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Parabéns Campeão! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 10 September 2012 10:34

 

Caros amigos, assim como no mês passado eu baguncei a ordem das coisas no site, retardando a atualização da página e o envio da newsletter, este mês eu estou fazendo o contrario: antecipando a newsletter e as alterações na Front Page. O porque de tudo isso? Simples: o dia 10 de maio de 1972 foi um dia histórico e hoje, o dia que coincidiu com o dia da publicação da minha coluna, não podia deixar de homenagear o piloto que inspirou todos os brasileiros a querer se tornar um campeão de Fórmula 1: Emerson Fittipaldi.

 

Emerson respirou automobilismo praticamente desde o dia em que nasceu. Seu pai, Wilson Fittipaldi, era o radialista que transmitia pelas ondas curtas da Rádio Panamericana, a Jovem Pan, as corridas de Fórmula 1 para o Brasil. Na verdade, as transmissões do ‘Barão’, como Wilson era conhecido, antecederam a Fórmula 1. Ele estava em Bari quando Chico Landi venceu o Grande Prêmio de Bari, em 1948. Por mais que ele tentasse – e ele tentou... até um barco para seus filhos velejarem, comprou – manter seus filhos longe das pistas.

 

Ser piloto nos anos 60, se por um lado era relativamente fácil, por conta da efervescência do esporte e pelas corridas para estreantes, onde o candidato a piloto chegava com um carro, a cara e a coragem, era complicado, porque mesmo para pilotar um kart – que nos dias de hoje uma criança de 7 anos pode fazer – era preciso ter 18 anos. Candidatos a piloto haviam as dezenas... como se destacar? Era preciso ter algo a mais... e Emerson Fittipaldi tinha!

 

 

 

Do destaque e das vitórias no kart pela equipe Mini, que ajudou a fundar, com menos de 20 anos (ou seja, dois de automobilismo), foi protagonista na maior corrida do Brasil – as Mil Milhas – tendo sido traído nos minutos finais por uma falha elétrica boba, que o relegou a um amargo terceiro lugar. No pódio, o experiente Camillo Christófaro, vencedor da prova, consolou a jovem promessa: “não chore assim. Você ainda vai vencer muitas corridas na vida”. É, o velho Lobo do Canindé parecia um profeta aos olhos de hoje.

 

O surgimento da Fórmula Vê, logo em seguida, foi o que faltava para que Emerson Fittipaldi formasse a sua base como piloto antes do voo para a Europa. Mesmo sem Interlagos, fechado para obras, nos circuitos do Rio de Janeiro, contra pilotos que em nada deviam aos que corriam no velho continente, ao lado do irmão ainda consolidou-se como construtor, o que viria a ser seu grande desafio no futuro.

 

Ouvir os mais novos ou mesmo meus contemporâneos, fãs de automobilismo, falar em números para enaltecer os feitos dos pilotos A ou B sempre, invariavelmente, os feitos de Emerson Fittipaldi são esquecidos. Que feitos? Quanto tempo Emerson Fittipaldi levou para sair do cockpit de um Fórmula Ford para sentar em um de Fórmula 1? 15 meses! Será que algum piloto no mundo fez isso? Desculpem, eu não lembro, eu não conheço.

 

 

 

Emerson saiu do campeonato da Fórmula Ford, líder, para entrar no de Fórmula 3 já iniciado... e venceu-o! No ano seguinte, em seu quarto GP de Fórmula 1, foi guindado à condição de primeiro piloto da equipe Lotus, com a responsabilidade de ‘salvar’ o título de Jochen Rindt. Para isso, uma vitória ante as Ferraris, ante a Jacky Ickx, seria imperativa... e ele venceu!

 

Se a aposta de Colin Chapman em 1971 não tivesse sido o Lotus Turbina, mas o desenvolvimento do Lotus 72, Emerson Fittipaldi poderia ter sido campeão do mundo um ano antes, em 1971, mas aí não teríamos o televisionamento para as corridas como iniciou-se em 1972.

 

1972 que foi um ano mágico. Ano do primeiro GP do Brasil, mesmo extraoficial, mesmo disputado numa quinta-feira, não importava. Não importava nem mesmo a quebra da suspensão traseira que nos fez assistir uma vitória de Carlos Reutemann ao invés da de Emerson... mas antes quebrar numa prova que não valia pontos do que numa durante o campeonato!

 

 

 

Um campeonato com 5 vitórias, um campeonato com verdadeiras aulas de pilotagem. Um campeonato que os adversários foram abatidos um a um, com ultrapassagens sensacionais, com experimentos em treinos inusitados e até mesmo com um ataque de suco gástrico... pobre Jackie Stewart. O super campeão da época foi impotente para deter o surgimento de uma nova estrela no automobilismo mundial.

 

A quinta e consagradora vitória em Monza, no dia de hoje, 10 de setembro, que a televisão não transmitiu – absurdo – para o país, mas que por conta disso – e felizmente por isso – foi acompanhada pelo rádio com a narração de seu pai, Wilson Fittipaldi, o Barão. E que narração. Não consigo imaginar qual seria a emoção de um pai narrando uma corrida dessas e, pelo que ouvi até hoje, nada de ufanismos, nada de “melhor de todos os tempos”. O Barão foi elegante e profissional como um nobre!

 

 

 

É por isso Emerson, que quero agradecer antes de dar os parabéns pelos quarenta anos deste título histórico. Seu feito foi muito maior que o troféu recebido, que o beijo da Maria Helena no pódio, que a emoção de seus pais. Você, naquele dia foi o Brasil inteiro no alto daquela tribuna. Todos nós envergamos aquela coroa de louros e bebemos daquele Champagne. Graças à sua capacidade, ao seu talento, ao seu feito, somos o que somos nas pistas do mundo.

 

Muito obrigado e parabéns, Campeão!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva

 

p.s. Hoje não tem cafezinho, tem bolo e champagne!

 

 

Last Updated ( Monday, 10 September 2012 10:47 )