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A Arte de Pilotar! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 29 June 2016 23:30

Caros amigos, nos últimos finais de semana, assistindo as corridas transmitidas pela televisão, percebi uma coisa que me deixou curioso e incomodado e, assim como eu, nossos estimados leitores que acompanham de perto o automobilismo certamente perceberam. Só não sei se a reação deles foi igual a minha. Vejamos então.

 

No domingo da largada do Grande Prêmio de Mônaco, quando a transmissão da TV mostrou as primeiras imagens da pista completamente molhada, quem de nós não esfregou as mãos e disse para si mesmo: ”a corrida vai ser animada”! Daí veio a frustrante informação de que a corrida teria sua largada com os carros atrás do Safety Car.

 

Não bastasse o anticlímax da não largada, da não disputa na Saint Devote, do spray subindo e enevoando a imagem das câmeras on board dos carros, foram dadas intermináveis sete voltas atrás daquela mercedes prateada que ao invés de um “Petronas” no aerofólio traseiro, cintilava um giroflex amarelo na capota, fazendo os 22 carros do grid segui-la em uma “velocidade segura”!

 

Foi interessante ouvir, à certa altura, alguns pilotos reclamando daquela situação e dizendo que a pista “já estava em condições” e que deveriam dar a largada. Não sei como o estimado leitor interpretou esta comunicação de rádio. Eu interpretei com uma pergunta: como assim, “já está em condições”? E em algum momento não estava? Perguntem ao Jean Pierre Beltoise, ao Jack Ickx, ao Jackie Stewart se eles, que pilotaram com carros sem 20 por cento do downforce dos carros atuais, com pneus sem metade da capacidade de aderência dos pneus atuais acreditam que estes carros tão mais robustos e seguros exigiriam tamanha cautela por parte da direção de prova.

 

A mesma cena, que mostrou-se ampliada em seu decorrer, nós pudemos ver na largada das 24 horas de Le Mans, com a largada sendo dada atrás do carro de segurança e este tendo ficado à frente do pelotão de carros por cerca de 50 minutos, uma eternidade para quem queria ver corrida e não desfile de carros, mas tudo em nome da segurança. Infelizmente, a transmissão não mostrou as conversas de rádio dos pilotos com suas equipes. Gostaria muito de ouvir o que os pilotos conversaram com seus boxes sobre a real condição da pista.

 

E no último final de semana, a organização da VICAR adiou os treinos e a programação de todas as categorias que correram no autódromo de Tarumã, no Rio Grande do Sul, por conta da neblina, que comprometia a visibilidade e, consequentemente, a segurança dos carros, acelerando sob a névoa que cobria o autódromo e não permitia que os pilotos vissem a pista e seus limites, encontrassem as tomadas da curvas ou mesmo vissem os outros carros.

 

Voltei no tempo para quando eu era apenas um leitor do Site dos Nobres do Grid e lia as narrativas sobre as corridas dos anos 60, que cortavam a noite no maravilhoso Interlagos de verdade, com os protagonistas do nosso projeto acelerando com tudo, muitas vezes vendo quase nada, com aqueles carros extremamente frágeis, com “bancos concha” improvisados e sem cinto de segurança.

 

Alguns anos atrás, conversando com o editor do site e um dos idealizadores do projeto, ele contou-me que estava na sala de imprensa em uma etapa da Stock Car em Curitiba enquanto no mesmo final de semana ocorria uma edição das 12 Horas de Tarumã. Ainda era cedo – acho que foi naquele ano em que colocaram as corridas às 09:30 da manhã – e a notícia que chagava por lá é que os carros em Tarumã estavam andando atrás do Safety Car, o que provocou seu comentário naquele dia e o meu hoje: se os Nobres do Grid corriam naquelas condições com carros tão frágeis, como é que os pilotos de hoje não conseguem fazer o mesmo tendo equipamentos tão mais modernos e seguros?

 

As palavras de Kevin Magnussen (lembrei quem foi o piloto que pediu para que “começassem a corrida”) me levaram a pensar até onde os pilotos estariam sendo tolhidos na arte de pilotar pelos padrões de segurança estabelecidos por regulamento ou se estes regulamentos são em grande parte, como o são, fruto da “grita dos pilotos por segurança”.

 

O automobilismo nasceu como um esporte desafiador e de risco para quem ousava praticá-lo. A preocupação com a segurança é o fruto de um amadurecimento, da evolução da consciência do esporte, mas até onde esta preocupação não estaria mutilando a arte de pilotar?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva