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O inevitável passar do tempo PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 15 September 2016 01:07

Caros Amigos, quatro semanas atrás escrevi nesta coluna sobre nosso futuro ex-piloto da Fórmula 1, Felipe Massa, fazendo uma retrospectiva de sua carreira – em especial dos seus três anos na equipe Williams – de onde saiu de cabeça erguida e com o “dever cumprido”.

 

Nos dias que antecederam ao GP da Itália, o piloto brasileiro fez o anúncio de sua despedida da categoria, algo que já estava nas entrelinhas dos textos de quem acompanha a categoria de perto e já percebia “alguma coisa no ar”. Aliás, o que não faltou durante o período da corrida italiana foram anúncios sobre quem irá fazer – ou deixar de fazer – o que no ano que vem.

 

O campeão do mundo de 2009, Jenson Button, anunciou sua não participação – como piloto – na temporada de 2017 pela McLaren, abrindo espaço e garantindo a permanência da jovem realidade (ele não é promessa, já mostrou isso) Stoffel Vandoorne. Este sim, belga de nascimento e certidão, para fazer o GP de Spa-Francorchamps se tornar um palco superlotado e com uma “rivalidade” que irá extrapolar fronteiras, com o piloto da Red Bull, Max Verstappen.

 

A decisão de Felipe Massa em deixar o circo foi algo extremamente sensato. Sem ser pelas entrelinhas, mas de forma explícita, Felipe deixou bem claro que não permaneceria na Fórmula 1 “apenas para fazer número”. Que se não fosse competitivo, não faria sentido estar ali e setas palavras, na época, fizeram com que eu fosse buscar no passado a história de pilotos que fizeram isso.

 

A noção de como a Fórmula 1 mudou dos anos em que o Brasil começou a vê-la pela televisão, quando Emerson Fittipaldi conquistou seu segundo campeonato do mundo, o adversário a ser batido era o suíço Clay Regazzoni, piloto da Ferrari então com 36 anos completos quando disputaram a corrida em Watkins Glen. Regazzoni ainda disputou mais uma temporada pela Ferrari, mas depois passou mais tempos em equipes pequenas e médias, encerrando a carreira, melancolicamente, na temporada de 1980, na pequena Ensign.

 

Felipe Massa foi corretíssimo em não se submeter a ficar largando nas últimas filas, trabalhando pra tentar fazer um carro melhor para algum jovem piloto e, ao invés disso, está indo buscar algo que o mantenha motivado, desafiado, nas pistas. Seja onde for que ele venha a correr no próximo ano. Contudo, as possibilidades, mesmo em outras categorias, não são simples e nem o fato de ter sido um piloto vitorioso na Fórmula 1 garantirá resultados e grandes equipes imediatamente.

 

No WEC, o Mundial de Endurance, uma vaga em uma das equipes da categoria de protótipos híbridos não será fácil de ser conseguida, por falta de vagas disponíveis. Mark Webber deu muita sorte quando deixou a Fórmula 1 e isso coincidiu com o retorno da Porsche para a categoria. Isso não vai acontecer novamente. Será que ele irá correr num carro da GT-PRO?

 

Outra possibilidade seria o DTM, onde alguns pilotos de Fórmula 1, depois de uma passagem pela categoria máxima foram lá pilotar. É uma categoria difícil. Tão difícil que nem mesmo campeões do mundo como Mika Hakkinen conseguiram o título por lá. Na verdade, mesmo com mais de uma dezena de pilotos que tiveram passagem pela Fórmula 1 passando pelo DTM, apenas dois conseguiram ser campeões nos carros de turismo... e ambos com passagens bem discretas na Fórmula 1 (Hans-Joachim Stuck – 74 GPs entre 1974 e 1979 – campeão do DTM em 1980 e Nicola Larini – 75 GPs onde só classificou em 49 entre 1987 e 1997, campeão do DTM em 1993).

 

O caso de Jenson Button é diferente: ele está ficando na equipe como uma garantia de, caso Fernando Alonso realmente desista da Fórmula 1 no ano que vem, insatisfeito com o carro, com os rumos da categoria ou seja com qual argumento (ou desculpa) que usar e desistir do campeonato, Ron Dennis não vai ficar sem ter um piloto de peso para colocar em seu lugar. Jenson, um ano mais velho que Felipe Massa, tem em sua carreira um diferencial: o título de 2009, em grande parte fruto da circunstância de regulamento que a Brawn soube bem como utilizar. Não fosse isso, seria um piloto com um número de vitórias no mesmo platamar de Felipe massa.

 

O tempo é duro com os esportistas e, além dos dois acima citados, temos Fernando Alonso e Kimi Raikkonen, ambos com mais de 35 anos de idade, que correrão em 2017 por McLaren e Ferrari. Ao final do ano que vem, será que eles continuarão? Não será hora de abrir o caminho para jovens valores renovarem a categoria e fazer o que já vimos acontecer tantas vezes? Não podemos fugir do inevitável...

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva