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Turismo: a nova fronteira PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Sunday, 10 February 2013 20:49

 

 

Caros amigos, como todos sabemos, há anos – décadas para falar a verdade – conseguir um lugar no grid da Fórmula 1 está cada vez mais difícil... e caro! Este ano, por falta de dinheiro, pilotos de valor tecnicamente comprovados e respeitados ficaram de fora do grid. Kamui Kobayashi, Vitaly Petrov, Reiki Kovaleinen, sem falar em Timo Glock, que ‘chutou o pau da barraca’ e rescindiu seu contrato com a nanica Marussia, certamente cansado de não ter chances de minimamente disputar corridas, quanto mais vencer.

Depois que assumiu a presidência da Federação Internacional de Automobilismo, Jean Todt – que foi um competente navegador de Rallies de velocidade nos anos 80 – depois de sua vitoriosa passagem pela Ferrari, ao contrário de seu antecessor o “ex-amigo” do bom velhinho, Max Mosley, que parecia ter olhos apenas para a Fórmula 1, e suas vias de ascensão, relegando as demais formas de automobilismo a um ‘segundo plano’, o francês roedor de unha (a ponto de usar fitas adesivas em torno dos dedos nos tempos de pit lane na ‘casa de Maranello’) mudou o foco:

 

Resgatou o Campeonato Mundial de Endurance, buscando reunir as principais provas do mundo, apesar de ter ‘pisado na bola’ retirando do campeonato as 12 Horas de Sebring. Enfrentou com sabedoria a crise no Mundial de Rally, estabelecendo uma parceria com a Red Bull que hoje, praticamente, banca o campeonato. Trabalhou para fazer com que o FIA GT, que era organizado pela SRO e que foi um fracasso em 2012 pela concorrência de campeonatos similares como o Blancpain buscasse uma união de regulamentos e um processo de fortalecimento que pode dar certo em 2013. Uma gestão que deveria servir de exemplo para todo dirigente que – ao menos acha – que se preza (isto não é uma indireta para o Sr. Cleyton Pinteiro: é uma DIRETA!).

 

Ao contrário da música do Caetano Veloso que somou dois mais dois e deu cinco, a conta de Jean Todt deu certo e os campeonatos ‘paralelos’ à Fórmula 1 vem ganhando força e importância, em especial o de Endurance, onde as fábricas investem pesadamente em desenvolvimento tecnológico a ser aplicado nos veículos de rua, coisa que um dia a Fórmula 1 fez e que há tempos deixou de fazer.

 

A “matemática de Todt” tem mais uma variável na equação: nos campeonatos de turismo e endurance corre mais de um piloto por carro o que significa que o investimento dos patrocinadores pessoais – aqueles que na grande maioria das vezes custeiam o salário do piloto e boa parte do ‘budget’ da equipe é menor (na verdade muito menor) do que o necessário para conseguir ‘sentar’ um jovem piloto no cockpit de um Fórmula 1.

 

Toda esta matemática acabou por abrir os olhos de quem teve as portas fechadas no caminho para o ‘pseudo-nirvana do bom velhinho’. O mundial de endurance está sendo o caminho natural de bons talentos que poderiam tranquilamente estar na Fórmula 1 como Alexander Wurz, Nicolas Lapierre, Nicolas Prost, Lucas Di Grassi, Antônio Pizzonia e agora Bruno Senna irão disputar o campeonato que inclui a mítica 24 horas de Le Mans.

 

Enquanto Lucas Di Grassi – até o presente momento – ficará limitado apenas às 6 horas de Spa Francorchamps e às 24 horas de Le Mans, correndo pela Equipe Audi-Joest (um desperdício de talento a meu ver), da ‘Protótipos 1’, o amazonense Antônio Pizzonia deverá disputar todas as provas na equipe HVM na ‘Protótipos 2’. Já o “sobrinho”, ficará um degrau abaixo, disputando na categoria GT, com a equipe Aston Martin. Sei que este parágrafo irritará muita gente, mas como dizia o Babysauro, daquela série de crítica muito inteligente, “não é a mamãe”, Bruno “não é o titio”.

 

Todos os três tem condições de fazer um bom papel nas respectivas categorias e mostrar para toda uma nova geração de pilotos brasileiros que ‘existe vida além da Fórmula 1, que um piloto pode vir a ter uma carreira de sucesso e vitoriosa longe dos monopostos. Está aí o Tom Kristensen que não deixa ninguém mentir.

 

Pelo mesmo caminho, mas por outra estrada – campeonato se assim o queiram – este ano pode ser o primeiro grande ano de Cacá Bueno como piloto internacional. Apesar de ter corrido por alguns anos na Argentina, convenhamos que ainda era algo “aqui do lado”, dentro do mesmo continente. Este ano, não: não apenas Cacá Bueno, mas também Matheus Stumpf irão correr no mundial de carros de turismo, uma fusão de regulamentos, uma aposta para dar certo. Serão seis etapas e Cacá corre na equipe BMW brasileira, sob o comando de Antônio Hermann.

 

O resultado do que pode vir a acontecer é imprevisível, mas pode vir a abrir uma nova possibilidade para uma geração inteira de pilotos brasileiros que buscam uma carreira internacional. Matheus Stumpf, um jovem talento que começou a vida ‘pagando pra correr’, mostrou seu valor e vai correr o FIA GT numa equipe estrangeira e o nove vezes campeão mundial de Rally, Sebastien Loeb também irá participar, com equipe própria. No Mundial de Ensdurance, já temos 41 protótipos inscritos para Le Mans. No FIA GT, 10 equipes com dois carros cada confirmados. E isso sem falar nos pilotos investindo no DTM... Abre o olho, brazucada. Nem só de F1 vive o automobilismo.

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

A primeira rodada de testes pré-temporada terminou na sexta-feira com Felipe Massa e a Ferrari andando na frente na quinta. Sinceramente, não lembro quantos anos faz que isso não acontece (Ferrari fazer P1 nos testes antes do campeonato), mas nestes testes tem muito jogo de esconde-esconde. O ‘saco’ é mesmo ler e ouvir as declarações dos pilotos. Palavras meticulosamente medidas, nenhuma informação relevante passada... tenho pena dos jornalistas que vão a estes lugares trabalhar e não conseguem nada. Deve ser frustrante.

 

Pior que isso só mesmo ler tratados de hipocrisia como o proferido pelo Chefe de equipe da McLaren, Martin Whitmarsh, dizendo-se ‘incomodado’ com a atual situação da F1 por esta estar atraindo nos últimos anos uma série de pilotos pagantes e, deixando de dar oportunidade à jovens talentosos, mas sem dinheiro para chegar nela.

 

“Pessoalmente, acho que é triste haver tantos pilotos pagantes na F1”, disse. “Os números cresceram, e enquanto tenho certeza que é bom e emocionante para quem pode pagar por uma vaga, você espera que na principal categoria do automobilismo não haja pagantes, e isso significa que alguns jovens pilotos profissionais, que não têm dinheiro, não estão chegando à categoria.” Que bonito, não? O que será que ele responderia se alguém perguntasse porque a equipe contratou o Sergio Perez e não o Kamui Kobayashi?

 

E como o café desta semana é mesmo sobre F1, o bom velhinho não podia ficar de fora, é claro. O tema da semana foi o pacto da discórdia, ops, concórdia, que todo mundo fala, mas ninguém assina. Primeiro o ‘homem’ foi conversar com os ‘donos da grana (Ferrari, Red Bull, McLaren e Mercedes) sobre o futuro – 2014 e a nova era turbo – e como manter o circo funcionando. Depois, foi conversar com “as outras”. No caso destas, a maior preocupação é sempre a elevação dos custos. Ou se chega a um ponto de equilíbrio, ou mais gente vai fechar as portas. A ‘última’ foi que a saída de Timo Glock da Marussia teve uma razão financeira: a equipe não ia ter como equilibrar o caixa com um piloto assalariado. Precisava de outro pagante!

 

E assim a ‘galinha dos ovos de ouro’ acabará morrendo.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva

 

 

 

 

Last Updated ( Sunday, 10 February 2013 20:57 )