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Muito além do cockpit PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 16 November 2016 20:27

Caros amigos, as questões que tem envolvido a permanência ou não de Felipe Nasr na Fórmula 1 para 2017 tomaram vulto – ao menos para nós, no Brasil – de uma proporção que nunca a presença ou não de um piloto envolveu fatores extrapista de maneira tão complexa. Nem quando daquela indefinição sobre o dia seguinte com Ayrton Senna, em 1993, quando ele passou o ano lamentando-se por não estar na Williams.

 

Quando, ainda nos treinos para o GP de Austin, o jornalista Reginaldo Leme divulgou que “estava praticamente tudo certo” entre Felipe Nasr e a Force India, onde apenas alguns detalhes faltavam para que se consumasse a assinatura do contrato e que as negociações tiveram a decisiva interferência de Bernie Ecclestone junto aos sócios da equipe para garantir assim, não só a presença de um piloto brasileiro no grid, mas também a presença em uma equipe onde ele pudesse mostrar a sua capacidade e preparar voos mais altos no futuro.

 

Passados menos de 10 dias, eis que outro jornalista, da mesma emissora – Lito Cavalcanti – joga por terra tudo o que vinha sendo falado aqui pelo Brasil e diz que o piloto a vir fazer dupla com o mexicano Sérgio Perez na Force India em 2017 será o francês Esteban Ocon e não o brasileiro. O motivo teria sido a parceria da equipe com a sua fornecedora de motores (Mercedes), que é responsável pelo crescimento e chegada de Ocon à Fórmula 1, tendo este – no ano passado – disputado o DTM pela marca da estrela de três pontas.

 

Após esta divulgação, as atenções se voltaram para a Renault, que tinha uma vaga em aberto com a confirmação de Nico Hulkemberg e a indefinição sobre Jolyon Palmer, com Kevin Magnussen indo para a norte americana Haas e mais uma vez, no final e antes mesmo da chegada dos pilotos ao Brasil, a segunda vaga acabou confirmada para o piloto inglês, deixando apenas as duas equipes do fundo do grid como opção (sic) para o Felipe Nasr.

 

O que certamente surpreendeu a todos que acompanham a Fórmula 1 aqui no Brasil foi um encontro de cerca de 30 minutos em Brasília entre o – ainda – chefão da Fórmula 1 e o Presidente da República! Michel Temer e Bernie Ecclestone estiveram reunidos na última quinta-feira. O dirigente negou em todos os questionamentos que o assunto fosse a continuidade ou não do GP Brasil de Fórmula 1, que tem um asterisco no calendário de 2017... contudo, tenho certeza que nenhum dos meus estimados leitores acredite nisso.

 

Durante a estada da categoria no Autódromo José Carlos Pace, a Sauber recebeu a visita de diretores do Banco do Brasil, banco estatal e controlado pelo governo federal para negociar as “garantias de um cockpit” para o seu patrocinado, Felipe Nasr. Contudo, extraoficialmente o que se falava era em um corte de 25% no volume financeiro à disposição para patrocinar o brasileiro, que salvou o bolso da equipe com o 9º lugar sob a chuva que castigou São Paulo desde a noite de sábado.

 

Mas porque Bernie Ecclestone tem se esforçado tanto (pelo menos é o que se tem divulgado) por manter Felipe Nasr no Grid? As possibilidades são várias... pelo menos na cabeça dos especuladores.

 

“O Brasil tem um piloto na Fórmula 1 desde 1970 e seria muito negativo para o esporte no país que não tivéssemos mais um representante no grid”. Se fosse assim, como explicar a paixão dos italianos que há 5 temporadas não tem um piloto na categoria? Os franceses também ficaram ausentes por alguns anos há bem pouco tempo.

 

“O Brasil tem uma tradição de 45 anos como sede de um GP de Fórmula 1 no campeonato mundial, fora as corridas extracampeonato”. Se fosse assim, a França, um dos berços do automobilismo mundial, que sediou corridas desde que o campeonato mundial iniciou, em 1950, mas que está sem etapa desde 2009, mesmo tendo diversos autódromos em condições de sediar a prova.

 

“Bernie Ecclestone tem negócios no Brasil há décadas e isso garante o interesse em manter a corrida no Brasil”. Desde os anos 70 Bernie Ecclestone tem negócios no Brasil, com representantes legais em seguimentos que nada tem a ver com o automobilismo. Há alguns anos ele cultiva cafés gourmet no interior paulista, além de outros interesses. Bernie é muito discreto com seus negócios fora da F1 e certamente não é apenas no Brasil que ele deve ter negócios fora da Inglaterra.

 

A mais recente especulação estaria na possibilidade, de caso o futuro prefeito venha mesmo lavar adiante seu plano de privatizar o Autódromo de Interlagos, é de Bernie Ecclestone poderia ser o novo mecenas. Contudo, é bom lembrar que ele é o dono de Paul Ricard e nem por isso a França tem um GP de Fórmula 1, com todas as modernizações que o circuito recebeu. É nele, por exemplo, que o WEC faz sua pré-temporada.

 

Minha torcida para que Felipe Nasr tenha um carro para correr em 2017 é a mesma de todos os brasileiros que acompanham a Fórmula 1, mas se realmente Bernie Ecclestone tem trabalhado para que isso realmente ocorra, os interesses em torno disso vão muito além do cockpit.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva