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Mexer ou não mexer no queijo? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 28 April 2016 00:55

Caros amigos, há alguns anos atrás, um dos livros que li tinha o interessante título “Quem mexeu no meu queijo?” Na verdade tratava-se de uma análise interessante sobre como as pessoas se sentiam quando algo que elas consideravam como delas, fosse algo físico ou psicológico, tivesse sido alterada por um fator sobre a qual elas não tinham controle.

 

Tenho acompanhado o comportamento de alguns dos principais interessados (ou não) em que sejam promovidas mudanças no regulamento para a Fórmula 1 em 2017. Um assunto que começou a ser discutido no ano passado, dado ao conjunto de fatores negativos que estão se abatendo sobre a maior categoria do automobilismo mundial.

 

O problema é que os senhores do destino da sexagenária Fórmula 1 parecem – em dados momentos – não saber em qual direção seguir para mudar o quadro de queda de audiência na televisão, queda de presença de público (com raras exceções) nos autódromos, decisões de fundo questionável como os motores híbridos, o excesso recursos eletrônicos, asas móveis para “ultrapassagens forçadas” e as famigeradas “ordens ou instruções de rádio”.

 

Logicamente que sempre há um “bode expiatório” para ser apontado como culpado e o “bode da vez” é o implacável e massacrante domínio da Mercedes sobre os demais competidores. Interessante é falarem isso depois de domínios de igual supremacia por parte da Red Bull ou um pouco antes disso, da Renault e da Ferrari.

 

Como não poderia deixar de ser, os que estão andando atrás tem sempre queixas e clamam por mudanças “a fim de deixar o campeonato mais competitivo”. Contudo, quando eram eles os dominadores, falar em mudanças de regulamento era algo que eles não queriam ouvir e discutir. Um bom exemplo disso é como tem agido o pessoal da Red Bull, apesar de que, o problema deles é não terem um motor à altura. Carro eles já mostraram que tem e poderiam estar tirando o sono do pessoal da Mercedes caso esta tivesse fornecido motores para os austríacos.

 

A discussão que teve início no ano passado, sobre uma mudança radical no regulamento, com a introdução de motores mais potentes (com cerca de 1000cv), linhas mais arrojadas e mais downforce está sendo “minada” neste ano com a orquestração da Mercedes. Afinal, agora que eles são os dominadores, o interesse em mudar que existia no início da década simplesmente desapareceu.

 

Interessante são os argumentos utilizados para tentar justificar um possível adiamento (ou mesmo um abandono) do plano de mudar o regulamento já em 2017. Um – e o mais surreal – é que as corridas estão mais disputadas e interessantes este ano graças a manutenção do regulamento nos últimos anos, o que proporcionou que as equipes trabalhassem mais em cima de seus projetos e com isso se aproximassem da líder Mercedes.

 

Sinceramente, acho que estou assistindo as corridas erradas. Exceção feita à corrida de abertura da temporada, quando a Mercedes (e todos nós) fomos surpreendidos com o resultado da mudança nos sistemas de embreagem para as largadas e vimos as Ferrari pular na frente, saindo da segunda fila, Nico Rosberg controlou sem maiores dificuldades as corridas seguintes, impondo uma tranquila vantagem sobre os demais adversários. Uma vantagem que poderia ser maior, caso as Mercedes tivessem que disputar a ponta, com Hamilton andando na frente também.

 

Um deles, contudo, tem fundamento: desenvolver novos carros, novos componentes, novos e mais potentes motores vão custar dinheiro e este é um produto extremamente escasso no meio do automobilismo nos últimos tempos. Metade do grid (pelo menos) está trabalhando no vermelho ou, na melhor das hipóteses, empatando a relação de capital, para continuar indo pra pista. Este, mas do que qualquer um, pode vir a ser o fator decisivo no rumo a ser tomado para 2017... ou 2018, uma vez que uma das possibilidades seria o adiamento em um ano nos planos.

 

O relógio para uma mudança corre rápido e contra aqueles que querem carros mais bonitos, mais rápidos e mais desafiadores para os pilotos da atualidade e nos próximos dias teremos novidades (negativas ou positivas) em relação à temporada de 2017. No Domingo teremos mais uma etapa do campeonato, com a corrida em Socchi, na Russia. Não será surpresa para mim se assistir a mais um domínio da Mercedes.

 

E são justamente os alemães que não querem ver “o seu queijo mexido” para o ano que vem. Afinal, do jeito que está, está ótimo!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva