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Promessas, desejos e realidade PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 19 October 2016 21:18

Caros Amigos, na semana passada pude ler no jornal da capital do país mais um passo (ou não) em direção a uma definição sobre o que vai acontecer com o Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília. Inicialmente não dei a atenção que os mais encorajados dariam. Afinal, já li tantas coisas a respeito da retomada das obras do autódromo inaugurado em 1974 que esta seria apenas mais uma reunião.

 

A tal reunião, inclusive, sequer fazia parte da agenda oficial do Governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg e não durou sequer uma hora, tendo como objetivo “mostrar o potencial da área para além da pista, o que, na visão dos presentes, poderia ser capaz de torná-la rentável”. Lembro aos estimados leitores que o autódromo está fechado desde dezembro de 2014 e que, oficialmente, não tem previsão de ser reaberto, estando sem condições de receber qualquer evento esportivo devido a interrupção da obras que transcorriam por ordem do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) por suspeitas de sobrepreço e falhas no projeto de engenharia. A reforma foi estimada, inicialmente, em quase R$ 252 milhões.

 

É fato que um autódromo bem administrado pode gerar dividendos aos seus administradores e/ou proprietários. Vejamos os casos de Curitiba (um autódromo privado) e de Interlagos (um autódromo público). Temos, em declaração em viva voz do administrador do AIC, Sr. Itaciano Neto, que o autódromo vem “operando no azul há oito anos”. Temos também a informação da SPTuris que Interlagos também opera no lucro por parte do administrador Guilherme Birello (no informativo do órgão de turismo, em 2015 Interlagos gerou quase 6 milhões para os cofres municipais).

 

Logicamente, pelo valor de mercado das duas áreas, o rendimento (lucro líquido) das mesmas está abaixo de qualquer investimento de mercado. Acontece que, tento no caso do Distrito Federal quanto de São Paulo, a geração de impostos e a fomentação do comércio e turismo locais, aumentam estas cifras em um grande percentual, tornando ter o espaço em condições de uso algo bastante atrativo.

 

Um exemplo claro foi o plano de trazer a Fórmula Indy para correr em 2015 em Brasília no que já seria o reformado autódromo. 45 dias antes da prova cinco dos 10 setores das arquibancadas que seriam disponibilizados já estavam com ingressos esgotados quando veio a intervenção do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que agiu corretamente, um vez que os valores apresentados realmente fugiam da realidade.

 

Acontece que a “fuga da realidade” é algo mais recorrente do que se imagina, ou ao menos deveria acontecer por parte de pessoas que fazer do esporte a motor um meio de ganhar dinheiro. É evidente que trazer eventos de porte internacional para um reformado e atualizado autódromo em Brasília seria uma forma de – em caso de administração correta – gerar um retorno para os cofres públicos e para o comércio local extremamente interessante. Contudo, é preciso se colocar os pés no chão para não se incorrer em novos erros como o do processo malogrado do governo anterior.

 

Um dos presentes desta “audiência pública não oficial” foi Tamas Rohonyi, sócio da Interpub, empresa que detém os direitos de organizar as provas de Fórmula 1 no Brasil até 2020. Acompanhado do engenheiro Luis Ernesto Morales, além das colocações técnicas, o empresário teria apresentado ao Governador Rodrigo Rollemberg os números da arrecadação de ISS e ICMS durante a semana da corrida em São Paulo, mostrando o retorno para a administração pública que o evento pode injetar nos cofres públicos.

 

Eu gostaria de saber de o Sr. Rohomyi falou também sobre os seus “balanços pós GP Brasil” onde nos anos de 2013 e 2014 o mesmo alegou ter tido prejuízos (ele não divulgou o balanço de 2015, onde eram visíveis os espaços vazios nas arquibancadas do autódromo, inclusive com um setor inteiro montado sem um expectador sequer. Mas a questão não é essa.

 

Uma coisa é fazer uma reforma em um bom autódromo (sim, o Autódromo Internacional de Brasília é – ou era até 2014 – um bom autódromo em termos de traçado e potencial para sediar competições), outra coisa é colocá-lo nos padrões exigidos pela FIA para deixá-lo no padrão “FIA 1”, apto a receber a Fórmula 1. Um exemplo recente é o autódromo de Termas de Rio Hondo. Era um autódromo comum na Argentina em 2008 até receber um investimento de quase 300 milhões de dólares. Primeiro para levá-lo à categoria “FIA 2”, permitindo que passasse a ser sede das etapas continentais do WTCC e da MotoGP e desde o ano passado, homologado como categoria “FIA 1”, apto a receber a Fórmula 1.

 

Será que o governo do Distrito Federal estaria disposto a investir um bilhão de reais em uma reforma que habilitasse o Autódromo Nelson Piquet a receber a Fórmula 1? Tamas Rohonyi tem os direitos de organização do GP Brasil até 2020, mas o calendário provisório da categoria traz um incômodo asterisco ao lado da data brasileira... algo que há tempos estamos alertando no Site dos Nobres do Grid.

 

Em setembro passado o Conselho Gestor de Parcerias Público-Privadas (PPPs) do DF autorizou a Terracap (órgão responsável pela reforma) a buscar interessados em administrar o autódromo, por meio de manifestação de interesse privado (MIP) e a reunião da semana passada foi a primeira aproximação desde então entre governo local e executivos bem relacionados no meio do automobilismo.

 

Sendo realista e pragmático, um autódromo num padrão “FIA2”, atendendo as solicitações da FIM (Federação Internacional de Automobilismo) e da Dorna, promotora do campeonato mundial de motovelocidade, pode trazer para a capital do país dois grandes eventos internacionais. Com uma boa negociação, até a volta do WTCC. Contudo, levar a Fórmula 1 para Brasília – ou tentar fazer isso – poderia, numa condição negativa, gerar uma competição canibalesca entre as duas cidades.

 

Sonhar é algo permitido para qualquer pessoa. Trabalhar para tornar sonhos realidade é algo que poucos empreendedores tem disposição e capacidade para fazê-lo, mas mesmo – e principalmente – estes tem, ou deveriam ter, os pés no chão e serem realistas para não fomentar ideias, como a de um vídeo que me foi enviado com um famoso comentarista de automobilismo local especulando a possibilidade de termos dois GPs de Fórmula 1 no Brasil. O Nacional e o “sulamericano”, como seria o GP de Baku... onde o governo local coloca na mão de Bernie Ecclestone 60 milhões de dólares por GP realizado!

 

Talvez a ida de Tamas Rohonyi indo até Brasília para buscar viabilizar o autódromo local – ao invés de uma atitude empreendedora – seja mais um sinal claro de que Interlagos está em risco de deixar de existir ao longo do mandato do prefeito eleito, João Dória.

 

Promessas, desejos e realidade são coisas bastante distintas.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva