Olá leitores!
Como estão? Se não estiverem com crises de ansiedade como as que tive essa semana que passou, já estão em um lucro monumental. Enfim, a vida é assim, um dia você não ganha, no dia seguinte você perde, no outro ganham de você... c’est la vie. Ainda bem que o feriado estadual em que os paulistas comemoram o início da revolução de 1932, aquele levante armado que foi perdido pelas tropas paulistas contra as do governo federal e que a narrativa é de que “perdemos militarmente mas foi restabelecida a governança constitucional” para justificar a comemoração de uma derrota. Enfim, basta estudar história um pouco mais seriamente para questionar a validade dos argumentos. Mas vamos ao que interessa, corridas. O DTM foi até Nuremberg para a tradicional rodada dupla de Norisring, a pista de rua em torno da arquibancada nababesca construída a mando daquele cidadão de bigode de gosto duvidoso que ainda é ídolo (declarado ou não) de muitas pessoas do estado de São Paulo para baixo. No sábado, corrida foi show: começou com um sol pra cada um dos pilotos, mas a expectativa era que viesse água dos céus. E ela não demorou pra chegar, fazendo com que todos buscassem o pit lane para a troca para os pneus de chuva. Entretanto, como a chuva veio fraca, alguns pilotos resolveram gritar “truco” e permaneceram na pista com os pneus slick. Não foi fácil se manterem, mas em breve se percebeu que os pneus de chuva não estavam rendendo o suficiente para abrir grande vantagem e, nas voltas finais, estavam sendo mais lentos que os de pista seca. A aposta rendeu dividendos para o trio que subiu ao pódio, René Rast em 1º, Franck Perera em 2º e Luca Engstler (que se envolveu num acidente logo no começo e ficou com o carro avariado a ponto de pensar em abandonar a prova, mas se manteve na disputa conforme as gotas caíam, e apostando nos pneus para seco construiu seu caminho do 15º lugar na largada para o pódio) em 3º. No domingo a prova foi disputada com tempo nublado e temperatura consideravelmente mais baixa, e descontando alguns momentos específicos não foi das mais emocionantes. Bom para Nick Thiim, que marcou a pole position, largou muito bem e conseguiu controlar os adversários de maneira a receber a bandeirada em primeiro, sua primeira vitória na categoria, fazendo dele o primeiro filho de piloto do DTM (ele é filho do grande Kurt Thiim, 20 vitórias nos tempos áureos da categoria, 2 em Norisring) a também vencer no certame. Foi acompanhado no pódio por Mario Engel em 2º e pelo seu companheiro de equipe Mirko Bortolotti em 3º. Antes das férias de verão da categoria, o Mundial de Motovelocidade foi até o leste da Alemanha para a etapa de Sachsenring. Na Moto3, aquela corrida habitual: um enxame disputando a primeira posição, e os tombos ou saídas de pista selecionando os que continuavam na disputa. E mais uma vez nessa temporada a sensação colombiana David Alonso levou a melhor, angariando mais um troféu de primeiro lugar apesar da encarniçada disputa com Taiyo Furusato, que chegou a míseros 18 centésimos dele em 2º lugar, com Ivan Ortola em 3º logo ali, pronto para herdar a liderança caso algo acontecesse na volta final, a 34 centésimos do líder. O 4º colocado chegou mais de 2 segundos atrás... Na Moto2 tivemos a segunda vitória na temporada de Fermin Aldeguer, após algumas lideranças em corridas anteriores serem desperdiçadas por tombos e erros, e com a confortável vantagem de 2s15 sobre Jake Dixon, o 2º colocado, que por sua vez também colocou mais de 2 segundos de vantagem para o 3º, Ai Ogura. Tudo isso muito bom, muito bem, mas devemos comemorar a corrida de Diogo Moreira, que se encontrou com a moto e a pista e chegou em um excelente 4º lugar, um centésimo à frente de Vietti, com a moto da poderosa equipe KTM Ajo. Que essa posição sirva de incentivo para ele vir com a mesma força e dedicação dessa corrida para a segunda metade da temporada. Na MotoGP, a constatação que Jorge Martin vai ter que fazer um bom trabalho com o psicológico essas férias... liderava a corrida, estava abrindo vantagem necessária na pontuação em relação a Pecco Bagnaia, quando de repente o pneu dianteiro perdeu a aderência na primeira curva, uma das pouquíssimas da pista para a direita, e foi parar na caixa de brita, sem condições de retornar para a prova. Perdeu não só a corrida, mas a liderança do campeonato, o que com certeza não vai facilitar as coisas para ele em termos de título. Quem agradeceu penhoradamente esse tombo foi Bagnaia, que herdou a liderança e fez a festa no pódio com os irmãos Márquez, Marc em 2º mesmo em uma moto com a bolha da carenagem danificada em uma disputa de posição mais encarniçada e Alex em 3º. Vamos ver como as coisas estarão em Silverstone, palco do retorno da categoria, daqui a um mês. E por falar em Silverstone, foi lá que a Fórmula Um fez sua corrida este final de semana. Com condições instáveis de tempo, pista ora seca, ora molhada, a experiência fala mais alto. E a jovem dupla da McLaren, que foi muito rápida em condições previsíveis, quando a imprevisibilidade atacou acabou não sendo tão veloz assim. Melhor para Lewis Hamilton, que voltou a vencer após um longo hiato e cravou sua 9ª vitória em Silverstone, conquistando mais um recorde para sua carreira, o de piloto que mais vezes venceu em uma mesma pista. De quebra, levou a torcida ao delírio, claro. Foi acompanhado no pódio por Max Verstappen, 2º colocado, que se valeu da excelente estratégia da equipe para conseguir um bom resultado com um carro que não é mais tão dominante como no passado. Em 3º um desconsolado Lando Norris, que teve as chances de vitória nas mãos, mas não conseguiu desenvolver a contento quando as coisas ficaram mais complicadas no asfalto. Ainda foi um ótimo resultado para a McLaren como equipe, já que Piastri chegou em 4º, e disso eles não têm que reclamar. O papelão, como de costume nos últimos tempos, ficou com os pangarés da periferia de Modena, com Sainz jr. em 5º e Leclerc em 14º. A Indycar fez a estreia dos carros híbridos em Mid Ohio, uma pista padrão brasileiro (uma reta decente e um monte de curvas e retas curtas depois) e uma corrida com lampejos de emoção. Apenas lampejos. Foi difícil evitar a vontade de cochilar durante a prova. O final foi melhor, com a disputa pela liderança entre Alex Palou e Pato O’Ward, com vantagem para Pato, que venceu a prova. Palou teve de se contentar com a segunda posição, meio segundo atrás de Pato. Em 3º chegou Scott McLaughlin, mantendo sua consistência de chegadas no pódio e marcando bons pontos para o campeonato. Pietro Fittipaldi chegou em 24º, à frente de Josef Newgarden. E a NASCAR foi novamente para as ruas de Chicago para uma corrida que tinha tudo para ser interessante, mas deixou a desejar. Vamos lá: pilotos da categoria já não estão muito acostumados a corridas de rua, quando entra o fator chuva então... basta dizer que a prova foi completada por tempo de corrida e não pelo número de voltas. Quem se deu bem nessas condições foi Alex Bowman, que encerrou um jejum de 80 corridas sem vitória. Foi seguido por Tyler Reddick em 2º, Ty Gibbs em 3º, Joey Hand em 4º e Michael McDowell em 5º. A pista é boa, mas a categoria precisa colocar ela em uma época do ano menos sujeita a chuvas em Chicago. Para ao menos termos uma ideia do potencial da pista para fazer espetáculo com a duração completa da prova. Até a próxima! Alexandre Bianchini Nota NdG: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Nobres do Grid.
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