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Extra: SOS Autódromo - AIC rumo ao fundo do poço PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 28 March 2019 00:56

Após o final do último ano e todos os problemas ocorridos (na verdade, criados) pela atual administração do Autódromo de Pinhais contra os promotores de eventos nas dependências do outrora Autódromo Internacional, padrão FIA 3, que já foi palco do WTCC, FIA GT e Superfórmula, vive hoje com o descuido, o desleixo, e a degradação de suas instalações.

 

No início deste ano, quando os calendários das principais categorias nacionais foram sendo apresentados, a Sprint Race, categoria promovida pela família Marques, do patriarca Paulo de Tarso e sob administração de Thiago Marques apresentou um calendário que excluía o autódromo que fica distante poucas centenas de metros das instalações da categoria, na cidade de Pinhais.

 

 Foto aérea "no negativo" do Autódromo de Pinhais. Crédito: Átila Abreu

 

A Porsche Carrera Cup também, em seu calendário inicial, também excluía o autódromo da região metropolitana da capital paranaense, acabou alterado pouco antes da abertura do campeonato, onde a segunda etapa passou para o Autódromo de Pinhais e, segundo informações da assessoria de imprensa da categoria, os pilotos estavam pedindo que houvesse uma etapa no Autódromo de Pinhais, por gostarem do traçado. A corrida está apontada no calendário para o dia 27 de abril.

 

As maiores categorias no país, a Stock Car e a Copa Truck, trazem em seus respectivos calendários, provas para serem realizadas no segundo semestre, mas ambas trazem o “famigerado asterisco” ao lado da data, com a observação de que a corrida ainda está “a ser confirmada”.

 

Este artigo está sendo publicado junto com a abertura do Campeonato Brasileiro de Endurance, que terá como palco o autódromo paranaense. Em contato com o promotor, Sr. Henrique Assunção, o dirigente revelou que – assim como foi o caso da Porsche Carrera Cup – a etapa paranaense foi agendada por um pedido dos pilotos, que votaram pela realização da prova no outrora segundo melhor autódromo do país.

 

Uma semana antes da etapa de abertura do Campeonato Brasileiro de Endurance foi realizada o – agora assim chamado – Campeonato Curitibano de Marcas e Pilotos, entre os dias 22 e 24 de março. Se em dezembro a matéria anterior mostrava paredes rachadas, falta de extintores de incêndio, grades arrancadas e enferrujadas, andaimes perigosos, torres de TV cortadas, torre de controle depauperada (sem falar nas portas dos boxes arrancadas), agora os fotógrafos tem que levar, além das câmeras, lentes e tripés, um facão de mato!

 

As imagens falam por si. Para chegar ao miolo do autódromo, os profissionais que são responsáveis por fazer as imagens que os pilotos usam em seus releases, que expõem as marcas de seus patrocinadores e que são fonte de renda e sustento destas pessoas que trabalham sob sol e chuva estão passando por uma situação que não costumavam passar antes da mudança de administração em novembro de 2017.

 

 Esta é a atual realidade que os fotógrafos tem que enfrentar no Autódromo de Pinhais: levar um facão de mato pra trabalhar.

 

Pior que isso, estes profissionais tiveram sua entrada no autódromo cobrada por parte do promotor do evento do último final de semana. Apurando os fatos junto à Federação Paranaense de Automobilismo, que até o ano passado promovia o Campeonato Metropolitano de Automobilismo, por falta de acordo com a administração do autódromo, o mesmo não seria sequer realizado. Foi quando o então “Automovel Clube Internacional de Curitiba”, clube registrado na Federação Paranaense de Automobilismo quando da reforma do Autódromo de Pinhais em meados dos anos 90, decidiu promover o seu campeonato. Sendo um clube federado, teve seus regulamentos técnico e desportivo (o mesmo dos anos anteriores) aprovado e a FPrA ficou apenas como recebedora das taxas referentes ao campeonato e a prover a estrutura de direção de provas e comissários como é feito com qualquer promotor.

 

Quando o evento era responsabilidade da FPrA, nenhum profissional tinha a entrada cobrada no autódromo. Uma vez que se trata de um evento privado, em uma propriedade privada, a cobrança de valores e o controle de acesso é totalmente responsabilidade do promotor do evento. Assim, os fotógrafos que chegaram ao autódromo na sexta-feira dia 22 de março não foram autorizados a entrar nas dependênciasdo autódromo por uma senhora na portaria, que informou que eles teriam que pagar 350,00 reais para entrar. Surpresos, os fotógrafos – que tinham compromissos com clientes que disputariam a etapa do campeonato – questionaram a decisão. A senhora da portaria então ligou para um senhor chamado Sérgio, que seria do “Automovel Clube Internacional de Curitiba” e este, pelo telefone, informa os fotógrafos que, ”Como vocês estão entrando para trabalhar e vão ganhar dinheiro, nada mais justo que o Automóvel Clube cobre de vocês”.

 

Questionado sobre o valor a ser pago, o “Sr. Sérgio” disse que o mesmo ainda não fora definido, mas que seria algo em torno de 300,00 reais. Diante da situação, os fotógrafos foram embora, entraram em contato com seus clientes, informaram a situação e acertaram com seus clientes que, por uma questão de compromissos assumidos, retornariam no sábado.

 

 No mato anto, os fotógrafos tem que afastar o mato alto, que em alguns pontos está com 1,5m de altura, para fotografar.

 

No dia seguinte, ao entrarem em contato com o “Sr. Sergio”, o representante do automóvel clube disse que eles deveriam procurar o “Sr. Alexandre” (um segurança) no abastecimento. Em lá chegando, foram informados que teriam que pagar 400,00 reais (QUATROCENTOS REAIS). Resignados, os fotógrafos pagaram a importância, mas cobraram que lhes fossem dado um recibo do pagamento (como deve ser feito quando se paga por alguma coisa). A situação foi repassada para outros fotógrafos que nem se dignaram a deslocar-se para Pinhais. Quanto ao recibo pelo pagamento, apesar da insistente cobrança por parte do profissional, este lhe foi negado durante todo o final de semana e não foi entregue. 

 

Quando os profissionais de mídia comparecem aos autódromos para trabalhar nos eventos em outras categorias, costumam ter uma Sala de Imprensa, Água, segurança para seus equipamentos, internet, mas além da verdadeira extorsão que estes trabalhadores sofreram, nada lhes foi dado em contrapartida, pelo contrário. Tiveram que enfrentar mato alto para chegar aos locais de trabalho.

 

As arquibancadas próximas ao final da reta dos boxes estão tomadas de mato alto. É assim que os torcedores vão ver corridas?

 

Faltando menos de uma semana para um evento nacional, um campeonato com a chancela da Confederação Brasileira de Automobilismo, não apenas a parte central do autódromo, mas também as arquibancadas que vão até o final da reta dos boxes estão tomadas de mato alto. Será que o público que for ao autódromo também terá que ir com facões de mato para tentar se acomodar e assistir a corrida?

 

Lamentavelmente, o Autódromo de Pinhais segue seu processo de degradação e agora, conseguiu atingir o descrédito por parte dos participantes da esvaziada abertura do campeonato que eles mesmos decidiram promover, onde os 48 carros inscritos, somando todas as categorias, contra a média de 80 das etapas do ano passado e que, diante da precariedade da organização do evento e informados sobre o ocorrido, estão externando seu desinteresse em participar de etapas futuras.

 

E é assim, que uma bela história de quase duas décadas vai sendo coberta de lama e vergonha por gente que acha que sabe fazer automobilismo e aquele que já foi o melhor autódromo privado do país segue em direção ao fundo do poço. 
Last Updated ( Thursday, 28 March 2019 08:24 )