produzir. Com os treinos pré-temporada acontecendo em Barcelona, talvez ele estivesse deixando os pilotos e as equipes ocuparem as manchetes dos noticiários da mídia especializada e dos palpiteiros em geral... como nós. Contudo, atendendo ao clamor deste humilde escriba, o dono do circo mandou ‘A pérola’: “Em 2014 a Fórmula 1 pode ter 22 etapas!”

 

Se tem uma coisa que o bom velhinho sabe fazer e jogar lenha na fogueira. Com um suprimento aparentemente inesgotável de gasolina com alta octanagem, largar qualquer notícia para a mídia tem um efeito praticamente imediato, ainda mais com os recursos da internet, que deixaram o planeta menor do que uma ervilha!

 

Foi justamente em uma entrevista para o site inglês ‘City A.M.’ que o dono do circo disse estar planejando a inclusão de mais três provas no calendário para o próximo ano. Além da prova cancelada de New Jersey, haveria a inclusão do GP da Russia, onde o autódromo de Socchi encontra-se em fase de conclusão e também com o retorno da África do Sul.

 

Segundo Bernie, “Ter corridas nos lugares certos é o que importa. As equipes provavelmente conseguem lidar com um calendário com 22 corridas. Caso fosse possível escolher, gostaria de voltar à África do Sul. Acredito que a Cidade do Cabo seria um excelente cenário para o retorno da Fórmula 1 ao país. Já tive propostas para corrermos em Durban, mas acho que a Cidade do Cabo seria melhor”. Além dos países mencionados, França, Tailândia e Portugal tiveram seus nomes ventilados inclusive para uma eventual entrada em 2013. O México aparece também como candidato a voltar a sediar um GP de Fórmula 1 e aqui no Brasil, o Parque Beto Carreiro tem planos para a construção de um autódromo FIA 1 e a ambição de realizar, quem sabe, uma segunda corrida no país como já aconteceu em alguns países europeus até o ano passado.

 

Em se tratando de Bernie Ecclestone, não podemos duvidar de nada, mas se somarmos todos que querem ter o privilégio de sediar um GP de Fórmula 1, até onde poderíamos chegar? 24 ou 25 corridas por ano? Para o fã de automobilismo e da categoria seria sensacional, mas e para as equipes?

 

No mês passado Martin Whitmarsh, o pseudochefe da McLaren (porque todos sabemos que quem manda mesmo é o Ron Dennis), declarou em entrevista à BBC que sete das atuais 11 equipes que compõem o grid da Fórmula 1 atualmente estão operando em ‘modo sobrevivência’. O dirigente, que também é presidente da FOTA, a Associação das Equipes da F1, mostrou preocupação com o futuro das escuderias e apontou a existência de uma grande crise financeira na maior categoria do automobilismo mundial.

 

“Estamos no mundo da publicidade e você precisa ver como funciona a publicidade ao redor do mundo. O investimento neste campo diminuiu sensivelmente. Tomamos algumas medidas no sentido de minimizar os impactos desta nova realidade na McLaren, mas, para a maioria, está sendo difícil”, afirmou, referindo-se ao fato de que vários contratos de publicidade, que rendiam grandes receitas para as equipes, foram cancelados e/ou revistos depois da crise econômica mundial de 2008, além da saída dos patrocinadores da indústria tabagista, ‘banida’ há alguns anos. “O ambiente de negócios está mais difícil em todos os lugares, não só na F1”, afirmou Whitmarsh.

 

Quem seriam as quatro equipes que ainda estão conseguindo ‘manter o nariz acima da linha d’água e respirar’? Ferrari, a Mercedes e as duas mantidas pela Red Bull? Talvez o dirigente inglês esteja colocando sua própria equipe entre aquelas que estão enfrentando dificuldades em manter o time funcionando e olha para o futuro com preocupação.

 

O contrato com a Mercedes para fornecimento de motores termina em 2014. Este ano a equipe fechou contrato com um piloto que está levando debaixo do braço uma mala enorme de dinheiro. Nas demais equipes então, o leilão por um cockpit foi algo que, claro, não é nem nunca foi novidade, mas em quantidade de ‘vagas vendidas’, tenha batido um recorde na categoria, senão em números absolutos, mas em percentual de lugares pelo total de carros no grid.

 

Whitmarsh tentou evitar uma posição de confronto com a política de gestão e transferência de recursos da categoria, elogiando o trabalho do bom velhinho em gerir e fazer a categoria crescer, mas por outro lado, reclamando uma melhor distribuição das receitas geradas pela categoria com as vendas de espaços de publicidade no autódromo, direitos de transmissão, ingressos, HCs, etc.

 

Contudo, um aumento de etapas no calendário implicaria num aumento de custos da categoria para todas as equipes. A pergunta é: quem vai bancar a diferença?

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Na primeira prova do ano do WRC sem a presença de Sébastien Loeb, seu xará, Sébastien Ogier, mostrou porque é considerado o seu sucessor. O francês não deu chances à concorrência no Rali do México e, depois de liderar a prova desde sexta-feira, venceu a competição apenas administrando a vantagem para os rivais no último dia. Vantagem que passou de 3 minutos no sábado! Ogier lidera o campeonato com mais de 40 potos de vantagem para o segundo na pontuação, que é Loeb, que esteve testando esta semana o Citroën para a disputa, em 2014, do WTCC.

 

Por falar em WTCC, Curitiba foi retirada do calendário de 2013 do Mundial de Carros de Turismo, como consta no novo cronograma divulgado na última sexta-feira, dia 8, pelo Conselho Mundial da FIA. Inicialmente, a etapa estava marcada para 28 de julho de acordo com o site da categoria. Um novo local ainda não foi selecionado pela FIA. Caso seja na Europa, há possibilidade de haver duas e não apenas uma etapa.

 

Havia um contrato entre a KSO e a VICAR para a realização de um evento conjunto no Brasil. Este contrato tinha a duração de três anos, sendo dois mais um ano de opção. Segundo fomos informados pela assessoria de imprensa da VICAR, a promotora brasileira optou por concentrar seus esforços nas quatro categorias que organiza (Stock Car; Brasileiro de Turismo; Brasileiro de Marcas e F3 Sulamericana). Desde a saída da equipe oficial da BMW, onde corria o brasileiro Augusto Farfus Jr. para o DTM, o WTCC deixou de ter pilotos brasileiros na disputa. Transmissão pela TV nunca houve... e a categoria vai ficando mais distante.

 

Enquanto alguns ‘casamentos’ se desfazem, outros retomam seus caminhos. Após um ano longe, o GT Brasil volta a fazer a preliminar da Indy na etapa do Anhembi. O anúncio oficial foi feito na última sexta-feira, dia 8, que também determinou o Mercedes-Benz Grand Challenge como parte da programação da corrida. A prova da Indy em São Paulo está marcada para o dia 5 de maio. As corridas, tanto da Indy quanto das categorias brasileiras, terão transmissão ao vivo da emissora Bandeirantes e também de uma emissora de canal pago (que deve ser o Bandsports).

 

E pela Band vimos hoje o início do campeonato da fórmula Truck. Com um grid anida desfalcado (Pedro Mufatto recuperando a saúde, Pedro Gomes também não correu e o italiano Alex Caffi só deve estrear em Londrina), ao contrário do fiasco de público da Stock em são Paulo domingo passado, o tradicional autódromo de Tarumã estava cheio. No final, uma dobradinha da equipe Mercedes, com Welington Cirino e Geraldo Piquet. Corrida com mais de uma hora, uma sequência de atrações para o público, Ingresso mais barato e com brinde (um boné), válido para os três dias do evento...

 

Na reunião do Conselho Mundial da sexta-feira, dia 8, a FIA anunciou a criação de uma Comissão de Pilotos com o objetivo de ser um meio de representação dos direitos e interesses dos pilotos de todo o mundo.

 

A Comissão, que será presidida pelo brasileiro Emerson Fittipaldi, é um dos passos para a entidade máxima do automobilismo passar a ser reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional, que reconhece provisoriamente a FIA desde meados de 2012.

 

Emerson Fittipaldi possui uma relação próxima com o presidente da FIA, Jean Todt, e é uma personalidade de grande trânsito, tanto na Europa como nos Estados Unidos. Neste projeto, o bicampeão do mundo de F1 trabalhará em conjunto com nomes famosos do esporte a motor. A começar pela vice-presidência, que será ocupada por Sébastien Loeb, nove vezes campeão do Mundial de Rali.

 

Membros da Comissão de Pilotos da FIA:

Presidente: Emerson Fittipaldi (BRA)
Vice-presidente: Sébastien Loeb (FRA)
Comissão de Monopostos: Nigel Mansell (ING), Karun Chandhok (IND) e Maria de Villota (ESP)
Comissão de Esportivos, Turismo e GT: Emanuele Pirro (ITA), Yvan Muller (FRA), Adrián Fernandez (MEX)
Comissão de Rali: Nasser Al-Attiyah (CAT), Marcus Grönholm (FIN) e Daniel Elena (MCO)
Outras categorias: Kenneth Hansen (SUE), Danilo Rossi (ITA) e Keiko Ihara (JAP)

 

Quem sabe o automobilismo não vira esporte olímpico? Pena que, no caso do Rio de Janeiro, é tarde demais... já destruíram o autódromo!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva