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À Cesar o que é de Cesar! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 23 November 2016 20:18

Caros Amigos, muitos dos nossos estimados leitores certamente já ouviram a expressão “Dai a Cesar o que é de Cesar”, registrada nos evangelhos da Bíblia Cristã, sem ter ideia da sua origem, mas certamente associando-a ao cotidiano do “quem planta, colhe”, seja lá o que for.

 

Fico, como cidadão nascido e estabelecido em Belo Horizonte, estado de Minas Gerais, de certa forma desconfortável para o que vai ser lido nas linhas que se seguirão, mas como gestor de um portal de automobilismo que tem como conduta a verdade e a honestidade com quem acompanha nosso trabalho e que tem um site onde o compromisso enquanto imprensa é de ser o fiel depositário da confiança de seus leitores, agindo com imparcialidade e correção, vejo-me no dever de expor toda a minha indignação com as cenas que assisti neste final de semana passado com a etapa da Stock Car em Curvelo.

 

Passadas três semanas da publicação de um editorial, assinado pelo Editor Chefe do site onde, apesar de se enaltecer todo o esforço de um abnegado paraibano que fez do próprio bolso um autódromo em seu estado, vimos um clube de automobilismo filiado à federação de seu estado, que homologou o autódromo para aquela prova mesmo a pista estando em precárias condições de segurança, organizar uma corrida de inauguração sob os olhos maravilhados do proprietário e dos presentes. Uma não, algumas... e numa delas houve o capotamento de um dos competidores, o que foi “nada”, diante de tudo o que poderia ter acontecido, jamais imaginaria ver o que vi.

 

Ao contrário do Autódromo na Paraíba, o Autódromo dos Cristais é um empreendimento imobiliário e esportivo, que envolveu investidores, publicidade, consultorias e que veio com uma proposta de colocar-se como o segundo melhor autódromo do país, como postulante a receber uma etapa do Campeonato Mundial de Motovelocidade e o que se apresentou nas imagens, desde os treinos, foi algo simplesmente aterrador.

 

Era visível que o autódromo estava inacabado, com diversas obras de segurança a serem feitas e, mesmo assim, a Confederação Brasileira de Automobilismo homologou o circuito para receber uma corrida de um promotor de categorias nacionais (a VICAR, no caso). Fiquei ainda mais assustado ao lembrar que em setembro tivemos corridas com carros e motos, o “GP das Gerais”, possivelmente seguindo o modelo que vimos na Paraíba, onde a federação local homologou a pista para uma corrida do estado.

 

Costumo ser comedido com minhas palavras, mas não consigo encontrar outra que não irresponsabilidade de quem assinou a homologação de um autódromo que não possuía guard rails e barreiras de pneus na grande maioria de suas curvas, que não possuía caixas de brita em nenhuma de suas áreas de escape, incrivelmente pequenas em diversas curvas para um autódromo cujo seus donos, projetistas e construtores vislumbram – ou vislumbravam – ter a pista homologada para receber a maior categoria do motociclismo mundial.

 

Ao contrário do que aconteceu na Paraíba, onde fora do estado nordestino pouco ou nada se viu sobre o autódromo local, as imagens do piloto Galid Osman deslizando numa área de escape pequena e de barro bem batido até chocar-se com um barranco que tinha uma árvore em suas bem fincadas no solo. É uma região de preservação e as árvores não podem ser removidas. O que não podia não estar lá eram a caixa de brita, a barreira de pneus e o guard rail!

 

Contudo, o que mais me chocou foi ver Rafael Lapenna derrubar um muro de tijolos em uma outra curva onde também não havia brita e/ou pneus. Colocaram uns blocos de concreto na frente do muro de tijolos, mas estando a mesma sobre o terreno e não com sólidas fundações, os blocos se moveram com o impacto do carro #110. Além disso, as tomadas das imagens mostraram a tentativa de mascarar outros muros com tapumes de alumínio, destes que encontramos em obras no lugar de guard-rails em trechos de reta, escondendo algo que, certamente, não seria o correto.

 

Temi por algo ruim nas corridas do final de semana, mas que a providência divina permitiu que não acontecesse. A chuva que castigou o início dos trabalhos não se fez presente no sábado ou no domingo, diminuindo o risco de acidentes e derrapagens. Questionei a falta de declarações dos pilotos, tão conscientes e críticos, observadores das questões de segurança que estranhamente calaram-se... ou teriam sido calados, com suas críticas não sendo mostradas nas entrevistas?

 

Quando a Fórmula Truck alterou sua corrida de encerramento da temporada, saindo de Curvelo e retornando para Londrina, em uma corrida que acontecerá na tarde do sábado, dia 10 de dezembro, meu primeiro pensamento foi: que tipo de dificuldade criaram para a categoria não correr aqui em Minas Gerais. Vendo as imagens dos acidentes da Stock Car, compreendi perfeitamente a atitude da categoria: o circuito não oferecia condições mínimas de segurança para recebê-la. Atitude esta que a VICAR deveria ter tomado.

 

O Circuito dos Cristais vai ser um grande palco para nosso automobilismo e motociclismo... assim que estiver concluído! Precisamos ser realistas e responsáveis: há muito que se fazer e, com a eleição da nova diretoria da CBA, que a Comissão Nacional de Circuitos faça o que deve ser feito: exigir a adequação do circuito às normas de segurança que são exigidas e cumpridas por todos os demais autódromos homologados do país e não permita corridas até que as mesmas sejam atendidas.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva