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Meu balanço olímpico PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Monday, 13 August 2012 20:37

 

 

Caros amigos, ontem encerrou-se mais uma edição das olimpíadas da era moderna e agora, todos os olhos da comunidade olímpica estão voltados para o Rio de Janeiro... preparemo-nos para ter mais uma linha de frente nas críticas ao andamento das obras como temos visto e lido sobre as obras da copa.

 

Os ingleses fizeram os primeiros “jogos verdes” da história. Ganharam este título porque os conceitos de sustentabilidade foram usadas em todo o projeto de reestruturação da zona leste de Londres, antes uma área abandonada, agora uma região bonita, arborizada e habitável.

 

Já os brasileiros ainda não sabem nem como será a Vila dos Atletas, mas já sabem onde ela e a maior parte das instalações ficarão: na caríssima e imobiliariamente especuladíssima Barra da Tijuca. No caso da vila olímpica, a mesma ficará na avenida Salvador Allende e deve ter 47 prédios, mas ainda não se tem certeza de como serão, de quantos pisos são necessários, embora cada edifício não deva ter mais do que 12 andares. Como as habitações não serão todas iguais, umas com dois quartos, outras com três e várias com quatro, o projeto final não está pronto, quando já poderia estar. Estes apartamentos, claro, deverão ser vendidos como foram os da vila do Pan... esperemos que com menos problemas como os que lá apareceram de consolidação do terreno, rachaduras, obras inacabadas... A terraplenagem deve começar até o final de setembro, mas a construção não terá início em menos de um ano.

 O projeto vencedor do parque olímpico do Rio de Janeiro. Após os jogos, parte das instalações saem e entram prédios.

 

 

Sobre o “Parque Olímpico” já falamos tanto que o amigo leitor nem deve aguentar mais, mas esta semana descobri mais uma: a área onde está o moribundo autódromo que em breve desaparecerá, originalmente localizado no bairro de Jacarepaguá foi ‘teleportado’ para a a Barra da Tijuca. Assim, o IPTU sobe abruptamente e, depois que o espaço for loteado para as construtoras fazerem os condomínios o município arrecadar mais. A propósito, do suposto autódromo de Deodoro ninguém falou mais nada, não é mesmo?

 

Num ótimo exemplo de ‘espírito olímpico’, Londres já se dispôs a ajudar os cariocas a organizar a Olimpíada, já que lá os cronogramas foram cumpridos e o orçamento não estourou. As principais arenas custaram cerca de 5% a menos do que o previsto. Aqui, 29 bilhões de reais foi o valor previsto quando da apresentação da candidatura carioca ao Comitê Olímpico Internacional, contudo, Henrique Meirelles, presidente do Conselho Superior da Autoridade Pública Olímpica já trabalha com outro número, mas prefere não revelar a nova cifra, assim como Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB e do Comitê Organizador do Rio-2016, que quer “evitar precipitações”. Precipitado não teria sido o comitê de candidatura que apresentou um orçamento defasado? Pelo sim, pelo não, mais realista, Márcio Fortes, que preside a APO, já declarou que o valor será superior a 40 bilhões de reais. Trabalha-se, nos bastidores, com a possibilidade de superar os 50! Dá pra imaginar aonde isso vai parar? A última referência é apavorante: o Pan de 2007, cuja previsão de gastos era pouco superior a 400 milhões de reais, terminou com uma fatura de quase 3,8 bilhões, ou seja, praticamente dez vezes mais que o estipulado.

 

 

Carlos Arthur Nuzman e Marcus Vinícius. Para eles, tudo está sempre bem, mas a verdade está muito longe disso. 

 

Os jogos terminaram e as “Polianas do COB” comemoraram o recorde de medalhas e “o melhor desempenho do Brasil na história dos jogos”. 17 medalhas, 3 de ouro, 5 de prata e 9 de bronze a um custo de quase dois bilhões de reais de investimento nestes últimos quatro anos. Os anfitriões investiram metade deste valor... e conquistaram 65 (29 de ouro, 17 de prata e 19 de bronze). Quanto será que investiram a Ucrânia (20 medalhas), a Hungria (17, mas com 8 ouros), isso pra não falar de Coréia do Sul e Austrália, que implementaram programas de investimento a longo prazo para ter retorno e estabelecer uma cultura de esportes na sua população. No Brasil, na maioria das escolas e na quase totalidade das escolas públicas, não existe uma política de prática esportiva. Nossos atletas, como a como a judoca do Piauí e a pentatleta do sertão pernambucano são “acidentes de percurso”.

 

O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, costumava dizer que não fazia projeções de medalhas antes de qualquer Olimpíada. Desta vez mudou de ideia e o comitê avisou que espera conquistar 15 medalhas em Londres, mesmo número obtido quatro anos atrás em Pequim. Foi quase isso: tivemos uma prata e um bronze a mais que em Pequim, 2008.

 

 Em Londres, uma área degradada da cidade foi recuperada para dar lugar ao parque olímpico. Um exemplo para o mundo.

 

 

Desde os anos 90 que ele, expresidente da confederação brasileira de vôlei e ex jogador da seleção, vem prometendo fazer do Brasil uma potência olímpica. E queria ver o país como tal no máximo na década passada. Nada. Nem agora, com mais de 2 bilhões de reais de dinheiro público no ciclo olímpico, conseguiu.

 

Onde estaria o erro então? A resposta é simples... e triste (para não dizer revoltante). Acontece que boa parte da verba pública é usada para custear a própria burocracia do COB, pagando seus executivos e sua estrutura, e não chega à base como poderia. Não conseguiu porque esse país não tem uma política esportiva. Não tem projeto, que trabalhe o esporte de base como se faz, por exemplo, nos Estados Unidos onde a escola é o início de tudo. Aqui no Brasil, tem que se ir para um clube... e quantos clubes existem? Quem são as pessoas que podem frequentá-lo? Temos que viver de “achados”, como o professor que viu no baixinho atarracado Artur Zanetti um potencial ginasta, ou da professora que viu Daiane dos Santos brincando num parque?

 

 

 

Marcus Vinícius Freire, também exjogador de vôlei e que hoje carrega o pomposo cargo entitulado “Superintendente Executivo do COB, afirmou que “aqui não se fabricam medalhas”. Realmente, se for feito um trabalho como o que fizeram na Coréia, na Austrália e no próprio Reino Unido, em dois ou três ‘ciclos olímpicos’ pode se colher resultados. Contudo, aqui se gasta dinheiro público sem um projeto esportivo decente. E joga-se a promessa de se criar uma potência olímpica lá para a frente, sempre lá para a frente. Em 2016, talvez, se bem que já há quem diga que só teremos frutos em 2020 ou 2024, quanto mais distante melhor. A última ‘pérola’ deste senhor foi dizer que temos que nos espelhar no modelo do Kazaquistão! Brilhante...

 

Preparemo-nos então para mais um ciclo de gastança, de falta de planejamento de discursos metricamente perfeitos nos programas de esportes e telejornais e para todo o tipo de manobra para superfaturar estes jogos. Que, pelo menos, no final, não tenhamos aquelas desculpas de sempre (o que eu acho impossível não acontecer) e o tal do “legado”, que no Pan de 2007 resumiu-se a uma faixa azul pintada no asfalto de algumas avenidas e a 3 elefantes brancos no antigo autódromo, que receberão outros tantos.

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

A F1 está “de férias”, mas o mundo não parou... e não é só no Brasil que os problemas ocorrem. Os torcedores que querem acompanhar o GP da Bélgica estão enfrentando um sério problema: a falta de ingressos. O jornal holandês ‘De Telegraaf’ e o belga ‘Het Belang Van Limburg’ revelaram hoje, dia 13/8, que mais de seis mil pessoas não vão receber os bilhetes a tempo da corrida.

 

De acordo com os diários, os torcedores que compararam as entradas pela empresa Ticket Enterprise vão ficar sem os ingressos, já que a companhia está enfrentando problemas e financeiros e decidiu ignorar os clientes.

 

 Ainda segundo o ‘De Telegraaf’, os representantes da Ticket Enterprise não retornaram os contatos feito pelo jornal, tampouco pelos clientes. A empresa tem uma longa parceria com os organizadores do GP da Bélgica, mas deixou os consumidores na mão após a crise econômica. A corrida em Spa-Francorchamps marca o retorno do campeonato no dia 2 de setembro. 

 

O jornal francês ‘Le Figaro’, noticiou que Magny Cours tem pretensão de voltar a sediar a F1 com a possível volta do GP da França ao calendário, após cinco temporadas fora da categoria. De acordo com o diário, os administradores do circuito vão apresentar uma proposta formal aos organizadores da prova para ser a casa da etapa. O jornal francês conversou com alguns funcionários ligados ao circuito de Magny Cours e eles afirmaram que os dirigentes planejam divulgar a candidatura oficial para receber a F1 no dia 4 de setembro. Contudo, quer ‘negociar’ o valor a ser pago anualmente para receber a etapa! A FFSA (Federação Francesa do Esporte a Motor) prefere que a prova aconteça em Paul Ricard. 

 

E o Pastor Maldonado conseguiu mais uma proeza: Bateu o carro da Williams numa guia de rua (em alguns estados chamam de meio fio) durante uma exibição na capital de seu país... perdoem o trocadilho... CARACAS!!!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva

 

 

Last Updated ( Monday, 13 August 2012 21:19 )