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O ovo ou a galinha? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 20 July 2016 22:24

Caros Amigos, na última atualização da página do site dos Nobres do Grid, publicamos a matéria feita em Santa Cruz do Sul, a sétima do nosso retorno aos autódromos brasileiros e quando li o texto da entrevista do Secretário de Desenvolvimento do município, fui obrigado a me questionar se ele tinha ou não razão em uma determinada colocação: Temos automobilismo suficiente para se pensar em aumentar o número de autódromos no país?

 

Quantos autódromos temos hoje, em condições, de receber as maiores categorias que se disputa nacionalmente em termos de automobilismo? Vamos incluir, além da Fórmula Truck e das corridas da VICAR, a Copa Brasil de Endurance, a Porsche Cup e a Sprint Race. Como vemos, não são muitas alternativas. No motociclismo, com o fim da Moto 1000 GP, restou a Superbike Brasil.

 

No Rio Grande do Sul temos três autódromos sem “limitações”: Tarumã, Velopark e Santa Cruz do Sul. No Paraná, Temos os dois do interior (Cascavel e Londrina) e eu vou descartar o de Curitiba, que tem previsto o encerramento de atividades para o final do ano. Em São Paulo temos Interlagos... e não incluirei o Velocittà por não ser um autódromo comercialmente utilizável.

 

No Centro Oeste temos Campo Grande e Goiânia... e só, enquanto Brasília estiver naquele estado. Assim, na “metade de baixo” do país teremos nove autódromos e mais Guaporé, onde correm a Endurance e a Fórmula Truck ao final de 2016 para atender as necessidades. Além destes, na metade de cima, temos na “metade de cima” do país, os autódromos de Caruaru e Fortaleza, que sobrevivem a duras penas.

 

Acreditando na recuperação de Brasília para 2017, o número de autódromos na “metade de baixo” subiria para dez e, com as atuais categorias que correm pelo Brasil a colicação do Sr. Leo Schwingel é mais do que pertinente: Um autódromo requer um grande investimento, possui um alto custo de manutenção e é preciso que o planejamento para sua construção e manutenção leve em conta o retorno que ele trará para a cidade e para a região em seu entorno.

 

A série “Raio X dos Autódromos Brasileiros” no site continua, com nosso Editor, Flavio Pinheiro, percorrendo os mesmos caminhos trilhados entre os anos de 2009 e 2012. O que vimos pelo material fotográfico colhido até o momento é que, não falta muito para termos todos os nossos autódromos em condições muito boas de sediar e atender as atuais categorias que correm por aqui. Aos que precisam de melhorias, estas não são obras complexas. Mas a pergunta a se fazer é: se todas as categorias tem não mais que 12 etapas, sendo a maioria com 10 ou menos, se tivéssemos 15 autódromos, teríamos autódromos ociosos!

 

Repor a perda do Autódromo de Curitiba, onde grupos privados vem trabalhando neste projeto e em se tratando do estado com o maior número de pilotos federados do país, ficando atrás apenas de São Paulo, seria apenas uma reposição de algo que se está perdendo. Isso elevaria para 11 o número de “autódromos comerciais”. Talvez este seja um número suficiente para atender o número de categorias nacionais, sem que se precise ir mais de uma ou duas vezes a qualquer destes autódromos.

 

Quando olho as fotos que o Flavio fez em Guaporé, recebidas no final do mês passado e que em breve estará na nossa página eu fico pensando: coloca uns muros de concreto e umas telas, reforça as barreiras de pneus e estes dois autódromos poderiam ser os nossos Bathrust, aqueles autódromos para quem tem mais coragem que os outros. Acredito que boa parte dos nossos estimados leitores já ouviu falar neste desafiador circuito de quase 6 Km na Austrália onde corre a V8 Supercars... e que eu não imagino metade dos nossos pilotos da Stock Car sentindo-se à vontade para acelerar entre seus muros.

 

Por outro lado, ter 10 ou 11 autódromos para receber todas as categorias mostra como nosso automobilismo – a nível nacional – é pequeno e aí não podemos entrar naquela coisa do ovo e da galinha, discutindo quem gerou o que, se o baixo número de autódromo para termos um automobilismo pequeno ou um automobilismo pequeno para desestimular a construção de autódromos.

 

No momento, estamos engessados, à espera de uma condição econômica melhor, que possa permitir uma gestão melhor no nosso automobilismo e com um crescimento futuro não só deste, mas também do nosso motociclismo. Caso se veja perspectivas reais de crescimento, é possível se planejar um aumento do número de autódromos para que estes sejam financeiramente sustentáveis. Por mais apaixonados que sejamos, não dá para sustentar um autódromo só de Track Days ou esperando que os regionais dêem retorno financeiro.

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva