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500 Km de Interlagos – um dia na vida de um fotógrafo PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Saturday, 12 August 2017 18:42

Olá leitores!

 

Não precisam ficar tímidos, podem confessar: todos gostam de ligar a TV e ver uma transmissão com câmeras bem posicionadas, ou abrir uma revista, ou página na internet, e ver fotos bem feitas, bem tiradas. Este vosso colunista também. Dessa maneira, aproveitei a prova de longa duração para acompanhar o trabalho de um fotógrafo e contar para vocês como a coisa toda é feita. Todas as fotos da matéria foram feitas por esse vosso escriba, com máquinas fotográficas amadoras (eu estava com 2 Canon PowerShot, uma SX110 IS e uma SX400 IS, equipamento que me serve para as minhas necessidades normais, mas que está longe de ser o adequado para trabalho profissional) e uma vontade enorme de observar a labuta desses profissionais. Contei com a ajuda do Sandro de Souza, um amigo de longa data que trabalha com isso (www.infinityphoto.com.br) e me levou para conhecer todos os pontos em que os profissionais do obturador fazem a sua arte.

 

Interlagos tem algumas peculiaridades: é uma pista antiga, e o traçado foi feito pensando em aproveitar ao máximo o terreno disponível. Na época isso não era um problema, mas os tempos modernos requerem áreas de escape, e juntando áreas de escape com a topografia da pista, temos alguns lugares bem acanhados para se circular... recomenda-se o uso de botas ou tênis apropriados para andar no mato. E que sejam confortáveis, pois você ficará bastante tempo em pé.

 

A coisa toda começa procurando um lugar bom para fazer as fotos da largada. Básico, é um dos momentos mais importantes da corrida, e no caso de Interlagos ainda tem uma curva fechada logo após, fazendo com que todo mundo entre junto disputando um espaço nem sempre existente. Claro que a prioridade de localização é para os equipamentos fixos, i.e., câmeras de TV. São grandes, pesadas, e precisam ficar o tempo todo da corrida transmitindo do mesmo lugar. Ao redor dessas câmeras, ficam os fotógrafos, pois por mais pesada que seja uma objetiva de longo alcance ela ainda é muito mais “móvel” que uma câmera de TV. No caso de Interlagos, isso significa se espremer em uma abertura na grade que existe para o posicionamento da câmera de filmagem que não é dos maiores. Como sempre se faz alguma reforma antes da F-1 chegar, garanto que todos os fotógrafos agradeceriam se houvesse mais uma abertura para eles trabalharem, fica a dica. O Esse do Senna é também muito bom para aquelas fotos do carro de lateral, afinal é um ponto de menor velocidade, portanto mais fácil de focar e enquadrar a “barata”, e devido à importante redução de velocidade é ótimo para fazer aquela foto noturna com os discos de freio incandescentes – isso é, nos carros que ainda aquecem os freios dessa maneira, ao final da corrida estivemos lá novamente e eram pouquíssimos os carros que propiciavam essa bela imagem.

 

 

 

 

Passadas as primeiras voltas, hora de buscar outro ponto de fotos: meu amigo/guia resolveu ir até o Bico de Pato. Isso significa pegar o carro, ir até a antiga Curva do Laranja (atrás do atual guard-rail e alambrado do Laranjinha), deixar o carro ali e ir a pé até a citada curva. Não entrarei em detalhes, mas é caminhada digna de cross-country. No meio, dá para fazer fotos de trás do posto dos bandeirinhas do Esse antigo (aquele que é seguido do Pinheirinho, para quem não estiver se localizando direito na pista), um ótimo lugar para fotografia pois sempre tem pilotos disputando posição por ali. Dependendo da categoria, também é o lugar onde o pessoal “troca tinta” entre os carros. É de bom tom ter uma câmera de televisão ali, se a transmissão não contar com gruas. Se contar com gruas, falarei mais adiante.

 

 

 

 

Seguindo para o Bico de Pato, encontramos as clássicas tocas de Angry Birds, digo, quero-queros, que não nos incomodaram pois tinham ido para outro lugar por conta do barulho dos motores... ainda bem, se fosse corrida de furadeira, digo, Fórmula E, estaríamos encrencados. Outro lugar onde se faz necessária uma filmadora: tem um morro atrás do posto dos fiscais (os que chamei de “bandeirinhas” no parágrafo anterior) e ali do alto dá para pegar os carros percorrendo o Pinheirinho, a reta de acesso ao Bico de Pato e a curva propriamente dita. O melhor ponto para fotografar pode ser de frente para a freada da curva (pega-se o carro chegando) ou na ponta do guard-rail da saída, onde se faz ótimas fotos da saída da curva. Esse ponto eu confesso que não visitei, fiquei observando o trabalho dali e a vista panorâmica da pista – que especificamente ali é fenomenal. Com uma objetiva suficientemente potente, dá até para fotografar os carros percorrendo a Curva do Lago, do outro lado do autódromo. Fiz a foto para arquivo pessoal, sem maiores pretensões.

 

 

 

 

Hora de fazer o caminho de volta, e uma paradinha para fotos da área interna do Pinheirinho, lugar legal para fotografar os carros freando para o Bico de Pato. Para o pessoal da filmagem, uma grua ali propicia imagens bem interessantes, mas sabemos que gruas são caras, portanto para eventos mais “endinheirados”, como Stock, Truck e principalmente F-1. Um dos lugares onde se pode fotografar os carros mais de perto, e com segurança, já que o trecho é de baixa velocidade.

 

 

 

Próxima parada, Curva do Sol. Com o entardecer, é um lugar maravilhoso. Nos deslocamos de carro até a antiga Curva 2, maravilhosamente inclinada, e nos posicionamos. Dependendo da sua intenção, você consegue desde fazer foto de panning até uma imagem dos carros fazendo o trecho todo da saída da primeira perna do Esse do Senna até o meio do Sol, ou os carros entrando na Reta Oposta. Diversas opções de fotos, e com a iluminação do entardecer fica melhor ainda o lugar. Eu quase desencanei de fotografar com nitidez os carros para tentar ficar jogando com a iluminação do entardecer e a passagem dos carros em alta velocidade. Aquele momento de “fotografia artística”, de aproveitar a beleza do lugar e da iluminação para fazer algo esteticamente mais bonito, embora não necessariamente nítido.

 

 

 

 

 

 

Carro de novo, descendo o Retão antigo (atualmente usado para provas de arrancada, e que eu me arrependo amargamente de não ter fotografado; foi a emoção de estar em solo sagrado) e vamos até a Curva do Lago. Ótimo lugar para fotografar disputas de posição, rodadas (infelizmente não consegui fotografar ninguém rodando) e os carros vindo pela Reta Oposta de frente.

 

 

 

Próxima parada, Junção. Quando chegamos lá a tarde já estava terminando, a luz natural era pouca, e apesar de ser um ótimo lugar não deu para fazer muitas fotos aproveitáveis com meu equipamento, mas os fotógrafos profissionais estavam se esbaldando, confesso. Também não quis subir na mureta que eles subiram em busca do melhor ângulo. Estão achando que fotografar é fácil? Tem que ter preparo físico...

 

 

 

Voltamos para o Esse do Senna em busca de fotos de freios incandescentes, mas o que eu podia fazer era imagens de lanternas passando em minha frente. E como sempre sou um ser esquecido, não levei nem o tripé nem o monopé, equipamentos que teriam facilitado sobremaneira minha intenção de fotografar à noite. Não é permitido fotografar os carros chegando de frente com o flash (óbvio e evidente, mas nos dias de hoje é sempre bom ressaltar as proibições), mas pode de lado e de traseira. Não utilizei, pois estava tentando “brincar” com as regulagens das máquinas e usando a opção ISO3200, que propicia uma imagem noturna minimamente nítida sem flash mas com uma granulação violenta. Impraticável para impressão, claro, a não ser que seu objetivo seja a fotografia artística, o que não era o caso.

 

 

 

 

Após isso tudo, ainda restou a opção de fazer fotos noturnas nos boxes, ou do miolo do circuito visto do fundo dos boxes, e com isso a prova chegou ao final.

 

 

 

Tendo vivenciado isso tudo, dá para valorizar ainda mais o trabalho feito por esses profissionais. Lembrando que os profissionais da filmagem tem mais um problema: os fotógrafos se movimentam, ao passo que eles têm que estar em seus postos no começo da prova e lá permanecer até o último carro voltar para o parque fechado. No caso de Interlagos isso significa começar o trabalho com uma temperatura e terminar o trabalho com outra, quase sempre bastante diferente. Expostos à inclemência do tempo (e o tempo em Interlagos sabe ser inclemente...), frequentemente não são reconhecidos pelo trabalho duro que fazem.

 

E isso foi só a captura das imagens. Depois tem outro trabalho, que é o tratamento das imagens, no caso das fotos. Afinal, como não usamos mais filme nas máquinas, o limite é a capacidade do cartão de memória da máquina... falarei por mim mesmo: só no domingo tirei cerca de 280 fotos. Descontando as que ficaram efetivamente ruins e as que de cara eu achei meia boca, sobraram 205. Dessas 205 escolher as 34 que acompanham essa matéria não foi fácil, e ainda não estou muito certo a respeito das minhas escolhas...

 

Até a próxima!

 

Alexandre Bianchini