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Written by Administrator   
Wednesday, 25 January 2017 21:30

Caros amigos, o jornalismo é uma profissão repleta de “jargões”. Jargão, por definição, no caso uma das definições, é o linguajar próprio de um grupo profissional; gírias usadas por pessoas de uma determinada área profissional. E entre os muitos jargões do mundo das notícias, um dos mais chamativos é a “Bomba”, aquela notícia que tem um impacto devastador em um determinado ou diversos meios onde a mesma é divulgada.

 

O dia 23 de janeiro de 2017 ficará marcado como a data oficial do fim de uma era. Bernie Ecclestone está deixando o comando da F1. A confirmação foi feita pelo próprio dirigente de 85 anos em entrevista publicada pela revista alemã ‘Auto Motor und Sport’. Em sua declaração, o homem forte da Fórmula 1 por praticamente quatro décadas informou – com um certo tom de melancolia – que estava deixando o cargo e que o CEO do Grupo Liberty Media, Chase Carey, assumiria o seu lugar. Num tom com aquela ‘pitada de ironia tipicamente inglesa’, disse que ainda tem muitos amigos na F1 e dinheiro suficiente para poder pagar uma visita a uma corrida.

 

O tom dramático da despedida era algo que todos que acompanham o automobilismo esperavam. Na verdade, o Grupo Liberty Media tinha dito quando concluiu a primeira fase da compra das ações da categoria, que mudanças aconteceriam e que uma delas deveria ser a passagem do cargo ocupado por Bernie Ecclestone, Diretor Executivo, nos próximos três anos.

 

Acontece que o agora “Presidente Honorário” da categoria não se mostrou muito (ou nada) resiliente as mudanças que começariam a acontecer e não se furtou em disparar críticas, via imprensa, às medidas que o novo proprietário da maioria das ações da Fórmula 1. A sucessão destas não deve ter ajudado nem um pouco em relação ao que todos já sabiam que ia acontecer. Apenas talvez não esperassem que viesse a ocorrer em tão pouco tempo.

 

Seria um desrespeito com Bernie Ecclestone não reconhecer, agradecer e aplaudir tudo o que ele fez pela Fórmula 1 desde os anos 70. A F1 só atingiu um público de milhões de telespectadores e fãs nos autódromos porque Ecclestone soube liderá-la. Com erros, acertos, brigas, conchavos, desavenças e alianças, passando pelo confronto com Jean Marie Balestre nos tempos de FISA x FOCA, associação dos construtores da Fórmula 1 que ele criou para enfrentar a FIA e seu braço esportivo, que acabou desaparecendo como sigla, passando pela “gestão entre amigos” quando Max Mosley foi eleito presidente da FIA e ali permaneceu por dois mandatos, até este perder a credibilidade, o apoio e praticamente a honra, dando lugar a Jean Todt.

 

Foi neste período conturbado, do final da gestão Mosley, passando pela mudança para a gestão Todt que as coisas começaram a tomar rumos indesejados. Primeiro, com o fortalecimento das grandes montadoras dentro da categoria, algo que funcionou como um verdadeiro “ovo da serpente”. De início interessante, a sua forma ditatorial de conduzir a F1 fez com que Mercedes, Ferrari-Fiat, Renault, BMW, Toyota e Honda chegassem a ensaiar um movimento de rompimento com a categoria para criar uma outra em 2008. O que praticamente impediu que isso ocorresse foi o estouro da ‘bolha imobiliária’ nos EUA e seus efeitos, com a recessão econômica mundial e que ainda tem consequências até hoje.

 

É inegável que ele fez da Fórmula 1 um espetáculo mundial e uma máquina de gerar dinheiro, com direitos de transmissão, com a realização de corridas em lugares nunca antes imagináveis (tendo suas novas praças pagando o que ele pedia para tal) e de distribuir dinheiro aos “sócios do negócio”. As equipes também passaram a ganhar centenas de milhões – da moeda que o estimado leitor escolher para calcular – todos os anos com premiações e suas permanências e/ou existências.

 

O problema é que não existe fórmula de sucesso nos negócios que dure para sempre. É preciso reinventar-se e nisso o pequenino gigante “derrapou e saiu do traçado”. Queda de público nos autódromos e de audiência na TV. O não acompanhamento das novas formas de se fazer a informação e o entretenimento chegar as pessoas e ampliar os espectadores foram erros pelos quais Bernie Ecclestone está pagando caro.

 

De ex-comerciante de carros e motos usadas nos anos 50 a dono de um dos maiores negócios do mundo e uma fortuna de bilhões de Libras, é preciso que se dê o reconhecimento devido a uma pessoa que tanto fez e com tal competência (competência não é sinônimo de perfeição). Contudo, é hora de se tomar outros rumos... talvez mesmo este momento esteja chegando mais tarde do que deveria e os novos gestores tenham muito mais trabalho e desafios a enfrentar do que o próprio Bernie Ecclestone encontrou 40 anos atrás.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva