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Acabou! Jacarepaguá: 1977 / 2012 PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Sunday, 28 October 2012 19:12

 

Caros amigos, foi – finalmente – decretado o fim das atividades no moribundo autódromo de Jacarepaguá.

 

Neste final de semana ocorreu a última etapa do Regional Carioca de Automobilismo, entre faixas, atos e discursos de protestos. Pergunto: quem viu? Quem ouviu? Quem se importou?

 

Estava no aeroporto da Pampulha, próximo da hora em que tomaria um avião em direção a São Paulo quando, todas as televisões do saguão transmitiam a cerimônia de escolha da sede para as olimpíadas de 2016. Como torci contra o Brasil e o Rio de Janeiro. Madrid estava com o projeto 75% pronto, era a escolha perfeita e, ainda por cima poderia dar uma sobrevida ao autódromo.

 

Interessante a entrevista feita pelo site, em um tempo em que eu era apenas um leitor como o amigo que está lendo as minhas linhas agora quando o Presidente da FAERJ, Djalma Faria Neves afirmou ter plena segurança de que o Rio jamais seria o escolhido e que o autódromo seria reformado para tomar seu traçado completo. Em que planeta este senhor vivia ou vive eu não sei.

 

Quando o Secretário Geral do COI falou “Rio de Janeiro”, larguei um PQP indignado. Indignada também ficou uma carioca que, olhando pra mim de cara feia, retrucou: “a olimpíada vai ser boa para o Rio, vai levar o metrô pra Barra [da Tijuca]”. Virei-me para ela e perguntei: a senhora realmente acredita nisso? Não falaram isso no Pan de 2007 também? E o que fizeram? Pintaram uma faixa azul no asfalto de algumas avenidas!

 

Os anos se passaram e tudo, como sempre quando se trata de obras neste país, arrasta-se a passos de tartaruga. O Ministério Público acatou alguns embargos para impedir “movimentos escusos” por parte da administração municipal até que foi assinado um acordo entre a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, a CBA e o Ministério doe Esportes em que ficou acertado – e assinado – que as obras de desativação do autódromo de Jacarepaguá só começariam quando fosse entregue ao município, à CBA e à FAERJ, um novo autódromo.

 

Uma área, no bairro de Deodoro, foi “cedida” para que se fizessem a nova praça de esportes. Foi apresentado um projeto... com traçado misto, com oval, com espaços para outros esportes... e nada. Foi apresentado um outro projeto, com uma pista em “oito”, com elevados, praticamente sem retas... e nada. Daí veio a notícia de que a área tem parte desta como região de preservação ambiental, de reserva de mata atlântica, mas o pior foi a notícia de que munição de morteiros e granadas não detonadas estariam no terreno, que era utilizado como campo de treinamento do Exército Brasileiro.

 

Para um prefeito que é capaz de “destombar” (isso mesmo... ele assinou um decreto anulando o tombamento do complexo esportivo do entorno do estádio do Maracanã) uma construção preservada para a história, com uma “canetada”, o que podemos esperar. Se bem que, ele – o prefeito – é uma marionete neste jogo de poderes que estão muito acima dele e que vão mesmo além do governo federal.

 

Quando aceitou receber o encargo de fazer a olimpíada – e a paralimpíada – o Brasil e a cidade do Rio de Janeiro aceitaram se submeter a todas as regras que estão sendo e ainda serão impostas com vem sendo no caso da copa do mundo (que nos comerciais é dita: “a copa do mundo da FIFA”, e não a copa do mundo do Brasil).

 

Assim, nos primeiros dias de novembro deveremos assistir pela televisão o Prefeito reeleito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, quem sabe o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, e até mesmo o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, cheios de orgulho, anunciando que estão começando as obras do parque olímpico para “as olimpíadas do COI”.

 

Que o exemplo da Russia, onde o autódromo faz parte do projeto do parque olímpico ou mesmo o de Montreal, onde o circuito faz parte de um parque que compôs a feira mundial e a olimpíada de 1976 sejam exemplos para que, em outros países absurdos como o que está acontecendo no Rio de Janeiro.

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Temos que dar os parabéns a Confederação Brasileira de Automobilismo pela excelente gestão de calendário. Neste final de semana ocorreu, na mesma área metropolitana, dois eventos de porte nacional, praticamente no mesmo horário.

 

Enquanto o Autódromo Internacional de Tarumã, na cidade de Viamão, recebia uma etapa do Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos, em conjunto com a F3 Sulamericana, em Nova Santa Rita, no Velopark, era disputada uma etapa do Mercedes Challenge, que deveria correr junto com a GT Brasil. Viamão fica na grande Porto Alegre e Nova Santa Rita a cerca de 30 Km da capital gaúcha.

 

Mas não é só a CBA que tem dado “derrapadas homéricas”. A organização da GT Brasil levou os carros da categoria para fazer uma “apresentação na Argentina”. Com alterações recentes nas leis de importação de veículos, em especial na lei de importação temporária, os carros saíram... mas estão sem poder retornar! Parados há algumas semanas na fronteira, existe o risco iminente de não acontecer até mesmo a etapa do dia 18 de novembro, programada para Campo Grande.

 

A importação temporária é um “artifício legal” que as equipes usam para driblar a pesada carga tributária brasileira. Assim, como era a lei, bastava o bem adquirido “dar uma voltinha” no Paraguai, na Argentina, no Uruguai... e voltar para mais um período de importação temporária. Caso o prazo vença, o bem pode ser confiscado pela Receita Federal.

 

Ele é brasileiro e não desiste nunca... Com o fim da Top Series (a CBA vai segurar as pontas e fazer as duas últimas provas do ano acontecer), eis que, para 2013, vem aí mais uma tentativa de Toninho de Souza (e esse cara sabe fazer as coisas, é só ninguém atrapalhá-lo), com o seu filho “de testa de ferro”, a Starpromo Produções e Eventos pretende vai realizar o “Endurance Series”. 

 

A princípio o calendário terá seis etapas, com corridas em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, no seguinte formato: São Paulo terá as 300 Milhas de Interlagos em março e a Interlagos 500, em agosto. O Rio Grande do Sul, os 500 Quilômetros de Guaporé (RS) em abril e as 3 horas de Tarumã em outubro e no Paraná, a volta da Cascavel de Ouro, em junho e as 500 Milhas de Londrina (PR), fechando o campeonato em dezembro. 

 

Serão quatro categorias nesta competição: a Categoria I, com protótipos GT2 e GT3, previstos nos padrões da FIA, admitindo também carros nacionais com motores acima de 2.500cc aspirados e também importados, além de carros das categorias Turismo Força Livre com motores acima de 2.000cc, com turbo.

 

A Categoria II, equivalente à GT4 FIA, com carros Turismo Força Livre com motores aspirados até 2.500cc ou turbo até 2.000cc e protótipos nacionais com motores aspirados até 2.500cc. 

 

A Categoria III, com os Turismo Força Livre com motores aspirados de 1.601cc a 2.000cc, além dos GT e esporte-protótipos nacionais com motores aspirados até 2.000cc.

 

E a Categoria IV, com protótipos e carros Turismo Força Livre com motores aspirados até 1.600cc. 

 

Sobre o GP da Índia de F1, uma corrida menos sonolenta... mas sonolenta. Incrível a enorme torcida pelo Alonso por parte dos que transmitiram a prova pela televisão. É a torcida para que tenhamos a decisão no Brasil. Com duas provas para acontecer (Abu Dhabi e EUA), há um sério risco de que Vettel, com o “novo furo” criado por Adrian Newey, possa conquistar o campeonato por antecipação.

 

Foi hilário ver os membros da equipe formando uma barreira humana para impedir que as pessoas vissem a asa traseira dos carros da Red Bull e conseguissem copiar mais uma solução genial do super projetista. Como tudo é possível e o Alonso parece ser o piloto mais sortudo do mundo, resta uma esperança para que a decisão seja por aqui.

 

E, pra finalizar, aquele asterisco que virou cancelamento no calendário da F1 para 2013 pode se transformar em alento. O diretor do autódromo de Paul Ricard, Stéphane Clair afirmou que o autódromo está buscando entar no calendário do próximo ano e assim completar 20 GPs, como quer o bom velhinho. O mais importante do comunicado é que eles estão dispensando qualquer ajuda governamental.

 

Tomara que dê certo... chego a ter calafrios em pensar numa volta a Magny Cours.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva 

 

 

Last Updated ( Monday, 29 October 2012 00:22 )