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O pescador de Campos dos Goitacazes PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Saturday, 14 September 2019 14:13

Minha coluna esse mês começa com um dos meus “causos” mineiros favoritos:

 

“Um dia o mineiro resolveu pescar sozinho, estava de saco cheio de muita gente em volta dele.


Vara na mão, lata de minhoca e lá vai ele pro rio, bem cedinho. No caminho, um caboclinho começou silenciosamente a acompanhá-lo e logo o mineiro pensou: ‘Ô saco, será que esse caboclinho vai ficar grudado ni mim?!’. Chegaram na beira do Rio Verde e o caboclinho do lado, sem falar nada. O mineiro se apruma e começa a pescar em silêncio para não espantar os peixes. Passaram-se três horas e o caboclinho acocorado olhando sem dar um pio. Mais três horas e o caboclinho só assuntando. Já no finalzinho do dia o mineiro ficou com pena e oferecendo a vara pro caboclinho disse: ‘Ô mininim, qué pescá um cadim?’. E o caboclinho responde: ‘Deus que me livre moço, tem paciença não, sô!’”

 

Eu me identifico muito com esse “causo” porque a tal da “paciença” não é meu forte e em pescaria, sou igual a aquele pescador que passa na peixaria antes de voltar pra casa e que um lambari de meio palmo, numa roda de amigos, vira um pintado de meio metro, pescado em uma batalha épica entre o hábil pescador e o peixe indomável. Por certo não sou o único a “aumentar um pouquinho” meus feitos com um caniço, mas tem outros pescadores, outros peixes e outros “causos” que são contados com o mesmo exagero dos meus.

 

    Foto aérea do circuito de Campos. uma pista que ainda precisa de muitas obras para se tornar um autódromo.

 

Algumas etapas atrás, em uma transmissão do Sportv (acho que da Stock Car) aquele narrador, ligadíssimo e caprichoso – que pelo visto é carioca – postou uma foto de um autódromo que está em funcionamento na cidade de Campos dos Goitacazes, que fica distante umas quatro a cinco horas da capital do estado (280 Km), dependendo da condição do trânsito. É o Plan Speed Park (nomezinho pomposo), construído na área rural do município.

 

A gente tem que tirar o chapéu para qualquer pessoa que decida investir o dinheiro suado de sua vida pra fazer um autódromo ao invés de encontrar uma forma inteligente de multiplicar seu capital. Por isso eu só posso elogiar a iniciativa do dono do empreendimento, Fabrício Maciel e de seu Sancho Pança, Virgílio Paixão, que resolveram encarar este desafio. A coisa está sendo levada a sério – pelo menos por quem deveria – e passo a passo, ao invés da megalomania com Deodoro e o “boneco de posto” que diz que vai construir um autódromo FIA 1, FIM A, com capacidade para 120 mil pessoas com 700 milhões de reais, ele vão fazendo as obras.

 

   No início, os eventos no autódromo de Campos sequer havia uma mureta nos boxes, mas os campistas estão trabalhando... 

 

Desde a primeira foto, onde o “pit wall” era uma daquelas grades de separação de público que o Rubens Barrichello usa para organizar a visitação nos boxes, para a construção do muro (ainda sem tela), os avanços para transformar os 2.400 metros do traçado em um autódromo vão sendo feitos. Apesar de vermos que “Poliana Faria Neves”, presidente da FAERJ, que não acreditava que Jacarepaguá iria desaparecer (fora outras coisas escabrosas que eu sei) emitiu a homologação do circuito para as competições regionais sem que houvesse um guard rail instalado, uma área de escape com caixa de brita ou barreira de pneus... e, no início, sem “pit wall”.

 

Até 2020 (projeção), o automobilismo do estado do Rio de Janeiro vai ganhar um autódromo, pronto, com padrão FIA 4 (talvez FIA 3), 60 Km mais perto do que o autódromo do norte fluminense: o Potenza, na cidade de Lima Duarte está em construção, já dentro dos parâmetros que poderá, inclusive, habilitá-lo a conseguir a homologação da CBA e poder sediar competições nacionais, como a Stock Car e a Copa Truck, em um projeto melhor elaborado do que o circuito dos pequizais, que foi homologado com muretas de tijolos, folhas de zinco no lugar de guard rails, sem caixas de brita nas áreas de escape e outros absurdos.

 

    O Potenza, autódromo em construção na cidade de Lima Duarte-MG foi projetado e está sendo construído dentro de padrões FIA.

 

Evidentemente, o posicionamento da imprensa local é a de total defesa do único autódromo do estado do Rio de Janeiro, chegando ao cúmulo de comparar o empreendimento – em construção – com autódromos homologados como o Velopark, em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul e – pasmem – até mesmo Interlagos, o palco da Fórmula 1 no Brasil.

 

Menos, pessoal... menos. É importante ver que tem gente com os pés no chão, como os proprietários do empreendimento, que “no país do futebol”, onde se gasta 2 bilhões de reais para fazer um estádio em Brasília, mas ficam emperrando a reforma do autódromo que fica ao lado por 12 milhões de reais, estão construindo um sonho. Esse pessoal é nota 10, mas quando tem gente que fica viajando na maionese, atrapalha mais do que ajuda.

 

   A estrutura do Velopark, mesmo com uma pista curta, tem uma infraestrutura invejável. Se fizerem metade em Campos está ótimo.  

 

Entre estes, o presidente da Federação de Automobilismo do Estado do Rio de Janeiro, que assinou a homologação da pista para competições sem que o autódromo tenha aparatos de segurança, inclusive com um campeonato: a Taça Rio de Marcas e Pilotos, onde, caso aconteça um acidente grave, pode condenar a pista e levar seus proprietários a tribunal.

 

Como o objetivo do proprietário é ampliar a pista para perto de 4.000 metros, antes de pensar em pegar um Pintado de Meio Metro, é preciso ter uma vara de pescar adequada. Procure o cara que foi entrevistado aqui no site, o Luiz Ernesto Morales. Ele vai orientar vocês a fazer a coisa certa e do jeito certo. O cara sabe das coisas, é membro de uma comissão da FIA e é sério. O pessoal de Curvelo inventou de fazer um autódromo da própria cabeça e olha só no que deu?

 

    O circuito que foi construído em Curvelo - e absurdamente homologado pela CBA - precisou de reformas para receber a Truck.

 

Mas antes de passar na peixaria pra comprar o pintado de meio metro, não façam como o pescador do “causo” que tenta enganar a patroa, façam as coisas do jeito certo e ponham um freio no ufanismo da imprensa. Eu torço pelo sucesso do autódromo da cidade de Campos.

 

Abraços,

 

Mauricio Paiva 
Last Updated ( Saturday, 21 September 2019 01:00 )