O verão europeu é pontuado por diversos festivais de velocidade, resgate e preservação da história do automobilismo. Mas, certamente, o Festival de Goodwood, no condado de West Sussex, a cerca de 110 Km de Londres, indo para sul-sudeste, em direção ao English Channel é o mais famoso de todos eles.
Na manhã da quinta-feira, já haviam fãs desde cedo na propriedade do Lord March, onde acontece o Festival de Goodwood. A iniciativa do Lord March em realizar um festival em que pudesse reunir a história do automobilismo em suas vertentes. Proprietário de uma área rural de bom tamanho, inicialmente o nobre inglês desejava realizar um evento no autódromo de Goodwood, mas não obteve permissão. Assim, ele acabou por usar a própria propriedade e realizar “no quintal de casa”, aquele que se tornaria o mais prestigiado de todos os festivais realizados no mundo. Com uma pequena seleção de participantes, composta por veículos históricos convidados, o primeiro evento aconteceu no domingo 13 de junho de 1993 e provou ser um sucesso, tendo recebido uma multidão de 30.000 pessoas, apesar de ter acontecido no mesmo dia das 24 Horas de Le Mans.
Não é um autódromo. Um trajeto de pouco menos de 2 Km por uma estrada bem cuidada serve de passarela da velocidade. Em 1994, o evento expandiu para dois dias, e em 1996 acrescentou um dia extra na sexta-feira. Após o seu choque de data para o primeiro evento, o Lord March achou prudente garantir que o evento nunca ocorresse em uma data de conflito com qualquer grande evento automobilístico, como o de Le Mans ou corridas de Fórmula 1. Sendo assim, a data do evento varia, de acordo com o calendário da FIA. A cada ano, Lord March e sua equipe procuram melhorar seu evento em relação ao anterior. Fazer o Festival de Velocidade de maior e melhor do que no ano anterior é tida como uma obrigação. Este ano, o tema “Viva Veloce” - A paixão pela velocidade, não foi exceção e, para poder cobrir toda a agenda programada, eles adicionaram um dia extra.
Em frente a "casinha" do Lord March a multidão pode ver o desfile de diversos carros que marcaram a história do automobilismo. A Quinta-feira tornou-se o dia do “Motor Show em Movimento”, onde os fabricantes podem mostrar as suas mais recentes criações, o público pode experimentar os novos modelos, passando a sexta-feira a ser o início do tradicional Festival de Velocidade (FOS), como o dia de treinos para o evento principal do fim de semana.
Nem quando a noite cai deixa de haver atrações no Festival de Goodwood. No programa que é entregue a cada visitante que vem ao festival, é impresso um mapa, mas este não dá a idéia da imensidão e variedade de coisas que se vê em Goodwood. A linha vermelha não é uma pista, mas uma estradinha local, fechada para o evento, uma vez que o autódromo de Goodwood não é utilizado no evento. Ao invés disso, um percurso de pouco menos de 2 Km é feito entre gramados e fardos de feno, como eram as barreiras de proteção nos anos 60, em um leve aclive, para aplausos e fotos dos que tomam as tribunas improvisadas, barrancos e stands.
No programa do evento, um mapa de enorme importância. Por aqui o apaixonado pelo esporte sabe exatamente onde ir. Neste ano, em que se comemora o centenário da Alfa Romeo, 60 anos de Fórmula 1 e também da Corrida Panamericana, a busca de ingressos foi simplesmente alucinante. Com a venda iniciada meses antes pela internet, o número de ingressos vendidos ultrapassou facilmente a casa dos 100 mil, fazendo com que os organizadores começassem a restringir as vendas para não provocar uma superlotação, além de também preservar alguns ingressos para pessoas que só poderiam confirmar presença com pouco tempo de antecedência.
Nos "boxes" da Lotus, modelos dos anos 60, 70, 80, 90 e até o modelo que disputou e venceu as 500 milhas de Indianápolis. Com carros e motos representando maioria das principais do automobilismo, seis das atuais equipes da Fórmula 1 trouxeram não apenas carros atuais, mas também diversos clássicos que marcaram época e estavam ali não apenas para exposição, mas também para ir para a pista.
Nos "boxes" da Williams, modelos do passado e do presente sendo cuidados lado a lado. Ferraris, McLarens, Red Bulls, Mercedes, Williams e Lotus (a inglesa), sendo equipes da mais importante categoria de competição do planeta foram, claro as mais fotografadas, as mais admiradas das atrações. Estas atrações por momentos fizeram a fusão entre o passado e o presente quando conduzido por alguns dos atuais competidores da Fórmula 1.
No stand dos carros de Rally, diversos modelos de diversos fabricantes estavam colocados lado a lado. O atual Campeão do Mundo, Jenson Button, teve a chance de conduzir o McLaren TAG MP4/2C, carro campeão de 1986, no sábado, e Lewis Hamilton, assumindo a condução do MP4/5 de 1989 no domingo, junto com Bruno Senna, que pilotou o último carro da equipe pilotado por seu tio em 1993, o MP4/8.
O Lord March, a bordo da Lotus de Jim Clark, curtindo uma de piloto. A iniciativa de um apaixonado fez tudo isso que vemos aqui. O indiano Karun Chandhok teve a oportunidade de dirigir um Williams FW08, o mago da prancheta (hoje AutoCAD) da Red Bull, Adrian Newey, pode vangloriar-se de ver tantas de suas obras-primas ali representadas, entre elas o Red Bull RB5 Renault, de 2009, que foi conduzido pelo piloto titular Mark Webber, e Sebasien Buemi, piloto da equipe satélite, a Toro Rosso, pilotou o Red Bull RB1 Cosworth, o primeiro projeto de Newey para a equipe, em 2005.
Se o trajeto de menos de 2 Km não dá para "cansar o braço" dos veteranos pilotos presentes, já os autógrafos... Fala aí, Surtees! Para delírio dos tifosi, Marc Gene fez diversos “zerinhos” com a Ferrari F60, de 2009, que desfilou na subida da montanha e numa “fusão” do passado com o presente, Jarno Trulli teve a honra de pilotar alguns dos carros da equipe original da Lotus. No sábado, foi a vez do Lotus 78, preto e dourado e em seguida, logo que o seu grupo retornou para os “boxes” (na verdade tendas aremadas) na base do morro e início da – vamos chamar de passarela da emoção – ele pulou direto de para dentro do do amarelo Camel Lotus 99T, pilotado por Ayrton Senna. 
Goodwood não é apenas um local para se ver carros: grandes celebridades das pistas se divertewm por lá, como Stewart e Moss. Se os carros do passado eram motivo de lágrimas de emoção para os fãs que foram a Goodwood, muito mais eram os encontros de diversos dos protagonistas de grandes momentos do esporte a motor nas pistas, tanto nos stands, distribuindo autógrafos como indo para a pista a bordo de alguns carros que marcaram época, fossem em suas mãos ou não.
Jackie Oliver matou saudades do seu Ford GT40 que marcou época nas provas de endurance pelo mundo a fora. Vários campeões mundiais do passado tiveram a chance de sentar novamente nos carros com os quais conquistaram seus títulos. Entre eles, o brasileiro Emerson Fittipaldi com o seu Lotus 72 JPS 1972, Sir Jackie Stewart com seus 1973 Tyrell 005 e 006, além de John Surtees com sua Ferrari 1964.
O alemão Jochen Mass fez uma viagem no tempo e pilotou um modelo W125 da Mercedes, uma das |