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O homem, o mito e a lei. PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 06 April 2016 22:15

Caros amigos, o assunto da coluna desta semana seria algo totalmente diferente do que os estimados leitores encontrarão nas próximas linhas. Contudo, diante da dura revelação dos fatos que tem sido divulgados na imprensa desde a noite do último domingo, quando uma rede te TV aberta colocou no ar uma matéria de mais de 16 minutos expondo a situação financeira de um dos maiores pilotos de todos os tempos do automobilismo mundial.

 

A matéria colocada na televisão foi muito bem montada, e não distorceu fatos. Indicou que as dívidas de Fittipaldi começaram com a criação da equipe da F1 nos anos 70. Um salto enorme para toda a família que viu em Emerson e Wilson Jr. dois rapazes que na década anterior fizeram nome no automobilismo nacional e que construíram karts, fizeram volantes esportivos, construíram o mais vencedor Fórmula Vê, além de carros esportivos como o Fitti-Porsche e o Fusca de 2 motores.

 

A Equipe de Fórmula 1, que estreou na temporada de 1975, fechou as portas ao final de 1982, com os irmãos Fittipaldi completamente endividados. Mas ainda nos 80, Emerson Fittipaldi foi correr nos Estados Unidos e lá estabeleceu-se como um piloto de sucesso, sagrando-se campeão da Fórmula Indy em 1989, além de ter vencido as 500 Milhas de Indianápolis em duas ocasiões.

 

Neste período ele recuperou-se financeiramente, investindo em fazendas de laranja no interior de São Paulo, como exportador de suco de laranja para os Estados Unidos, além de continuar como “garoto propaganda” de algumas marcas famosas tanto no Brasil como no exterior. E foi nos Estados Unidos que Emerson Fittipaldi estabeleceu na época sua morada e seus filhos do primeiro casamento foram morar lá, onde moram até hoje.

 

Dono de uma habilidade fora do comum ao volante, exímio acertador de carros, como homem de negócios tudo aponta para uma enorme capacidade de enxergar oportunidades e investir nelas, contudo, a gestão destes negócios não chegavam nem perto do grau de excelência que víamos em suas performances nas pistas. Os pedidos de penhora, duplicatas e hipotecas somam dívidas avaliadas em 27 milhões de reais, segundo a reportagem.

 

Da imagem do exportador de suco de laranja para os Estados Unidos, divulgada no mundo inteiro quando Emerson brindou a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis de 1993 com uma garrafa de suco de laranja após o protocolar gole na garrafa de leite (algo que gerou aquelas polêmicas que só se criam nos Estados Unidos quando se quebra uma tradição), as fazendas de citricultura do interior paulista estão ou abandonadas ou arrendadas para terceiros. Outros negócios também não tiveram seguimento.

 

O piloto da Fórmula Indy Helio Castroneves, que publica aqui no nosso site sua coluna, teve contrato com a empresa Sports International Marketing, de Emerson Fittipaldi, no início de sua carreira nos Estados Unidos. Contudo, Helio Castroneves rompeu o contrato pouco tempo depois, algo que deixou a todos que tinham e tem em Emerson Fittipaldi um ídolo e uma referência indignados. Impossível não se questionar se Helio não fez a coisa certa, enxergando algo que não víamos... ou que não queríamos ver.

 

Emerson Fittipaldi acredita que vai resolver esta questão com seu trabalho. Ele retornou ao Brasil nesta última terça-feira, calando a boca dos céticos de que poderia estar usando do seu visto de residência nos Estados Unidos para evitar um enfrentamento judicial. Segundo declaração sua, o volume de seus débitos é inferior a seu patrimônio e que esta situação é momentânea e fruto do um cenário financeiro e político instável que o Brasil inteiro enfrenta. Ele disse lamentar muito o ocorrido, mas que não iria se abater diante das dificuldades e que está confiante na solução destes problemas.

 

Apesar do discurso positivista, as questões financeiras envolvendo as empresas de Emerson Fittipaldi antecedem em muito os problemas de ordem financeira, ética, moral e política que o país vem atravessando nos últimos. Algumas dívidas são bem antigas e algumas ações contra as empresas do piloto vem se arrastando no nosso lento e ineficiente sistema judiciário desde a década passada.

 

É muito triste para mim e para todos nós que trabalhamos no Projeto Nobres do Grid ver a imagem de um dos nossos homenageados, a quem chamamos de verdadeiros “donos” de tudo o que fazemos sendo exposta de forma tão negativa diante de toda a opinião pública nacional. Preservar a imagem de um mito como Emerson Fittipaldi é algo que nem sempre (ou quase nunca) é feita neste país. Mais vale fazer um sensacionalismo barato e aproveitar um nome como o do nosso Nobre do Grid para se conseguir pontos na audiência a preservá-lo. Isso, contudo, não isenta o homem e o empresário de arcar com as responsabilidades dos seus atos perante seus credores e a lei.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva