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Written by Administrator   
Sunday, 27 January 2013 23:57

 

 

Caros amigos, uma das minhas bandas favoritas, os Titãs, tem uma música que fala: ‘A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte’. ‘A gente quer inteiro não pela metade’.

 

O senhor Cleyton Tadeu Correia Pinteiro foi reeleito presidente da CBA há dez dias e, assim como no final do ano passado, no início deste ano mais um piloto teve sua punição abrandada após julgamento do STJD (que manteve a punição dada inicialmente). Desta feita, Alceu Feldmann, que junto com Marcos Gomes foi envolvido na questão do doping na etapa da Stock Car no Velopark vai estar liberado para disputar, desde o início, qualquer campeonato de automobilismo que desejar e/ou seja convidado.

 

A pena de Feldmann foi reduzida de dois anos para nove meses – terminando assim no dia 6 de fevereiro de 2013 – e o piloto poderá voltar a competir no automobilismo brasileiro. Inclusive, Alceu Feldmann já assinou contrato com a equipe Full Time, onde será companheiro de Rubens Barrichello.

 

O acordo de um ano foi fechado antes mesmo da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) divulgarem o resultado do julgamento do último recurso interpolado por Feldmann, que aconteceu em 13 de dezembro. Feldmann foi punido em primeira instância – Comissão Disciplinar – por dois anos. Entrou com um recurso no STJD – a segunda e última instância – e foi novamente derrotado, tendo a suspensão mantida.

 

Devido as circunstâncias do caso (Alceu Feldmann recusou-se a fazer o exame antidoping), possivelmente sua punição teria sido mantida se não fosse a “jurisprudência” do “outro caso”, diagnosticado no mesmo evento: Marcos Gomes foi flagrado no antidoping, na mesma etapa do Velopark, com três substâncias proibidas no organismo (entre elas, maconha). Suspenso inicialmente por um ano, o filho de Paulo Gomes, que era diretor da CBA no primeiro mandato de Cleyton Pinteiro, teve sua pena reduzida para seis meses e voltou a competir ainda em 2012, na etapa de Curitiba do Brasileiro de Marcas, inclusive subindo ao pódio na segunda corrida da rodada dupla.

 

Juridicamente falando, a decisão sobre a punição à Marcos Gomes criou o que se chama de “atenuante relevante”, previsto no Artigo 112 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Os advogados de Alceu Feldmann entraram com o “instrumento”, que foi acatado pela auditora relatora do processo 09/2012, Andrea Cecília Kerr Byk Contrucci,

 

A pena aplicada a Alceu Feldmann foi então revista, sendo reduzida para um ano. O que só permitiria o piloto voltar a competir novamente a partir do dia 6 de maio. Contudo, a auditora relatora também autorizou a conversão de um quarto da pena de um ano em serviços comunitários (conveniente, não?) ficando o piloto incumbido de ministrar duas palestras mensais em escolas de segundo grau sobre segurança no trânsito. Feldmann vai disputar a temporada da Stock Car pela equipe Full Time, a mesma de Rubens Barrichello, mas sem usar as cores da farmacêutica Medley, que estará no carro do ex-piloto da F1.

 

Eu, pessoalmente, e o site, como veículo de mídia, não temos nada pessoal contra qualquer piloto, chefe de equipe, promotor de categoria ou dirigente esportivo do país, mas temos o dever de questionar as razões de certos procedimentos serem tomados, beneficiando uns e prejudicando outros. O reeleito presidente da CBA tem o dever de prestar satisfações à comunidade automobilística, mesmo ele afirmando que trata-se apenas de um representante dos presidentes das federações. Está faltando atitude – e há muito tempo – por parte do órgão máximo do automobilismo nacional!

 

O contraponto disto foi o que se viu e se leu no recente e emblemático caso do ciclista Lance Armstrong, que era visto como um herói por atletas e não atletas por ter vencido um câncer e depois disso conquistado, por sete vezes a competição mais relevante do planeta: a volta da França. Acontece que a WADA e a Comissão Anti Doping dos Estados Unidos, país de origem de Armstrong, foram às últimas instâncias, aos mais avançados recursos técnicos e científicos para provar que o superciclista era, na verdade, uma superfraude!

 

Por anos Lance Armstrong negou o fato, acusou a todos de perseguição, mas acabou sendo encurralado pela tecnologia e confessou, diante da TV para todo o mundo que fez uso de substâncias ilícitas para conseguir suas conquistas, que foram muito mais além do que as medalhas e prêmios. Sua fundação para o combate ao câncer arrecadou mais de meio bilhão de dólares até antes da confissão. A partir de agora, Lance Armstrong irá pagar pelos seus atos.

 

E o que fazer no caso dos nossos pilotos e dirigentes? Ninguém, absolutamente ninguém, pode ser condenado – por toda a eternidade – por um erro cometido, mas que as punições sejam exemplares, que a lisura dos processos seja extrema e aberta para que não haja especulação e sensacionalismo por parte da mídia, que os exames sejam constantes e que os atletas sejam conscientes.

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Enquanto diversos pilotos tentam angariar milhões e milhões de patrocinadores para tentar uma vaga na Fórmula 1, o alemão Timo Glock seguiu o caminho inverso: limitado pelo fraco equipamento da Marussia, o piloto que tinha contrato até 2014 rescindiu o mesmo e foi ‘cuidar da vida em outro lugar’.

 

Sem chances de fazer corridas minimamente decentes, Glock – após testes positivos ao volante de um carro da BMW do DTM – assinou contrato com a equipe para a temporada de 2013.

 

Quem também anda flertando com a categoria alemã é o polonês Robert Kubica. Recuperando-se do acidente de Rally que quase tirou-lhe a vida, o piloto já fez algumas provas de Rally em 2012, mas não andou em nenhum monoposto.

 

Assim como Alessandro Nanini, piloto da equipe Benetton que sofreu um grave acidente de helicóptero e teve o braço decepado – e reimplantado – disputou o campeonato mundial de carros de turismo WTCC com um carro adaptado. Alessandro Zanardi também participou do mesmo campeonato, mas com adaptação para a ausência das pernas. Kubica ainda está longe de estar recuperado, mas ter a chance de disputar um grande campeonato como o DTM pode, dependendo do desempenho, ser o caminho de volta à F1.

 

Quem também anda querendo voar alto em 2013 é Antônio Pizzonia. O amazonense espera fechar o acordo e está em negociações com a equipe Conquest, do Mundial de Endurance, categoria LMP2. Segundo o piloto, estar em boa forma e realmente ter gostado de pilotar o carro da Conquest pode até projetar outros passos. Pizzonia gostaria de ter alguns anos de experiência na LMP2 e, quem sabe, subir para a P1.

 

O dono da HVM, Keith Wiggins, confirmou as negociações com os brasileiros, porém afirmou que ainda não está próximo de assinar o contrato. “Nós estamos tendo conversas com Antonio, mas ambos os lados precisam de ajustes para fecharmos o acordo”, encerrou o dirigente. O “ajuste” passa pelos contratos de Pizzonia no Brasil. Caso assinecom a HVM, não poderá disputar a temporada completa da Stock Car, já que a segunda corrida de Brasília e de Curitiba e a etapa de Goiânia coincidem com as provas do WEC em São Paulo, Fuji e Xangai, respectivamente. Além disso, a etapa de Cascavel acontece no mesmo dia da apresentação das equipes para as 24 Horas de Le Mans.

 

E o bom velhinho, que não perde o nosso cafezinho, revelou que França e Portugal – com o circuito do Algarve – ainda tentam ser alternativas para sediar uma corrida ainda nesta temporada, o que pode preencher o calendário e deixar o Mundial com 20 etapas. A FIA, inclusive, na última reunião do Conselho Mundial em 2012, reservou a data de 21 de junho para um eventual novo GP.

 

E para fechar, um homem de coragem: Paulo Nobre, o ‘Palmeirinha’, piloto de Rally que em 2012 disputou o WRC foi eleito presidente da Sociedade Desportiva Palmeiras. Com o time sem dinheiro, disputando a segunda divisão do campeonato brasileiro e com uma torcida extremamente impaciente, o piloto, que deve ficar afastado das competições off road, tem pela frente uma planilha com mais ‘curecas’ do que ele já viu na vida!

 

A coluna deveria terminar com a brincadeira como Palmerinha, mas como fazer piada diante da tragédia ocorrida em Santa Maria?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva