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Old Stock: Um grande potencial! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 06 December 2016 23:39

 

Quando pessoas apaixonadas pelo automobilismo decidem ir além da paixão coisa maravilhosas podem acontecer e a paixão pelo automobilismo não é algo fugaz. Quando se é realmente apaixonado este sentimento se perpetua e se renova em declarações e ações.

 

A categoria mais longeva do automobilismo brasileiro, a Stock Car, estava completando 25 anos quando George Lemonias, o “Grego”, começou a conversar com Paulo Soláriz, empresário, artista plástico e idealizador do Velocult. Destas conversas começaram a surgir os planos para reviver aquele sentimento de paixão do automobilismo, tão sufocado nos dias de hoje pelas exigências comerciais.

 

George Lemonias (Grego) e Paulo Soláriz nos boxes em Curitiba. Acampanhando cada passo da categoria.

 

Durante mais de uma década da categoria, fruto do trabalho duro de gente abnegada e apaixonada com Afonso Giaffone e Washington Bezerra, teve sua imagem e seu DNA nos Opalas, carro emblemático da Chevrolet aqui no Brasil. Com o passar do tempo e com o modelo sendo descontinuado nas linhas de produção, foram buscar outros modelos, mas o Opala continuou sendo uma imagem nas mentes e corações dos apaixonados.

 

O projeto da Old Stock Racing está buscando resgatar esta imagem e trazê-la para os dias de hoje e os idealizadores reuniram um grupo de igualmente apaixonados para trazer de volta os icônicos Opalas de volta às pistas. Um apelo à memória e que também iria mexer com os apaixonados “opaleiros”, uma legião de milhares de fãs deste carro e que formam um dos maiores clubes de colecionadores do Brasil.

 

Na visitação aos boxes, ttodos queriam ver de perto os Opalas de corrida.

 

Para fazer uma categoria, era preciso estabelecer um regulamento e para fazer uma categoria que, inicialmente não teria nenhum apelo comercial, nenhum suporte de mídia, nenhum canal de TV transmitindo as corridas, era preciso fazer algo que coubesse no bolso destes apaixonados que iriam reviver os “anos dourados” (pelo menos em seus corações e mentes) da categoria.

 

O primeiro passo... o carro:

 

As carrocerias teriam que ser do modelo cupê, que foi fabricada entre 1975 e 1979. Modelos posteriores seriam aceitos, mas teriam que passar por uma adequação estética para ficar dentro do “gabarito”. Sem dúvidas, teve muita gente correndo atrás de carros até mesmo em ferrovelhos.

 

O carro tem a preparação de um carro de corridas de categoria turismo, seguindo o anexo J da FIA.

 

A fibra de vidro dos carros que vemos hoje nas pistas seria muito restrita: a lataria  original (ou recuperada) só foi dispensada no conjunto dianteiro (capô, para-choque e para-lamas dianteiros). Esse conjunto pode ser comprado como peça de fibra de vidro fornecida pela TC Pinturas Especiais ou montada no monocoque do carro, que terão assim a imagem dos primeiros Stock Car, sem spoilers, saias ou aerofólios.

 

A parte frontal é a única permitida a ser de fibra. o restante é lataria mesmo, como nos Stock dos anos 70/80.

 

Como se trata de um carro de corridas, a preparação é a mesma. Nada de acabamentos no interior ou exterior. Uma gaiola de segurança é instalada no interior e o banco do piloto passou a ser um banco atual, nada daquela “cadeirinha” dos anos 70/80, incabível nos dias de hoje As normas seguem o regulamento das categorias de turismo nacionais, pautadas pelo Anexo J da FIA, com tubulações e dutos, chave geral, extintores, cintos e bancos.  Os para-lamas poderão ser rebatidos apenas internamente, mas como há limitação de bitolas por regulamento (1.420 mm na frente e 1.398 mm atrás), não haveria vantagem em alargá-los. O peso mínimo do veículo, incluído o piloto e todos os seus equipamentos, bem como todos os fluidos do automóvel, Foi estabelecido em 1.200 Kg.

 

O conjunto motor/câmbio:

 

O bloco é o famoso “seis canecos” do Opala 4.1, que também foi usado na Silverado, podendo ser rebaixado na parte superior e ser aberto para até 0,060″ de sobremedida de pistões, que devem ser de cabeça plana; acompanhados de bielas originais de Opala ou Silverado (5,7″ ou 6″). A “melhor parte” é que cada carro ou equipe pode preparar seu motor, o que trouxe de volta para os boxes diversos preparadores que estavam parados ou com pouco trabalho por conta da “standarização” dos motores equalizados como os das corridas da VICAR.

 

O mítico "6 canecos" que fez deste carro um objeto de desejo consegue passar dos 260 CV na versão de corrida.

 

O cabeçote também é o do Opala seis cilindros, sem alterações nos formatos das câmaras, trabalhos nos dutos, mudanças nas válvulas ou uso de sistemas roletados. O comando de válvulas deve ser o mesmo para todos os carros, Iskenderian 278. O carburador é um Weber 44mm e o coletor de escape é de livre escolha, mas o da admissão é padronizado. O combustível é o álcool. Nada especial, este que compramos no posto da esquina, em um tanque de 85 litros.

 

Algumas mudanças são permitidas, como modificações no cárter e bomba de lubrificação originais para aumento de capacidade e pressão. Pode ter defletores e respiros também, mas o motor tem o sistema de cárter seco e o distribuidor pode ser o original, com a opção de um kit alternativo, com velas e cabos liberados.

 

O interior do carro tem bem mais recursos que os Stock Car da época, mas há versões menos equipadas.

 

Quem se lembra dos Opalas dos anos 70, o câmbio era uma caixa com quatro velocidades. Esta foi uma modificação que os promotores da categoria decidiram por “modernizar”, substituindo pela caixa de câmbio da picape C20, uma Clark de cinco velocidades com o diferencial Dana 30, do Opala quatro cilindros e sem autoblocante.

 

Suspensão e amortecedores:

 

O sistema de suspensão é basicamente o original, com alterações apenas nas cargas das molas (até 700 libras na dianteira e até 250 na traseira) com alturas mínimas de 23 e 27 cm respectivamente e amortecedores.

 

Acima, Camillo Christófaro Jr. Abaixo, João Ferreira. Nomes de peso trabalhando no desenvolvimento da categoria.

Os amortecedores, inicialmente eram todos padronizados, da Bilstein, mas muitos estão optando por um amortecedor trabalhado por Camillo Christófato Jr, mas em todo caso, as cargas dos mesmos continuam entre 250 e 700 libras para os dianteiros e entre 100 e 300 nos traseiros. As barras estabilizadoras e mangas de eixo devem ser seguir as dimensões e projetos originais.

 

Rodas, pneus e freios:

 

O sistema de freios combina discos frisados da Fremax com pinças e pastilhas da Sigma (seis pistões na dianteira e quatro na traseira); permitindo a retirada do hidrovácuo, o uso de tomadas de ar para ventilação e válvulas equalizadoras. As rodas são as do New Civic (aro 16x7”) e os pneus são pneus de rua, o Pirellli Phantom 205/55 R16.

 

Custo baixo e “carro de garagem”:

 

O regulamento buscou evitar que o custo de preparação e manutenção não encarecesse demais a categoria e, como é bastante simples, acabou despertando um antigo método de se fazer carros de corrida: na garagem de casa. Esse foi o meio que um pai de piloto resolveu encarar as pistas. Quando pode, corre dividindo o carro com o filho. Quando o filho – piloto – está na pista ou treinando, é com ele mesmo.

 

De pai de piloto a piloto, FábioFranzoni fez o seu "old stock" em casa, na garagem, como se fazia antigamente.

 

Fábio Franzoni, um engenheiro mecatrônico e pai do piloto Vitor Franzoni, empolgou-se com o projeto da categoria e fez na sua garagem o carro de corridas “da família”. Com um custo baixo de montagem e tendo um investimento entre sete a oito mil reais por final de semana, a tentação de cair na pista não foi algo resistível.

 

Como se trata de uma categoria nova, algumas mudanças de regulamento e inovações, melhorias sugeridas pelos participantes são bem vindas. Uma delas veio do próprio Fabio Franzoni, que apresentou um tanque de combustível, que ele alterou a posição (com permissão para isso), levando-o para onde ficaria o encosto do banco traseiro com o início do porta malas. Uma posição mais segura para o caso de batidas.

 

Acima, o tanque original. Abaixo, a proposta de Franzoni que deve ser padrão na temporada de 2017.

Uma coisa que a categoria vem conseguindo fazer é levar público para os autódromos, algo que quase não acontece nos campeonatos das categorias regionais. Tanto em Interlagos como em Goiânia, onde a categoria correu este ano, públicos entre três e quatro mil pessoas pagaram ingresso para ver os velhos Opalas, renascidos, acelerando.

 

Em Curitiba o público foi um pouco menor, mas o estacionamento no domingo mostrou o que pode ser o início de uma popularização de categoria através de um público direcionado. Quase 500 Opalas e Caravans estavam estacionados e a área dos camarotes ficou apertada para quem veio ver a corrida. Uma parte buscou mesmo as arquibancadas.

 

Em um evento que não teve a divulgação em mídia aberta, a Old Stock levou um público consideravel ao AIC.

 

Assim como a Fórmula Truck atraiu milhares de caminhoneiros para os autódromos e popularizou a categoria, atraindo público que gosta de corridas mesmo sem entender nada de caminhão, a Old Stock pode se popularizar e atrair um público que não apenas goste de Opalas, mas que goste de corridas com um carro que é um clássico na história da indústria automotiva do Brasil.

 


Last Updated ( Wednesday, 07 December 2016 00:08 )