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Pneus Michelin na Porsche BR PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 11 April 2017 10:06

A Porsche GT3 Cup Challenge é um inegável sucesso de organização e promoção há 12 anos e para 2017 a categoria promovida pelo empresário Dener Pires deu mais um passo no campo da excelência ao adotar a partir de 2017 o mesmo pneu que é utilizado na categoria em todos os países do mundo onde ela é disputada.

 

 

A empresa francesa Michelin tem um longo histórico com a categoria e faltava conseguir fechar um contrato de parceria com a a competição aqui no Brasil. Agora não falta mais! Durante os meses que antecederam a primeira largada para o campeonato deste ano, no Autódromo Internacional de Curitiba, foram feitos testes com o novo pneu para que, quando os pilotos da categoria chegassem para o início do campeonato, todos os ajustes tivessem sido feitos e os carros prontos para serem levados ao limite.

 

O promotor da categoria, Dener Pires, falou sobre como foi o processo de negociação e alinhamento com a Michelin para que ela passasse a ser a fornecedora oficial dos pneus da Porsche GT3 Cup Challenge.

 

“Era algo que precisávamos fazer e agora estamos fazendo para adequar a Porsche GT3 Cup Challenge aqui no Brasil com o que acontece em todo o mundo. Nós iniciamos a categoria com outro fornecedor por não haver na época um suporte, uma estrutura do departamento de competições no Brasil. Nós conseguimos alinhar uma parceria com a Michelin e foi criado um departamento de competições aqui no Brasil e o primeiro parceiro somos nós.

 

Assim passamos a ter o mesmo pneu que é utilizado pela categoria em todo mundo e é um pneu que a Michelin produziu especialmente para atender este carro. É um Pneu para a Porsche. Agora a Porsche Cup do Brasil está 100% alinhada com todas as Porsche Cup do mundo em uma relação onde temos um contrato de cinco temporadas”.

 

Contudo, não bastava apenas trazer os pneus para o Brasil, instalar nos carros e mandar os pilotos para a pista. Era preciso fazer todo o processo de adaptação do carro, que utilizou um outro pneu de competição por anos, para o comportamento e as dimensões do novo pneu, que inclusive tem medidas distintas para as categorias Cup e Challenge.

 

Para entender melhor este processo e fazer uma transição segura e tranquila, a Michelin enviou para o Brasil o Engenheiro responsável pelo seguimento de competições na Espanha, Portugal e América Latina, Luis Bobadilla, que tem mais de 20 anos de Michelin, trabalhando com  todos os produtos de competição da marca francesa e nos explicou como funcionam as coisas para a Michelin nesta parceria com a Porsche.

 

NdG: Como você acompanhou este processo para que a Michelin viesse fazer parte do evento da Porsche também aqui no Brasil?

 

 

Luis Bobadilla: Como as pessoas que acompanham as competições da Porsche pelo mundo, a Michelin é uma parceira desde o primeiro momento até hoje, desenvolvendo junto com a Porsche um produto específico para atender este evento. Esta parceria traz benefícios para todos. Para a montadora, para a Michelin, para os pilotos. No caso aqui do Brasil, precisávamos ter uma estrutura mínima para poder prover a competição da Porsche aqui no Brasil com a mesma qualidade que fazemos isso pelo mundo.

 Eu vivo na Espanha e desde que a Porsche Cup do Brasil começou a correr lá e em Portugal nós conseguimos estabelecer uma conversa mais profunda com o Dener [Pires] e de como poderíamos fazer para ter uma estrutura própria capaz de prover nossos pneus para a Porsche aqui no Brasil.

 

NdG: E como será o controle de qualidade do processo dentro do trabalho de planejamento e desenvolvimento de produtos de competição da Michelin aqui no Brasil?

Luis Bobadilla: Estamos com um processo de formação e treinamento de uma equipe aqui no Brasil que já trabalha na empresa há muitos anos e que durante este período de implementação eu estarei aqui no Brasil com grande frequência para fazermos isso, tanto na pista como na planta de produção. Além de mim, estará o engenheiro Erwan Legendre, do departamento de competições da Michelin na Europa e que juntos iremos desenvolver este trabalho.  

Nós temos nosso trabalho realizado em nossas instalações na região central da França e usamos como pista de testes o circuito de Clermont-Ferrand. É lá que fazemos a formação dos nossos profissionais e daqui do Brasil, será chefiado pelo engenheiro Flávio Santana, que tem uma larga experiência aqui na Michelin e que vem sendo preparado para isso no nosso centro de desenvolvimento na França há anos.

 

Flavio Santana está sendo preparado para em breve chefiar o departamento de competições da Michelin no Brasil.

 

NdG: Antes de fazer a primeira etapa do campeonato aqui no Brasil vocês fizeram testes com estes pneus aqui no Brasil?

 

Luis Bobadilla: Isso não seria algo necessário. Este pneu é produzido sob medida para a Porsche Super Cup e estes carros que disputam o campeonato aqui no Brasil. Conhecemos bem os autódromos brasileiros como Interlagos e Curitiba, mas apenas para checar e fazer uma medição prévia de desgaste, pressão de trabalho e outros parâmetros técnicos, colocamos dos carros na pista na quarta-feira, com dois pilotos profissionais e muito experientes, para fazermos estas medições e fazer as regulagens para os pneus da Michelin, que são diferentes dos pneus da Pirelli, usados até o ano passado. Devemos fazer isso nos outros circuitos também.

 

A chegada da Michelin na Porsche GT3 Cup Challenge trouxe não apenas uma “mudança de bandeira”, trocando a italiana pela francesa. Além de um pneu especificamente desenvolvido para os carros da marca alemã, para cada um dos carros (997 no caso da categoria Challenge e 991 no caso da categoria Cup) a nova fornecedora de pneus está oferecendo pneus específicos.

 

 

Em ambos os casos, os pneus continuam sendo montados em rodas de 18 polegadas, mas no caso da categoria challenge, os pneus dianteiros tem 250mm de banda e 640mm de altura. Os pneus traseiros tem 300mm de banda e 680mm de altura. No caso da categoria Cup, os pneus são maiores. Os dianteiros tem 270mm de banda e 650mm de altura. Os traseiros tem 310mm de banda e 710mm de altura.

 

 

No setor de montagem, além do controle dos pneus que estão equipando cada um dos carros existe a norma de calibragem. A Michelin analisa e determina a pressão que cada um dos pneus deve receber para treinos e corridas.

 

 

Responsável direto pelo desenvolvimento específico dos pneus que a Michelin produz para a Porsche e suas competições pelo mundo, o tímido francês Erwan Legendre Estará supervisionando direto o trabalho da equipe de técnicos que estão trabalhando nas etapas da Porsche GT3 Challenge Cup no Brasil e fazendo a parte prática da formação da equipe que irá ficar à frente de todo o trabalho aqui no Brasil. Ele também conversou conosco.

 

NdG: Como é o seu trabalho lá na Porsche Super Cup lá na Europa?

 

Erwan Legendre: Já estou trabalhando diretamente com a categoria há muitos anos e esta parceria tem sido muito positiva, tanto para a Michelin quanto para a Porsche. Conseguimos desenvolver um produto excelente para os campeonatos disputados com os carros da Porsche em todo mundo e agora estamos chegando ao Brasil para um novo desafio técnico e profissional com a GT3 brasileira.

 

NdG: Quando a Porsche procurou a Michelin na França para equipar os carros das categorias lá na Europa, o que eles procuraram em termos de especificações?

 

 

Erwan Legendre: Algo muito simples. Eles queriam os melhores pneus para o melhor carro! Humor à francesa (risos). Bem, eles queriam um pneu que tivesse uma performance o mais constante possível ao longo de suas corridas. Um composto bem balanceado entre consumo e resistência, que trabalhasse numa boa faixa de temperatura e que proporcionasse tempos relativamente constantes da primeira a última volta.

 

NdG: Você vai ser a pessoa diretamente responsável pelo treinamento da equipe técnica que cuidará dos pneus aqui no Brasil, como você planejou seu trabalho?

 

Erwan Legendre: Aqui na pista meu trabalho é o de um orientador. É fazer com que eles usem os pneus da forma correta. Este processo é feito em duas partes: antes e após a corrida. Buscamos encontrar o setup para os pneus antes de começarem os treinos cronometrados e há uma diferença na forma de trabalho aqui no Brasil para o que temos na Europa. Aqui todos os carros são cuidados pela mesma equipe de técnicos que são do promotor do evento, não havendo equipes competindo entre elas. Isso facilita o trabalho por vermos o que passamos como setup praticamente não ser contestado pelos pilotos.

 

 

NdG: Por quanto tempo você acredita que precisará continuar com este processo até a equipe do Flavio Santana poder caminhar sem uma orientação direta?

 

Erwan Legendre: Eu não tenho como estimar ainda. O que vejo é que o retorno dado pela equipe de trabalho aqui no Brasil está sendo muito boa e as informações que estamos colhendo com os pilotos também estão sendo muito uteis. Provavelmente eu vá acompanhar todas as corridas desta temporada, onde terei oportunidade de conhecer as particularidades dos circuitos onde correremos e fazer com que este processo se dê da melhor maneira possível. As três primeiras corridas da temporada certamente estarei aqui no Brasil e então faremos uma avaliação.

 

Mas e o que disseram os pilotos sobre os novos pneus? Eles tiveram a oportunidade não só de usar os pneus para pista seca como também os compostos para pista molhada ao longo do primeiro final de semana em Curitiba. Conversamos com três dos mais velozes e experientes pilotos da categoria para saber qual foi a impressão deles sobre os novos pneus.

 

Lico Kasemodel – Piloto da categoria Cup.

Eu gostei da aderência e da constância de comportamento do pneu. Quando dei as primeiras voltas com o carro, senti uma tendência do carro em sair de frente e daí quando voltei para os boxes eu pedi para mexer um pouco no acerto do carro para diminuir essa tendência.

 

Ter o carro saindo um pouco de frente no início da corrida, pelo menos comigo. Com o andar da corrida essa tendência vai desaparecendo e o carro fica equilibrado e no final ele vai ficando traseiro e é preciso dosar o pé senão você não consegue fazer bem as curvas.

 

Em relação aos pneus de chuva eu fiquei surpreso com o comportamento do composto, como ele chegou numa temperatura boa bastante rápido, como consegui virar rápido logo na primeira volta cronometrada e como as corridas são quase todas no inverno, pode ser que usamos estes pneus mais vezes.

 

Pelo primeiro contato que tivemos com os pneus da Michelin acredito que teremos um grande pneu para esta e as próximas temporadas e que a Porsche vai ganhar muito com isso.

 

Miguel Paludo – Piloto da categoria Cup.

Eu acho que foi um grande ganho para a Porsche aqui no Brasil e que agora estamos usando o mesmo pneu que eles usam lá na Europa. É um pneu que é feito para o carro e vai até mesmo ajudar se alguém for fazer alguma corrida por lá.

 

O comportamento do pneu se mostrou muito constante. Antes a gente tinha as primeiras voltas muito rápidas de depois tínhamos uma performance não tão boa e este pneu tem um comportamento bastante constante, tanto que a volta mais rápida da corrida foi feita na parte final. Ele demora um pouco mais para aquecer, mas mesmo ainda fora da temperatura ideal ele mostrou um ótimo grip.

 

Eu achei o carro muito “frenteiro” e mexemos a altura do carro na frente para diminuir esta tendência. O carro teve toda uma modificação de altura por conta das mudanças dos pneus, mas eu pedi uma mudança na parte dianteira e deixei o carro com o comportamento parecido com o que ele tinha no ano passado.

 

O composto de chuva é excelente e comprovou que a mudança foi super positiva. Ao longo da temporada eu acredito que a Porsche vai fazer nos carros para melhorar e certamente iremos ter o carro mais no chão e virando muito rápido e teremos uma ideia melhor do quanto os carros irão render com estes pneus.

 

Pedro Queirolo – Piloto da categoria Cup.

O pneu é muito bom, tem um excelente grip, especialmente na traseira. Isso deixou o carro um pouco dianteiro. Outra coisa que percebi foi que os pneus demoram mais para chegar na temperatura ideal, mas isso não comprometeu demais a performance. Apenas a diferença que se antes eu conseguia fazer a melhor volta na tomada de tempo na primeira volta lançada, agora esse tempo vem na quarta ou quinta volta.

 

Por conta da diferença do pneu eu estou tendo que acelerar um pouco antes na curva para ter uma boa saída e endireitar a frente do carro. Isso está fazendo uma diferença, acredito que para os outros também e até a gente pegar a mão de como tirar o máximo destes pneus e o novo comportamento do carro ainda vai demorar um pouco. Quem for mais rápido, vai ter uma vantagem grande.

 

Eu tive que buscar novas referências nos meus pontos de frenagem e passei a frear um pouco antes, mas acho que acelerando um pouco antes também não implicou em perda de tempo, só que ainda é preciso buscar uns ajustes no carro para poder ganhar tempo e ter uma performance melhor.