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Pilotos: a mentalidade precisa mudar! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 28 December 2016 21:33

Caros Amigos, confesso que assisti mais de uma vez o debate entre os candidatos à presidência da Confederação Brasileira de Automobilismo. Com calma, fui fazendo minhas anotações, pegando pontos de referência uma vez que a discussão acabou mostrando outros fatores que devem ser avaliados e analisados com cuidado.

 

Desde que foi lançada em abril de 2016, a ABPA (Associação Brasileira dos Pilotos de Automobilismo) vem buscando desde então ser o órgão mais representativo para a classe dos automobilistas – do Kart à Fórmula Truck – mais do que os clubes aos quais os pilotos são ou deveriam ser filiados e participativos, elegendo os presidentes destes clubes e seus diretores.

 

Foi decepcionante – e preocupante – saber pelo atual Presidente da ABPA, o piloto da Fórmula Truck, Felipe Giaffone, revelou para os presentes que a associação conta hoje com um número de associados relativamente pequeno (pouco mais de 200 pilotos) e que o corpo de associados não vem cobrindo os custos operacionais da entidade. E quando a questão atinge o setor financeiro, a gravidade e mesmo o risco do encerramento de um projeto deste tipo pode levar ao esvaziamento e ate mesmo o encerramento da mesma.

 

Mas o que fazer então para que um projeto que tem tudo para dar certo saia desta situação incômoda que está vivendo? Para encontrar esta resposta precisamos fazer algumas contas: os cartolas da Confederação Brasileira de Automobilismo costumam encher a boca para dizer que a entidade tem mais de dez mil pilotos federados. O problema é que o “conceito de piloto” é algo muito relativo.

 

Para os dirigentes da nossa digníssima CBA, “jipeiro”, “ralizeiro” universitário e participante de “competições de kart indoor” também são tão pilotos quanto os nossos representantes do Rally em competições internacionais, nossos kartistas que disputam campeonatos no Brasil e no exterior, além dos pilotos profissionais, que não são os “gentleman drivers”, que correm por paixão em categorias feitas para atendê-los. Assim sendo, este número de “pilotos” é simplesmente irreal.

 

Talvez, se formos racionais e rigorosos no que seria o “conceito de piloto”, cheguemos a um número – otimista – entre 2.500 e 3.000 pilotos em atividade nas pistas e trilhas do Brasil. Sendo assim, o grande desafio da ABPA é buscar estes mais de 90% de pilotos que aceleram com paixão e dedicação tão grande quanto a deles e trazê-los para a associação. Mas como fazer isso?

 

Posso estar errado e, caso esteja, adianto meu pedido de desculpas ao presidente Felipe Giaffone e a diretoria da ABPA, talvez seja preciso mudar a abordagem junto aos pilotos, buscando alcançar os pilotos que correm os campeonatos regionais, visitando os estados onde temos regionais fortes, inicialmente e posteriormente, buscando os demais estados. Que os associados do seguimento de Rally e Arrancada façam um trabalho junto os pilotos destas modalidades e busquem atrair associados.

 

A ABPA tem algo que nenhuma associação de pilotos possui no mundo: direito a voto em uma eleição direta para o órgão máximo do automobilismo nacional e se a associação dos pilotos não for uma entidade forte e representativa, como poderá representar legitimamente o interesse dos pilotos? E com isso entramos em um importante aspecto desta reflexão: o que os pilotos querem?

 

Para quem anda pelos boxes e paddocks (não é o meu caso, mas temos integrantes do site dentro dos boxes das categorias que correm aqui no Brasil e no exterior desde 2009) e conversa com os pilotos costuma ouvir com regular frequência queixas contra a federação, contra a CBA, mas quando se procura falar sobre política, poucos são os que tomam posições. Se querem ser ouvidos, se querem mudanças, os pilotos precisam ser mais ativos.

 

É preciso que os pilotos, especialmente agora que tem o poder do voto na eleição para a CBA assumam de uma forma mais incisiva uma postura política, uma participação mais efetiva, que se façam realmente representar na sua associação e nas assembleias da CBA quando estas ocorrerem.

 

A oportunidade está nas mãos de todos, é hora de fazer valer sua voz, Sr. piloto.

 

Um abraço e até 2017,

 

Fernando Paiva