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Incompetência, impotência ou má vontade? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Sunday, 17 February 2013 20:39

 

Caros amigos, nas últimas semanas dois excelentes artigos foram publicados pelos nossos colunistas Fabiano Esteves e Robério Lessa. Ambos foram a inspiração para a minha coluna desta semana.

 

O jovem carioca Fabiano Esteves trouxe na última “Coluna Radar” o artigo sobre a existência de uma categoria até sua coluna completamente desconhecida do público Brasileira: a Toyota Racing Series, disputada na Nova Zelândia e que está com o campeonato, de cinco etapas, disputado no verão do hemisfério sul (inverno do hemisfério norte), abrindo assim a possibilidade de levar para lá pilotos de todo o mundo e que disputam campeonatos europeus, como os dois brasileiros lá presentes, Pipo Derani e Bruno Bonifácio.

 

Não consigo deixar de fazer um paralelo com o evento que ocorreu em Interlagos algumas semanas atrás chamado de “F3 Brazil Open”. A proposta é interessante: fazer um torneio com pilotos de qualquer lugar do mundo para disputar um conjunto de provas ao longo de um final de semana no autódromo de Interlagos.

 

Enquanto o torneio neozelandês atraiu este ano quase duas dezenas de pilotos, o evento realizado aqui no Brasil conseguiu alinhar apenas meia dúzia de monopostos. Será que a Nova Zelândia de Bruce McLaren, Denny Hulme e Chris Amon é tão mais atraente – e competente – que o Brasil de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna?

 

Como diz o nome do torneio, o mesmo tem o suporte oficial da Toyota, montadora japonesa que é a líder de mercado de vendas no país insular, com 20,8% do mercado, segundo a Motor Industry Association. De acordo com os dados do órgão privado neozelandês, a montadora japonesa vendeu 8.122 Corolla e 3.024 Hillux.

 

Enquanto a Toyota lidera o mercado na Nova Zelândia, ela ainda não conseguiu chegar perto da Ford, a quarta colocada em vendas no país, dona de pouco menos de 10% do mercado automotivo nacional. Apesar disso, a Toyota vendeu no Brasil em 2012 mais de 113 mil veículos, 12 vezes mais do que vendeu na Nova Zelândia! Corollas foram mais de 56 mil. Hillux foram quase 39 mil.

 

Enquanto o pequeno país de 269 mil quilômetros quadrados (território pouco maior que o do estado do Piauí – 251,5), e com uma topografia repleta de montanhas e escarpas, consegue realizar um campeonato com cinco etapas, com algumas provas em circuitos permanentes – FIA 3 – em ótimo estado de conservação, no Brasil fazemos o fiasco de alinhar seis carros para uma competição na mesma época do ano, nossos autódromos, salvo raras exceções, estão tecnicamente defasados e quando ocorrem corridas – exceção da F1, Stock e Truck – o público é pífio, ou inexistente.

 

Não tenho como não perguntar: Porque da Toyota não fazer um campeonato como este aqui no Brasil, com a estrutura que nós temos, que poderia ter provas em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, com distâncias não muito grandes e boas praças, com garantia de público, até mesmo excluindo Interlagos?

 

Mais ainda: Aproveitando o clima de verão, fazer corridas de rua nas capitais nordestinas e no autódromo do Eusébio, que poderia assim receber os investimentos que tem pleiteado e realizar a etapa cearense, além de provas em Natal, Recife e Salvador, que já realiza uma corrida em suas ruas. Será que isso não promoveria a marca no mercado nacional e aumentaria as vendas?

 

Certa vez, em uma entrevista, Nelson Piquet questionou porque não se faziam campeonatos de automobilismo no verão do hemisfério sul no Brasil. Além de estar certo – e os neozelandeses provam isso – já tivemos um bom exemplo de que isso pode ser feito e dar certo no Brasil.

 

Em 1970 aconteceu o torneio BUA de Fórmula Ford. Depois de ficar com seu principal autódromo fechado para reformas por dois anos e não ter contado com o apoio da montadora, com o suporte da empresa aérea britânica de da Rede Globo de Televisão, o torneio aconteceu, passando por quatro cidades (São Paulo, Curitiba, Fortaleza e Rio de Janeiro), com a participação de diversos dos melhores pilotos de categoria de base da Europa. Se deu certo uma vez, porque não pode dar certo novamente?

 

Será que é impossível convencer uma montadora a fazer um torneio como este? Será que não encontraremos quem patrocine um torneio assim, trazendo os pilotos das categorias de fórmula para correr em nosso país? A resposta talvez esteja no que escreveu nosso colunista cearense, o jornalista Robério Lessa, que denunciou que a GM, terceira montadora em vendas do país vai patrocinar em 2013 vinte campeonatos regionais... DE FUTEBOL!

 

Eu não posso acreditar que Carlos col, Antônio Hermann, Neusa Felix não sejam capazes de organizar um torneio de alto nível aqui no país, com suporte financeiro suficiente e que sejam capazes de atrair a atenção do público. Agora, como despertar o interesse deles? Talvez seja preciso o “algo a mais” que temos na vizinha Argentina, onde POR LEI, as montadoras instaladas em seu território tem que investir 2% de seu faturamento no desenvolvimento do esporte a motor!

 

Digamos que aqui fosse 1%. Com este dinheiro seria possível termos autódromos em condições de colocar o Brasil na rota de todos os campeonatos internacionais disputados pelo mundo. Teríamos como investir em categorias de base e formar pilotos com custos subsidiados pelo montante arrecadado.

 

Independente disso, a minúscula Nova Zelândia não tem as leis de incentivo da Argentina, não tem o mercado de consumidores do Brasil, mas consegue fazer com que uma montadora realize um campeonato por lá que poderia perfeitamente estar acontecendo por aqui. O que será que falta para os homens que fazem e dirigem o automobilismo enxergarem isso?

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Como é fácil ‘chover no molhado’, não? Gerhard Berger, há um ano e meio pela FIA como responsável pelo gerenciamento das categorias de base do automobilismo, “diagnosticou o problema” como sendo o excesso de campeonatos nas categorias de base. Para o austríaco, este excesso de categorias prejudica o desenvolvimento dos pilotos, pois há uma “dispersão de talentos”.

 

Acho que o austríaco – que viveu como uma eterna promessa da Fórmula 1, assinou bons contratos, correu em praticamente todas as grandes equipes de seu tempo e que nunca conseguiu sequer disputar o título – está esquecendo o mais grave dos problemas de hoje, que é o excessivo custo do esporte e que tem levado algumas equipes a fazer verdadeiros “leilões” pelos seus cockpits.

 

Alias, este “leilão”, na Force Índia, já ultrapassou as raias da sanidade há muito tempo. Quem ‘chutou o balde’ e ‘meteu a boca no trombone’ foi o espanhol Jaime Alguersuari. Piloto mais jovem da disputar um GP de F1, Alguersuari declarou que está fora do grid da categoria máxima em 2013 por falta de recursos para tentar um lugar em qualquer equipe. Como a vaga restante é a da Force Índia, que fez uma boa temporada em 2012 e que anda com a corda no pescoço, a guerra não está na casa dos milésimos de segundo, mas dos milhões de dólares.

 

O piloto espanhol seguirá sendo test-driver da Pirelli ao lado do brasileiro Lucas Di Grassi, enquanto Adrian Sutil e Jules Bianchi travam uma batalha pelo lugar de titular na equipe de Vijay Mallya. Mas agora um novo ‘candidato endinheirado’ surge nos boxes: Narain Karthikeyan... ao menos é o que diz a imprensa indiana, apesar de Mallya nunca ter dado uma chance efetiva a nenhum dos pilotos locais. Agora, para completar o cenário, o principal patrocinador da equipe teve parte das contas bloqueadas o que pode complicar ainda mais a vida da equipe.

 

Quem assinou contrato foi Antônio Pizzonia. O amazonense acabou não fechando para correr o mundial de endurance, mas vai correr o Grand American Series, mais conhecido como Grand-Am, na mesma equipe de Oswaldo Negri Jr, a MSR, chefiada por Michael Skank.

 

Pizzonia vai participar da categoria principal – a DP – mas em carros diferentes. Oswaldo Negri Jr. fará dupla com o americano John Pew, ao volante do carro nº 60, enquanto Antônio Pizzonia dividirá o carro nº 6 com o colombiano Gustavo Yacamán.

 

E neste final de semana o mais longo dos campeonatos de automobilismo do planeta, a NASCAR, fez uma prévia do que vem pelo ano em Daytona, com uma corrida “amistosa”, dividida em trê partes, que é dessas pra divertir a galera no final de semana que se faz a pole position (que ficou com a ‘marrentinha’ Danica Patrick). Se numa corrida que não valia nada, no meio da prova só tinham 12 carros na pista... imaginem o que vem por aí!

 

Para fechar o barraco, a Hispânia virou sucata! Os cinco carros da escuderia que foram usados em 2012 foram vendidos para um senhor chamado Teo Marin, proprietário de uma revenda de peças usadas e sucata! O empresário já disse que comprou os carros com intenção de revendê-los. Além dos carros de 2012, foram comprados dois carros de 2011 e outros dois de 2010. Os carros não tem mais os motores Cosworth e nem as caixas de câmbio, devolvidos à fábrica de motores e à Williams, respectivamente.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva