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Segurança em primeiro lugar? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 01 June 2016 21:44

Caros amigos, depois de toda a discussão (não revelada em seus detalhes, como era de se esperar) e de muitas declarações amenas e perfeitamente planejadas (como era esperado) todos estavam esperando para o Grande Prêmio de Mônaco um clima de luta entre samurais por parte de Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Afinal, numa pista onde ninguém ultrapassa ninguém eles iriam trocar golpes de cronômetro desde a primeira saída dos boxes.

 

Se todos acabaram surpreendidos pr Daniel Ricciardo e a “Fênix” Red Bull no sábado, a chuva ao longo da manhã de domingo e a pista molhada na hora da corrida certamente fez os telespectadores voltarem no tempo para as boas corridas com algumas chances de ultrapassagens e, logicamente, a vontade de ver alguns shows de pilotagem como protagonizaram Ayrton Senna e Stefan Bellof em 1984.

 

Contudo, cerca de quinze minutos antes da largada – já declarada como corrida com pista molhada e obrigando a todos os pilotos largarem com pneus de chuva pesada – veio a notícia que certamente frustrou praticamente todos os telespectadores (sem falar nos presentes na cidade que é invadida no final de semana da corrida, fazendo com que as ruas do principado recebam mais de três vezes a sua população): a largada seria feita com os pilotos seguindo o safety car.

 

Claro que há uma coisa traumática em relação a colocar os pilotos em um nível de risco mais elevado do que já são expostos em uma corrida que por suas características já se diferencia de etapas que acontecem em circuitos com grandes quesitos e segurança atendidos, e que aumentou muito depois da morte do francês Jules Bianchi. Mas será que era pra tanto?

 

Foram mais de cinco voltas (eu confesso que pare de contar na quinta) com os pilotos começando a falar no rádio com suas equipes dizendo que a pista estava em condições de se “começar a corrida de verdade”. Logicamente que os pilotos não são irresponsáveis (ao menos em teoria) de usar as lâminas dos guard rails com guilhotinas para seus próprios pescoços, mas será que os “homens da Fórmula 1” não perceberam que aquilo no início da corrida foi uma das mais contundentes definições de “anticlímax”, especialmente para um categoria que está perdendo audiência e interesse nos últimos anos?

 

Nestas horas eu me questiono sobre até onde vai o interesse e a força daqueles que tanto criticam Bernie Ecclestone pelo paddock e que tem tentado até mesmo articular uma tomada do poder com uma aposentadoria compulsória do mandatário da categoria. Onde eles estavam para pressionar, questionar, rebelarem-se contra determinadas decisões como esta de se fazer a largada numa frustrante fila indiana?

 

O final de semana também revelou os novos pneus da fornecedora italiana para a temporada de 2017, com dimensões bem maiores do que os pneus deste ano, alterando a largura e o peso dos carros. Só falta agora fazer com os carros algo que reacenda a chama que tento fez brilhar a Fórmula 1 ao longo de décadas e que parece estar sem o brilho que lhe é de direito.

 

Difícil vai ser fazer isso com o “halo”. Na busca por segurança a todo custo, os dirigentes que em muito passam longe ou há muito passaram perto de um carro de corridas a decisão de colocar aquela estrutura de fibra de carbono para proteger a cabeça dos pilotos acabou sendo tomada, mesmo sendo aquilo insuficiente para salvar a vida de Jules Bianchi. Ou será que ninguém lembra que o ‘santantonio’ foi arrancado na colisão da Marussia com aquele trator?

 

Ata onde a “segurança em primeiro lugar” realmente está buscando segurança ou fazendo um jogo de cena para, em caso de algo dar errado, poderem justificar-se dizendo terem feito tudo o que era possível?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva