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Contraponto: prezado Livio Oricchio PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 08 June 2016 22:59

Caros amigos, eu tenho por hábito ler tudo (ou quase tudo) que se escreve sobre automobilismo e tenho um grande respeito pelos grandes jornalistas esportivos que se dedicam a escrever e acompanhar o automobilismo como o senhor Cláudio Carsughi, Luiz Carlos Secco, Reginaldo Leme e Livio Oricchio. Esta semana comecei a ler uma série de artigos do último mencionado e, humildemente, gostaria de fazer um contraponto aos argumentos do respeitado jornalista que já foi e sempre será um convidado de nossas enquetes, bem como os demais.

 

Como já escrevi em outras vezes, trabalho com o mercado mobiliário, um mundo de oportunidades e iniciativa, gerido sem amarras e ao sabor do livre mercado. Infelizmente as pessoas no Brasil parecem querer justamente o oposto, pleiteando que se amarrem as iniciativas para tudo ser feito nas mãos de “órgãos oficiais”, mesmo quando – no caso do automobilismo – não se tratar de uma autarquia ou um departamento de esfera de poder do estado.

 

O que é a CBA? Como já nos disse em uma das nossas ações “Frente a Frente” o ex-presidente Paulo Scaglione, a estrutura e a forma como a CBA  foi criada e estruturada teria seguido um processo errado e tal processo desencadeou toda a seqüência de erros de decisão tomadas ao longo de pouco mais de meio século de sua existência.

 

Se os erros são tão antigos, como deveremos compreender ter sido sob a edge desta estrutura deficiente que surgiram nossos três campeões mundiais de Fórmula 1, tivemos a “Conquista da América”, com Emerson Fittipaldi e a geração que se seguiu nos anos 90 e na década passada? Até onde a culpa da não existência de um órgão sério e ilibado (sem querer eu questionar isso das pessoas que estão e estiveram à frente da CBA) é responsável pelo enfraquecimento da projeção do nosso automobilismo no cenário internacional?

 

Como país da iniciativa privada e do livre mercado, tomemos como exemplo os Estados Unidos da América. Lá eles tem a AAA (American Automobile Association) e a USAC (United States Automobile Confederation). Dois órgãos que seriam gestores (ou concorrentes?) do automobilismo naquele país. Pergunto eu aos meus estimados leitores: quando assistimos uma corrida da NASCAR, da Fórmula Indy ou do campeonato de endurance, que são transmitidos nas TVs brasileiras, vemos algo ou ouvimos algo sobre estes órgãos que lá existem?

 

Como um país de forte empreendedorismo, os criadores e promotores das categorias norte americanas tomam a iniciativa de desenvolver seus projetos e apresentar aos potenciais investidores (patrocinadores, montadoras de automóveis, investidores no mercado mobiliário... sim, a NASCAR tem ações na bolsa de valores em Nova York, etc.) e com isso fazer com que estas prosperem, dando retorno a todos que acreditaram e investiram esforços e capital nestes projetos.

 

A grande maioria dos autódromos dos Estados Unidos são privados e eles, seus proprietários, competem uns contra os outros para atrair os melhores eventos do calendário anual para suas praças de esportes. Entre as corridas, estas praças recebem track days, flying laps, cursos de pilotagem e mesmo eventos fora do automobilismo.

 

Há cerca de dois anos atrás eu escrevi um dos editorais do Site dos Nobres do Grid onde mostrava o que acontece na distante e pequena Nova Zelândia. O TSR é um campeonato feito com monopostos patrocinado pela Toyota, com carros equipados com seus motores. Por lá a montadora japonesa vende 12 mil veículos por ano... enquanto vende mais de 140 mil aqui no Brasil! O torneio, com 5 corridas, acontece entre janeiro e fevereiro, no nosso verão (e no deles), e atrai pilotos do mundo inteiro.

 

Honestamente, qual piloto do mundo não gostaria de disputar um torneio destes aqui no Brasil, passando por Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre, por exemplo? Já tivemos isso, com o festival BUA no final dos anos 60. O que eu questiono é se não tem um empresário no país capaz de apresentar um projeto com viabilidade para o governo (se o Aldo Rebelo disse que há dinheiro...), melhor, para uma montadora – são quase 30 instaladas no Brasil – e executar um projeto sem ter que depender da “incompetência da CBA”?

 

O choque de gestão pelo qual você, prezado Livio Oricchio, e todos nós do Projeto Nobres do Grid, junto com tantos e tantos que sonham em ver um automobilismo forte, capaz de projetar valores capazes de conquistar o mundo e outros títulos internacionais precisa passar pela visão dos empresários e dos profissionais do esporte, ao invés de ficar esperando verbas governamentais ou jogos de interesses das federações estaduais e da CBA com suas vendas de carteirinha e custos de homologação de categoria, fazer algo efetivamente capaz de dar frutos, resultados técnicos e - claro - lucro. As falcatruas da CBF levaram presidentes da confederação para a cadeia e as denúncias de desvios são milionárias. Mesmo assim, uma montadora instalada no Brasil patrocina 20 campeonatos estaduais e o campeonato brasileiro de futebol.

 

Será que o problema é mesmo a lisura ou a competência da instituição (no caso a CBA), ou é o comodismo de se esperar (sentado) que alguém faça algo para mudar esta inércia no qual nos encontramos?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva