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60 vezes Piquet! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 20 August 2012 16:12

 

 

Caros amigos, nesta semana que passou, atrasei a publicação da newsletter por um simples motivo. Simples? Não... acho que usei a palavra errada. Melhor dizer, por um ótimo motivo. Foi para comemorar o aniversário de 60 anos do piloto que me iniciou na paixão pelo automobilismo: Nelson Piquet Souto Maior.

 

Eu era muito pequeno quando o Emerson Fittipaldi e o José Carlos Pace corriam. Ainda cheguei a ver o Emerson naquela Copersucar amarela “comemorar” uns parcos pontos, mas foi em 1980, entrando na adolescência que vi surgir o maior piloto do mundo (pelo menos pra mim).

 

A admiração virou paixão e a paixão me levou a descobrir coisas sobre aquele piloto que me fizeram ainda mais fã.

 

Ele trabalhou como mecânico, ficava no fundo de uma oficina, limpando peças e aprendendo quando ainda era um moleque como eu. Era filho de um médico. Se não era rico, tinha uma casa bem estruturada. Era,  quando comecei a vê-lo correr, um piloto diferente, mas um cara que podia ser eu ou qualquer um dos leitores que acessam o site dos Nobres do Grid, mas não. Aquele cara era um herói... perto dele eu era um “Mané” como tantos que existem no mundo e como tantos que ele fez passar vergonha nas pistas, como o Chico Banana e o Leão Manco.

 

 

 

Ele era capaz de inventar coisas para seus carros que ninguém antes pensara. Quando criou o sistema de alavancas de controle das barras estabilizadoras e instalou isso no seu Ralt de Fórmula 3, nem a Fórmula 1, o top da tecnologia tinha algo parecido.

 

Quem fala hoje de aquecimento de pneus, Nelson foi mais além: aquecia o carro todo, deixando-o dentro de uma barraca de camping com aquecedores onde, além de aquecer os pneus, aquecia todos os fluidos do carro, além do assento, algo muito útil no frio da Inglaterra.

 

Quando chegou na Europa, era praticamente um piloto pronto, depois de disputar a Fórmula Super Vê aqui no Brasil, com um esquema amadoresco, que incluiu uma inusitada passagem onde as peças de seu motor de competição foram parar no motor da velha Kombi para que ele conseguisse chegar no autódromo... e ainda ganhou a corrida.

 

 

 

Na Inglaterra, fez de tudo contra Ron Dennis e sua ‘super british’ Project Four, que tinha um brasileiro como piloto, contando com todo o apoio da mídia. Certamente o cerne do desprezo que o futuro tricampeão viria a nutrir pela imprensa nacional. Ao contrário de outros, Nelson não estava “nem aí” para o que os compatriotas falavam ou escreviam. Seu foco era outro!

 

Não bastasse isso, foi de sua cabeça que saíram ideias surreais, como trocar o espelho do manômetro com o que calibrava os pneus do seu carro, driblando os ‘espiões’ que procuravam de todas as formas encontrar uma maneira de derrotá-lo... e como foi difícil fazer isso. Foram 11 vitórias em 15 provas (Piquet não disputou todas as corridas da temporada... por um bom motivo: ia estrear na Fórmula 1!). Proporcionalmente, nenhum piloto até hoje venceu tanto na categoria.

 

Depois de algumas corridas por nanicos times privados, com carros defasados tecnicamente, atraiu os olhares da maior ‘raposa’ de todos os tempos: Bernie Ecclestone, na época, dono da Brabham. Uma equipe que nasceu de seu dono, Sir Jack Brabham, que conquistou dois títulos nos anos 60, mas que ao longo da década de 70 não conseguia mais do que vencer algumas provas, mesmo contando com pilotos como José Carlos Pace, Carlos Reutmann e – quando Piquet chegou à equipe – Niki Lauda, que foi levado para o time fará fazê-lo grande, fazê-lo campeão... e não conseguiu. A Brabham era uma equipe de média pra grande, mas não uma equipe campeã.

 

 

 

Na temporada e 79, míseros 7 pontos conquistados... 4 de Lauda, 3 de Piquet e a emissora que transmitia a Fórmula 1 desistiu de transmitir as corridas por “não haver mais brasileiros em condição de vencer”, segundo os diretores da mesma. Uma das decisões mais equivocadas que poderiam tomar. Era o mesmo grupo que suprimia das manchetes as vitórias na Fórmula 3 em detrimento do outro brasileiro, que ganhava manchete chegando em terceiro. Ah, se arrependimento matasse...

 

Com as provas transmitidas pela TV Bandeirantes, Piquet venceu... três vezes! Foi ao pódio por seis vezes e foi até o final da temporada na disputa pelo título... terminou com o vice campeonato e começava com ele, e não com Lauda, o renascimento da Brabham. No ano seguinte, e nos anos seguintes, veio o troco... no melhor estilo Piquet. A antiga dona das imagens voltou a transmitir as provas e ganhou o devido tratamento. Nelson falava com os jornalistas italianos, depois com os ingleses e por último, com os brasileiros!

 

E foi justamente em 1981 que veio o primeiro título. Com sofrimento, agonia, emoção e controle. Como ele controlou Carlos Reutmann durante a prova. Acelerou sob o calor do deserto quando foi preciso. Poupou o carro quando foi possível e, por um ponto, reescrevia o nome do Brasil no hall dos campeões. Mas aquele título, quando perguntado a quem dedicava, deu aquela resposta “Piquetriana”: “dedico a mim mesmo, pô. Fui eu quem ganhei!” Nada de sorrisos pasteurizados, declarações meticulosas e palavras pensadas, quase ensaiadas. Isso não seria “ser Piquet”.

 

 

  

Ah, e como Piquet foi Piquet... Nenhum piloto na história conseguiu chegar perto do feito de Juan Manuel Fangio (Ser campeão na Fórmula 1 com quatro carros diferentes), exceto Nelson Piquet. Sim, porque a Brabham de 83 era um carro completamente diferente do carro de 81. Depois do título, Bernie Ecclestone viu que o futuro estava nos motores turbo e ficaria cada vez mais difícil vencer os carros que usavam estes motores. Em 82, Piquet testou mor mais de 60 mil Km o motor da BMW. A Renault já usava estes motores desde 1977. A Ferrari, desde 1979... mas quem foi o primeiro a ser campeão com um motor turbo?

 

Claro que este título, como os outros, com direito a “coisas do Piquet”, como treinar em Zeltweg sem as 3 primeiras marchas do câmbio para deixar o carro mais leve, colocar as rodas do carro 1 polegada mais pra dentro e fazer dois retrovisores de ‘Araldite’, para a prova de Monza e deixar o carro 12 Km mais rápido em reta... e como Monza tem reta! Fechando com chave de ouro com a estratégia de pit stops para a prova de Kayalami.

 

Qual foi o piloto de Fórmula 1 que precisou “derrotar a própria equipe” pra ser campeão do mundo? Só Nelson Piquet, que derrotou a empáfia de Patrick Head e seu pilotinho bigodudo para sagrar-se tricampeão do mundo e virar as costas para eles, levando o motor Honda debaixo do braço.

 

 

 

Piquet venceu a tudo e a todos, venceu a curva Tamburello, que o deixou – segundo suas palavras – um segundo mais lento e sem senso de profundidade para fazer as curvas. Venceu a curva 4 de Indianápolis que quase o matou, quase arrancou-lhe o pé e que teve que encará-lo no ano seguinte. Venceu como empresário de sucesso, venceu como pai de 7 filhos, três deles pilotos. Venceu por ser autêntico, direto e sem papas na língua. Pessoas como você, Nelson Piquet, fazem falta aos grids de hoje! Feliz aniversário.

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

E para comemorar os 60 anos do Pai, Nelsinho Piquet correu com o capacete pintado como nos tempos de Fórmula Super Vê, com o Piket, com K. O carro também tinha o Piket com K e nestas horas, é difícil não acreditar que realmente os ‘Deuses da Velocidade’ existem. Na disputa pela ponta no super oval de Michigan, Nelsinho rodou... mas não bateu. Foi para os boxes e teve que mudar a estratégia. Caiu para o 20º lugar. Passou por 13 adversários e quando os da frente pararam nos boxes, assumiu a ponta para vencer sua primeira prova em oval pela Truck Series. Mais um passo rumo a NASCAR Sprint Cup, mais uma marca com o nome Piquet.

 

Enquanto o autódromo de Nurburgring não vira o parque olímpico para 2020 (não sei de onde o meu primo tirou essa ideia...), o DTM correu mais uma etapa. Mais uma vitória da BMW num campeonato bem equilibrado. Em 6 provas, 3 vitórias da Mercedes, 2 da BMW e 1 da Audi. Farfus, o brasileiro da categoria terminou em 10º e está em 9º no campeonato.

 

 

 

E o Valentino Rossi, heim? Trocando um salário de 18 milhões de Euros por um de “apenas 4”, ir na condição de segundo piloto e retornar para a Yamaha de Jorge Lorenzo. Alguém tem dúvidas de que a vida do espanhol vai ser um inferno em 2013? Como uma vez mesmo estampou na camiseta do último título, o showman vai mostrar que ‘galinha velha ainda dá bom caldo’.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva

 

 

Last Updated ( Monday, 20 August 2012 16:53 )