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Touros Insanos? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 19 May 2016 01:05

Caros amigos, ao longo dos últimos 10 dias vimos e lemos tantas coisas que poderíamos chamar de estranhas, complexas, inaceitáveis, anti-éticas e uma infinidades de outras atribuições dadas a pilotos, dirigentes de equipes, dirigentes de categorias, jornalistas e tentos outros ligados ao meio do automobilismo que foi até difícil escolher sobre o que escrever.

 

Vou mais uma vez pedir licença para nossa colunista especializada no comportamento humano, a psicóloga Catarina Soares, para tecer alguns comentários sobre como eu vi e continuo vendo a sequência de fatos ocorridos dentro do estranho (não sei se esta é a definição mais adequada, mas foi a que melhor consegui colocar no momento) mundo dos Alpes austríacos e dos touros vermelhos que por lá pastam.

 

Eu vivo há muitos anos ligado ao mundo corporativo e no mercado mobiliário, onde decisões (algumas duras, outras polêmicas) precisam ser tomadas e ações que precisam ser executadas para atender todas as expectativas de um planejamento o qual não sei até onde temos ou não o direito de questionar. Contudo, quando as decisões envolvem aspectos humanos, acredito que devemos sempre analisar com mais cuidado.

 

Desde que começou a ganhar espaço e vencer corridas, a Red Bull (e sua equipe-satélite, a Toro Rosso) ganharam notoriedade por investir na produção de seus próprios campeões, tendo Sebastian Vettel como maior expoente de um chamado “programa de jovens pilotos” que começou há mais de 10 anos, trabalhando meninos, adolescentes, desde as categorias de base como o kartismo e e as primeiras categorias de Fórmula.

 

Aparentemente, todo o processo de supervisão passa pelo crivo do poderoso assessor para praticamente todos os assuntos inerentes ao projeto da Red Bull com o automobilismo, o ex-piloto Helmut Marko. Um piloto mediano que teve a infelicidade de perder a visão de um olho durante uma corrida de Fórmula 1 em 1972, quando uma pedra foi lançada pela tração do carro que seguia à frente do seu (era o carro de Emerson Fittipaldi).

 

Pelo que parece, a perda da visão de um dos olhos aguçou a visão do outro e Marko tem se mostrado competentíssimo na tarefa de encontrar e lançar jovens pilotos na maior categoria do automobilismo mundial. Além de Sebastian Vettel, chegaram às equipes taurinas Sebastien Buemi, Jaime Alguersuari, Jean-Eric Vergne, Daniel Ricciardo, Daniil Kvyat, Carlos Sainz Jr. e Max Verstappen... se é que não esqueci algum.

 

Se por um lado, este processo de ascensão tem dado bons frutos para alguns deles, para outros, o tratamento dispensado tem sido extremamente duro, especialmente quando estamos falando de meninos de 20 anos de idade, pouco mais ou pouco menos, isso sem contar os que são “descartados” pelo caminho por não atingir as “metas de performance”, caso do brasileiro Pedro Bianchini ou mesmo por uma “escolha técnica”, como foi com o Português Antônio Felix da Costa.

 

Após o GP da Russia, ocorrido no início do mês, o corredor local, Daniil Kvyat, que tinha conquistado seu primeiro pódio na corrida anterior, envolveu-se em um acidente de largada com Sebastian Vettel, com quem já tinha tido problemas na largada do GP anterior. Desta vez, o russo bateu duas vezes no carro do alemão e o tirou da corrida. Estragou sua corrida e acabou dando margem para uma atitude que foi muito questionada por muita gente.

 

Não se passaram dois dias para que Helmut Marko soltasse a nota na imprensa dizendo que haveria uma “troca de pilotos”, com Verstappen assumindo o carro de Kvyat na Red Bull. O mesmo Kvyat que aos 19 anos “saltou o degrau” da GP2 ou da Renault World Series e foi direto para a Fórmula 1, deixando o português Antônio Felix da Costa, virtual eleito para a vaga na Toro Rosso a ver navios. O mesmo mesmo que, mesmo fazendo 8 pontos contra 22 do mais experiente Jean Eric Vergne, foi escolhido para ser promovido à equipe principal enquanto o companheiro era dispensado.

 

Como estava a cabeça de Daniil Kvyat ao ser sacado, no início da temporada, para dar lugar a um piloto “da equipe de baixo” para a corrida na Espanha? Como estaria a sua cabeça, estimado leitor, independente da sua idade, se passasse por uma situação como esta que foi imposta a este menino de 22 anos recém completados?

 

A corrida na Espanha teve particularidades. Apesar de um entrevero maior ente Lewis Hamilton e Nico Rosberg fosse um fato por acontecer, a forma como aconteceu não era algo crível mesmo para os mais fatalistas e com o que vimos, com as duas Mercedes fora da corrida, esta ficou aberta aos demais competidores, com um equilíbrio artificial devido a pouca possibilidade de se ultrapassar no circuito de Barcelona.

 

Dadas às circunstâncias (apostas de estratégias diferentes... ou teria sido uma armação estratégica: induzir a Ferrari a seguir uma estratégia com o Ricciardo para levar Vettel aos boxes enquanto a aposta seria levar Verstappen à liderança?) o recém promovido a piloto da equipe Red Bull conquistou uma vitória circunstancial (ou alguém duvida que as Mercedes “sumiriam na frente”, polarizando uma disputa entre seus pilotos).

 

Não é o caso de desmerecer ou desconsiderar o evidente talento de Max Verstappen, mas de se questionar se a forma da Red Bull tratar seus pilotos é profissionalmente ética e humanamente sã.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva