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A revolução holandesa PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 31 August 2016 21:04

Caros Amigos, dentre as coisas mais interessantes no esporte as paixões que ele desperta são a forma mais extrema de se deixar transparecer aquilo que se passa em nossas mentes e corações. No automobilismo estes extremos pareciam estar adormecidos, ou confinados a um arremedo de despertar de paixões que é a disputa entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg.

 

Este cenário começou a mudar desde que o jovem Max Verstappen chegou na Fórmula 1. O incisivo “não” que ele deu pelo rádio no grande prêmio de Singapura para a ordem de equipe que pedia passagem para seu companheiro de equipe na Toro Rosso foi algo que não se ouvia de forma tão direta e personalizada.

 

As mudanças só aumentaram depois da sua passagem para a Red Bull e a circunstancial vitória no Grande Prêmio da Espanha (É bom lembrar que se não fosse o dantesco acidente entre as Mercedes, a corrida teria sido mais do mesmo, com raras exceções) alçando, provavelmente de forma precoce como foi sua chegada na categoria máxima, este jovem e promissor piloto no centro das polêmicas que tomam conta da categoria.

 

As queixas de alguns dos outros pilotos quanto ao ‘modus operandi’ de Max Verstappen vieram se acumulando e explodiram após a última etapa do campeonato, disputada em Spa-Francorchamps. Resta-nos saber até onde estas reclamações e comentários procedem e até onde são a exteriorização do incomodo que o novo costuma trazer.

 

Se voltarmos no passado, pilotos novatos – e que se tornaram campeões – incomodaram por seu arrojo quase desmedido e provocaram reações extremas contrárias a eles por parte de pilotos experientes e “bem estabelecidos em suas zonas de conforto”. A lista é longa, mas vou citar apenas dois: Jody Scheckter e Michael Schumacher!

 

O sul-africano foi o desencadeador de um dos maiores acidentes da história da Fórmula 1, envolvendo mais da metade do grid do GP da Inglaterra de 1973. Rápido e tido como inconsequente, por pouco não foi banido da categoria naquele ano. Acabou continuando, aprendeu a “dosar o pé” e sagrou-se campeão do mundo em 1979. Schumacher está mais “fresco” na memória de todos, desafiando limites e fazendo uma “estrela temente a Deus” como Ayrton Senna querer “sair no braço” com ele depois de uma disputa onde ele julgou o alemão como desleal (e que em outras vezes o foi).

 

Verstappen cometeu erros nesta “primeira corrida em casa” onde tinha chances reais de fazer algo memorável e, com um pouco de sorte, até mesmo vencer. Contudo, a má largada levou-o a um “ataque suicida” entre o muro e a Ferrari de Kimi Raikkonen, que ainda foi espremida pelo contorno de curva de Sebastian Vettel. Inegável que ele forçou aquela condição, mas até onde podemos julgá-lo por isso?

 

Enquanto os comentaristas criticavam sua atitude, fui buscar na memória a largada do GP do Brasil de 1989, quando Ayrton Senna, já campeão do mundo, colocou tudo a perder em uma corrida que seria dele ao, depois de largar mal, forçar uma passagem impossível entre a Ferrari de Gerard Berger e a Williams de Ricardo Patrese. Perdeu o juízo, o bico do carro e a tão sonhada vitória na “corrida de casa”... e eu não me lembro de ter visto, lido ou ouvido críticas à ele.

 

Um outro ponto que me fez voltar no passado foi a disputa de Verstappen com os carros da Ferrari, em particular com Raikkonen, que queixou-se da defesa de posição que o jovem holandês fez, alterando o ponto de frenagem e tomando uma linha improvável na pista. Fui até o GP de San Marino de 2005, onde por 12 voltas Fernando Alonso fez exatamente o mesmo contra o hepta campeão Michael Schumacher, defendendo sua vitória com unhas e dentes, freando antes do que normalmente era feito, mas mantendo o carro numa linha que não permitia o ataque do adversário.

 

A Fórmula 1 carece de gente com arrojo para sair da mesmice, da chatice e Max Verstappen tem sido um audacioso alento aos que tentam não cochilar diante da televisão nas manhãs de domingo. Ele é o despertar daquele ímpeto do piloto de kart que não se deve perder com o passar dos anos e que, no fundo no fundo, existe dentro de cada um daqueles pilotos ali no grid.

 

Senhores, por favor, despertem seus instintos. Os fãs da Fórmula 1 agradecerão!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva