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Novamente o doping PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 27 August 2012 02:43

 

Caros amigos, vejo-me quase obrigado a voltar a alguns assuntos que considero extremamente desagradáveis em vista dos fatos que vimos nesta última semana no noticiário esportivo.

 

Um dos maiores heróis do esporte nos últimos anos caiu em desgraça por conta da constatação do doping. Lance Armstrong era considerado um dos maiores exemplos de superação de todos os tempos no esporte mundial. Diagnosticado com câncer nos testículos (perdoem-me a ignorância os médicos e os ciclistas de alta performance, mas aquela posição naquele selim não poderia ter contribuído para o surgimento e desenvolvimento da doença?), o ciclista norte americano tratou-se, recuperou-se e retornou ao esporte para conquistar um dos maiores feitos possíveis em sua atividade, vencendo por sete vezes consecutivas uma das provas mais difíceis e famosas do ciclismo (quiçá a mais): a volta da França.

 

Por anos acusado de doping, o atleta sempre negou o uso de substâncias ilícitas, contudo, o diagnóstico da substância EPO, esteroides e transfusões de sangue, mesmo anos após suas conquistas foi discutido e rediscutido até que um veredicto foi pronunciado. Todas as contra argumentações do ciclista caíram por terra (Lance simplesmente afirmou ter desistido de lutar por sua inocência) e ele teve seus títulos cassados, seu nome – literalmente – arrancado do “olimpo” do esporte e jogado na sarjeta.

 

Este não foi o primeiro norte americano a cair em desgraça devido à constatação de doping neste ano. Alguns meses atrás, o piloto da NASCAR, A. J. Almendinger, da equipe de Roger Penske, teve seu exame apontado como positivo. Imediatamente afastado das competições pela própria associação da categoria – independente de qualquer ação da USAC, a “CBA” dos ‘Ianques’ – o piloto, a equipe e a categoria ficaram no aguardo do exame de contraprova, o que lá nos Estados Unidos  é solicitado pelo atleta.

 

Eis que o exame feito com a chamada “amostra B” também acusou a presença de uma anfetamenia, substância proibida pela WADA – Agência Internacional Anti Doping – e pela categoria (em alguns esportes profissionais americanos, como o Basebol, algumas substâncias proibidas pela WADA são livremente usadas). A. J. Almendinger está afastado das competições, teve seu contrato rescindido com Roger Penske e agora, para conseguir voltar as competições certamente terá que passar por enormes provações até voltar – se voltar – a figurar entre os pilotos da categoria.

 

Tudo acima posto, voltemos nossos olhos para o mais recente caso de doping constatado no nosso automobilismo: Marcos Gomes.

 

O filho mais novo de uma das lendas do nosso automobilismo, Paulo Gomes, foi diagnosticado positivamente na etapa do Velopark (a primeira etapa do ano) do campeonato brasileiro da Stock Car. Preventivamente suspenso algumas semanas atrás, teve sua pena divulgada antes da etapa de Salvador. O piloto está suspenso por um ano pelo uso da substância... mistério! A Confederação Brasileira de Automobilismo não divulgou (sabe-se lá por qual motivo) qual substância foi encontrada no exame de Marcos Gomes.

 

Quando foi entrevistado pelo site dos Nobres do Grid, cerca de um ano atrás, o presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Sr. Cleyton Pinteiro, declarou que agiu errado no caso da constatação do doping do piloto Tarso Marques. Que fizera o que fez no intuito de “proteger o piloto” e que não voltaria a fazer isso novamente. Mais do que escrito, temos este depoimento gravado.

 

Vemo-nos na obrigação de questionar – mais uma vez – as atitudes do sorridente presidente uma vez que elas vão de encontro ao seu discurso. Este tipo de atitude abre precedente para qualquer tipo de questionamento, até mesmo se seria o caso da não divulgação da substância passar pelo fato do pai do piloto fazer parte da diretoria da entidade.

 

Por outro lado, não tenho como não questionar a estes esportistas que cospem e rasgam os preceitos fundamentais da lisura e da boa conduta que deve ter um atleta, sendo exemplo e espelho para a sociedade e para crianças e adolescentes que os tem como ídolos e referência. Será que vencer – a qualquer custo – é tão mais importante do que ter a consciência tranquila – e o corpo ‘limpo’ – para saber que, independente do resultado obtido ele deu o melhor de si para obtê-lo?

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Há algo de podre (parece que sempre há, na verdade) no reino do Tio Sam. Tom Cotter, presidente do GP da América, prova que será disputada nas ruas de Nova Jersey e estreará no calendário da F1 no meio de 2013, renunciou a suas funções e deixará de exercer o cargo no fim deste mês.

 

Cotter explicou que deixou o cargo, que ocupava desde janeiro de 2012, para poder dedicar mais tempo a outros negócios com os quais está envolvido. O dirigente fez questão de deixar claro que sua saída não tem relação com possíveis problemas enfrentados pela organização, como Bernie Ecclestone, o todo-poderoso da F1, sugeriu recentemente.

 

Todos sabem que lidar com o bom velhinho, o mandachuva da Fórmula 1, nunca foi tarefa fácil e que, apesar dos americanos não darem muita bola para o que acontece fora de seu território, o grande sonho da categoria, desde antes do Bernie mandar em tudo e em todos é se estabelecer no maior mercado livre de consumidores do planeta. Aí tem!

 

Na próxima semana vai acontecer a etapa brasileira do Campeonato Mundial de Endurance, nos dias 12 a 15 de setembro, no autódromo de Interlagos. Os carrões, a fina flor da tecnologia (comparável até com a Fórmula 1).

 

Para felicidade geral dos brasileiros que acompanham o automobilismo, teremos para esta prova a presença de seis pilotos nacionais envolvidos na disputa. Chico Longo correrá com uma Ferrari 458 ao lado de Xandinho Negrão e Enrique Bernoldi na categoria GTE-AM, e sem seu habitual companheiro, Daniel Serra. Fernando Rees e Jaime Melo (GTE-PRO) já disputam nesta categoria o campeonato regularmente, mas vai ser na Audi, com reais chances de vitória que estará Lucas Di Grassi, correndo em um Audi da categoria 1 dos protótipos, ao lado do escocês Alan McNish e do dinamarquês Tom Kristensen, oito vezes vencedor das 24 horas de Le Mans.

 

O nosso grande campeão, Emerson Fittipaldi, é o grande responsável pela vinda da categoria para o Brasil. Infelizmente não temos mais o nosso espetacular Interlagos com 8 Km de extensão para uma prova como esta, que seria algo espetacular, mas mais espetacular seria se tivermos um público que tome as arquibancadas e faça-nos reviver um pouco da atmosfera que se viveu nos anos dourados do nosso automobilismo com as provas de longa duração. Que se consiga fazer um grande trabalho de divulgação, que os amantes da velocidade estejam presentes e que tenhamos a corrida nos anos seguintes!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva