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Written by Administrator   
Monday, 03 September 2012 02:06

 

 

Caros amigos, após o drama em família vivido no retorno do carnaval deste ano, eis que a nossa vida começa a voltar ao normal, com direito a novidades.

 

Temos agora em nosso convívio um autêntico representante da “cultura Ianque” na coturbada cidade de Contagem, na grande Belo Horizonte. Mark, um jovem de 15 anos (e meio como ele faz questão de dizer) veio morar por seis meses na casa do meu primo, nosso colunista, Mauricio Paiva, em um destes programas de intercâmbio. Em janeiro, meu sobrinho, Maurício Junior irá morar pelo mesmo período em Nova Jersey.

 

Eu sabia do intercâmbio, mas não tinha conhecimento da localidade onde o adolescente morava. Quando ele falou no domingo passado de onde era, aproveitei o churrasco dominical para bombardeá-lo com perguntas sobre esportes – algo que costuma ser um assunto de interesse nesta idade – e em especial sobre automobilismo.

 

Acabei descobrindo um aficcionado pelas corridas – e agora mais um leitor do site dos Nobres do Grid no sardento Mark. Fã da NASCAR e do Dale Jr (isso é que é chover no molhado), ele falou sem parar por uma hora sobre carros, circuitos (ovais) e estatísticas, tropeçando nos pronomes e tempos verbais do nosso difícil idioma.

 

Ele até interessou-se em saber um pouco mais sobre “Nelson Jr”, que decidiu ir correr na ‘Truck World Series’ quando este chegou lá e eu disse que o brasileiro corria o campeonato mundial de Fórmula 1 antes de entrar para a NASCAR. Ele disse saber sobre a Fórmula 1, mas que nunca assistira uma corrida da categoria e nem sabia exatamente que eram os pilotos.

 

Isto me lembrou um fato inusitado que ocorreu em 2004, quando Michael Schumacher conquistou o seu sétimo título mundial e quinto consecutivo na Fórmula 1. Eu assistia uma prova da NASCAR quando um dos comentaristas (é interessante ver os comentaristas de lá transmitindo as provas. Eles parecem conversar animadamente entre eles e com que os assiste. Alguém imagina o GB fazendo isso?) comentou a notícia na transmissão e o outro comentarista falou: eu não conheço este Schumacher, mas o que eu soube dele me leva a crê que ele é tão bom quanto o Tony Stewart...

 

Parem o mundo que eu – e o Raul Seixas – queremos descer!!! Que é Tony Stewart?!?! Ok, a maioria de nós, que é apaixonada e acompanha o automobilismo, sabe quem é o Tony Stewart, que é um grande piloto da NASCAR, etc. Mas comparar o cara com o Michael Schumacher (pior, no caso, foi o contrário) é um impropério esportivo de dimensões cavalares... mas bastante compreensíveis.

 

 

Os americanos não tem muita noção, por ignorância ou por falta de interesse – do que acontece fora de suas fronteiras. Se nas escolas eles aprendem o nome de todos os presidentes dos Estados Unidos, a grande maioria deles não sabe quem é o primeiro ministro da França ou o (no caso a) chanceler da Alemanha. Para os americanos, eles são o centro do mundo!

 

Assim, além da Truck – bem como toda a NASCAR – outros campeonatos de diversos esportes levam em seu bojo a classificação interna de “world series”, ignorando completamente outros até mais importantes, realizados em todos os continentes. Isso poderia ser uma explicação para todo o histórico de insucessos da Fórmula 1 na tentativa de estabelecer-se nas terras do ‘Tio Sam’?

 

Para nós, brasileiros, a ligação entre a Fórmula 1 e o Brasil é grande e importante. Foi em Watkins Glen, 1970, que Emerson Fittipaldi conquistou seu primeiro GP da categoria, ao volante de uma Lotus – ainda vermelha e branca. Também foi lá que, quatro anos depois, sagrou-se bi campeão do mundo, correndo com a McLaren. Também foi nos Estados Unidos que Nelson Piquet conquistou sua primeira vitória, em 1980, e viria a sagrar-se campeão do mundo, um ano depois.

 

 

Contudo, as provas de rua dos diversos circuitos traçados (Long Beach, Detroit, Las Vegas) e até mesmo quando levaram a categoria para correr no mítico Indianápolis Motor Speedway a coisa não deu certo... se bem que, aquela corrida com apenas 6 carros e aquele final “deixa que eu deixo” entre Michael Schumacher e Rubens Barrichello, digno da vaia que os espectadores deram à cerimônia do pódio.

 

Este ano, em novembro, teremos a inauguração do “Circuit of America”, em Austin, no meio do nada... mas se os americanos fizeram uma cidade inteira no meio do nada e ela deu certo (Las Vegas), o circuito, em teoria, também pode dar. Mas o sonho do bom velhinho sempre será o da corrida em Nova York.

 

Digamos que ele “chegou perto”, com os planos para a prova em Nova Jersey, perto da casa do Mark, que para a minha surpresa disse que ninguém fala sobre isso na cidade. Não era bem isso que Bernie Ecclestone queria. Ele certamente sonhava com os carros rasgando a 5ª avenida, contornando a Times Square e passando em frente aos teatros da Brodway. Como não foi possível, pelo menos ficará perto, do outro lado da ponte.

 

A pergunta é: será que desta vez a Fórmula 1 conseguirá ‘fincar sua bandeira’ no território americano? Acho difícil, mas tomara que sim... com ou sem Bernie!

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

A vigésima edição do Rally dos Sertões foi diferente. A começar pela largada, que deixou de ser em Goiânia. Para mim, um justo castigo aos desmandos que acontecem no automobilismo de lá. Quem sabe algo muda. Depois, pelo menos nos carros, bem que a brazucada tentou, mas era quase impossível deter o Mini All4 de Stéphane Peterhansel e Jean Paul Cottret, vencedor do “DE CÁ” 2012.

 

O piloto francês esbanjou simpatia. Agradeceu a todos por tudo, elogiou a todos por tudo e já se candidatou a voltar no ano que bem. Se bem feito, o Rally dos Sertões pode perfeitamente fazer parte do grande circuito de Raids em torno do mundo. Já se tentou isso antes, mas agora, com o Brasil mais e mais em evidência, é uma oportunidade a não se perder.

 

Se mesmo com todos os recursos do KERS, da asa móvel, dos pneus de farinha da F1 algumas corridas precisaram de doses generosas de café nas manhãs de domingo, a corrida de hoje na Bélgica deve ter exigido um chazinho de camomila para alguns espectadores. Não deu nem pra piscar os olhos. Foram 44 voltas de adrenalina pura... e na largada então, com direito a overdose!

 

Em mais uma daquelas que ele já aprontou este ano, Romain Grosjean simplesmente extrapolou. O francês fez um verdadeiro ‘strike’ no pelotão da frente do grid e acabou com a corrida dos carros de Peter Sauber, além de tirar Fernando Alonso e Lewis Hamilton, voando sobre todo mundo.

 

O acidente poderia ter sido um verdadeiro desastre, ao ponto das rodas da ‘Nega Genii’ número 10 terem passado diante dos olhos do espanhol da Ferrari. O resultado disso foi uma dura punição ao piloto do time sem identidade: Grosjean está suspenso da prova de Monza e todos os olhos estarão sobre ele até o final da temporada.

 

 

Quem também aprontou – novamente – foi o nosso querido ás do volante, Pastor Maldonado. Depois de uma queima de largada absurda, o venezuelano, na relargada, tratou bater em mais gente. Resultado: duas punições, além da recebida após a classificação, por ter atrapalhado Nico Hulkemberg. Agora, o Schumacher, que atravessou-se perigosamente na frente de Sebastian Vettel para entrar nos boxes ninguém pune...

 

Na GP2, palmas para os brasileiros na corrida do sábado. Luiz Razia fez uma corrida sensacional e manteve-se líder do campeonato (por uma vitória) depois de largar em 18º lugar e Felipe Nasr conseguiu chegar em 8º pra largar na pole no domingo. No caso de Razia, o acidente e a bandeira vermelha ajudou muito, mas não se pode desprezar seu talento.

 

 

Já no domingo, uma má largada dos dois, com Nasr bloqueando Razia, levou o líder a abusar nas primeiras curvas. Querer tracionar com as 4 rodas na grama é demais, não? Para sorte do brasileiro, quando ele rodou, acabou atingindo justamente o Davide Valsecchi e com isso, os dois foram para o final do pelotão, terminando a corrida fora dos pontos. Nasr, que andou em 3º a prova toda, fez uma ultrapassagem de mestre sobre James Calado na última curva para conquistar a 2ª posição.

 

E o Barrichello, heim? 4ª lugar semana passada, 5º colocado neste domingo, conversas com a Ganassi... está na hora do brasileiro cair na real e se preparar para uma grande temporada no ano que vem nos Estados Unidos, sem dar ouvidos aos ufanismos que se ouve na TV.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva

 

 

 

Last Updated ( Monday, 03 September 2012 02:18 )