
O GP de Bahrein, quarta etapa do Campeonato Mundial de Pilotos e Construtores da Fórmula 1, mereceu ser chamado de Grande Prêmio. Foram 57 voltas de pura emoção, mesmo tendo sido dominado praticamente de ponta a ponta pelo australiano Oscar Piastri, com seu McLaren. As disputas por todas as posições, envolvendo 20 pilotos do mais alto nível técnico do mundo da velocidade sobre rodas, num circuito com vários pontos para ultrapassagem. Todos no circo esperavam em novo domínio da McLaren, porém com uma maior proximidade de carros da Mercedes, Red Bull e Ferrari. Essa previsão se confirmou, acrescida de surpresas, como por exemplo o 5º lugar no grid de Pierre Gasly, da Alpine, única equipe que não tinha marcado nenhum ponto no ano. Na qualificação os carros das equipes maiores registraram tempos bem próximos. Foram os mais rápidos: 1º) Oscar Piastri (McLaren) com 1m29s841, 2º) George Russell (Mercedes) com 1m30s009, 3º) Charles Leclerc (Ferrari) com 1m30s175, 4º) Andrea Kimi Antonelli (Mercedes) com 1m30s213, 5º) Pierre Gasly (Alpine) com 1m30s216, 6º) Lando Norris (McLaren) com 1m30s267, 7º) Max Verstappen (Red Bull) com 1m30s423, 8º) Carlos Sainz (Williams) com 1m30s680, 9º) Lewis Hamilton (Ferrari) com 1m30s772 e 10º) Yuki Tsunoda (Red Bull) com 1m31s303. Terminada a qualificação, dois pilotos foram sinceros ao extremo quando confessaram insatisfação sobre os próprios desempenhos. Hamilton disse: “Não consegui ser rápido o suficiente hoje. A equipe fez muito bem sua parte. O problema é comigo mesmo”. Norris declarou. “Preciso descobrir porque não fui tão rápido como era necessário. Preciso encontrar o caminho. Só eu posso resolver”. Já o tetracampeão Max Verstappen reclamava do carro , especialmente os freios. Max ficou em 7º no grid, 3 posições à frente de Tsunoda , seu novo companheiro de equipe. Carlos Sainz começou a se entender melhor com seu Williams, largando em bom 8º lugar.
A corrida foi simplesmente sensacional. Com apenas 24 anos de idade, Piastri guiou como um veterano. Largou na frente, liderou durante quase por todo o tempo e venceu. Russell também teve alguns pequenos problemas, que não o impediram de chegar em 2º lugar. Lando Norris foi um competidor combativo na corrida inteira. Duelou com Leclerc, um osso duro de roer, pelo 3º lugar, durante muitas voltas. Venceu a batalha e foi ao pódio. Hamilton e Verstappen sentiram saudades dos tempos em que eram dominadores. No Bahrein tiveram que enfrentar uma luta ferrenha para chegar em 5º e 6º lugares. Completando os 10 primeiros, brigando volta a volta, curva a curva, Gasly, Ocon, Tsunoda e Bearman terminaram na zona dos pontos. Lamentável foi o que ocorreu com Carlos Sainz. O espanhol foi lutador combativo, disputou com vários pilotos, até o carro quebrar. Menção honrosa merecem os pilotos que chegaram do 11º ao 20º lugares. Antonelli (Mercedes), Albon (Williams), Hulkenberg (Sauber), Hadjar (Racing Bull), Doohan (Alpine), Alonso (Aston Martin), Lawson (Racing Bull), Stroll (Aston Martin) e Gabriel Bortoleto (Sauber). Todos completaram as mesmas 57 voltas do vencedor, o que pode ser considerado um feito brilhante, reiteramos. A decepção do ano tem sido a Aston Martin. Será que o mago Adrian Newey está trabalhando só no projeto de 2026? O brasileiro Gabriel Bortoleto pouco pode fazer. Os carros da Sauber estavam péssimos para guiar e nem mesmo o experiente Hulkenberg pode fazer alguma coisa interessante. O alemão acabou desclassificado por uma medida fora do limite. Gabriel terminou em 19º e pode ser classificado como um feito importante ter chegado na mesma volta 57 do vencedor. Considerando a forma como o brasileiro trabalha, parece ter futuro na Fórmula 1. Ele entendeu rapidamente a forma precisa de passar informações sobre o comportamento do carro. Equipes maiores já estão monitorando sua carreira. Que venham outras corridas como Bahrein. Próximo encontro: GP da Arábia Saudita, dia 20 de abril. Luiz Carlos Lima Visite o site do nosso colunista Nota NdG: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Nobres do Grid. |