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Written by Administrator   
Wednesday, 27 January 2016 21:21

Caros amigos, há tempos que o automobilismo mundial em suas principais categorias anda sofrendo com a pouca renovação de valores. O aumento da “vida útil” dos pilotos que, bem condicionados fisicamente, tem “esticado” suas carreiras até próximo dos 40 anos de idade.

 

Se voltarmos algumas décadas no tempo, encontraremos pilotos que correram até os 50 anos. A diferença é que eles não costumavam chegar de forma tão precoce ao topo. Eram raros os pilotos que conseguiam sentar num Fórmula 1 com menos de 25 anos de forma consistente e participando integralmente dos campeonatos. Atualmente, um piloto com 25 anos é quase um veterano.

 

Chegou ao meu conhecimento que o Neozelandês Scott Dixon, tetracampeão da Fórmula Indy andou declarando em entrevista a um jornal de seu país, onde no momento está sendo disputado um torneio de Fórmula 3 com três brasileiros participando, que “Ter muito talento não te leva mais ao topo do automobilismo, especialmente nos monopostos”.

 

Por mais fundamento que possamos acreditar ter Scott Dixon ao declarar isso, se olharmos para as últimas temporadas da Fórmula 1, não podemos dizer que Daniil Kvyat, Max Verstappen, Carlos Sainz Jr. e Felipe Nasr não tenham “talento suficiente” para estar na categoria. Contudo, está cada vez mais evidente que o problema de se precisar chegar com dinheiro numa equipe passou a ter mais peso com a elevação dos custos da categoria.

 

Nem mesmo os pilotos que andaram na Manor (Marussia) nos últimos anos podem ser realmente avaliados por seus desempenhos ao longo das duas últimas temporadas, visto que andar com aquele carro não pode prover qualquer parâmetro em relação aos demais carros na pista.

 

Contudo, o alerta de Dixon sobre a forma de se chegar e se estabelecer numa categoria ‘top’ como também é a Fórmula Indy é algo preocupante. Em menor escala financeira, a categoria norte americana vive a mesma questão pela qual passam pelo menos metade das equipes da atual Fórmula 1: “seu dinheiro é muito importante para nós!”

 

O outro, e que deveria ser o mais importante, aspecto de avaliação para a evolução de um piloto nos degraus que podem levá-lo a conseguir um lugar em uma categoria ‘top’ no automobilismo é a sua evolução técnica. O quanto ele aprendeu andando em suas categorias de base para poder pilotar bem, rápido e com segurança (para ele e para os demais competidores).

 

Na semana passada estive assistindo algumas corridas antigas no youtube e vi alguns acidentes ocorridos entre os anos de 1972 e 1973 por um jovem piloto que chegou a ser campeão do mundo, mas que teve um início de carreira bastante tumultuado: Jody Scheckter. Em uma das provas, o GP da Inglaterra de 1973, ele provocou uma batida que envolveu mais da metade do grid!

 

Isso me levou, esta semana, lembrando de todos os episódios que assisti nas corridas da Fórmula 3 Europeia, onde houve corrida sendo interrompida pela direção de prova, sob ordens da FIA para que os jovens pilotos fossem todos advertidos por suas pilotagens, a refletir sobre as palavras de Scott Dixon e os acidentes de Jody Scheckter.

 

Pietro Fittipaldi, que no ano passado esteve na Fórmula 3 Europeia, mas que não se envolveu nas confusões de pista, mesmo porque sua atuação foi bem discreta naquele grid com mais de 30 carros está seguindo para uma categoria bem mais forte para esta temporada, a antiga Renault World Series, que corre com motores V8 de 3.5 litros, de onde saíram alguns dos atuais pilotos da Fórmula 1, como Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo.

 

Apesar do título da Fórmula Renault Inglesa, conquistado em 2014, Pietro teve sua formação em circuitos ovais e em carros de turismo nos Estados Unidos, tendo sua carreira redirecionada em 2013 quando passou a ter um forte suporte das empresas do bilionário Carlos Slim.

 

Não podemos negar que a fusão do sobrenome Fittipaldi e os interesses comerciais no seguimento de telecomunicações que Carlos Slim tem no Brasil não estão servindo de combustível para que Pietro esteja recebendo uma oportunidade que outro piloto talvez não tivesse. Contudo, quem tem o direito de questionar se os passos que foram dados até o momento e o que virá em 2016 não seria uma decisão correta?

 

A ida de Max Verstappen praticamente da Fórmula 3 para a Fórmula 1 foi algo extremamente contestado antes do início da temporada e mesmo ao longo das primeiras etapas. Contudo, ao final de 2015 tais vozes indignadas tiveram que curvar-se ao talento do jovem que completou 18 anos dentro do carro da Toro Rosso.

 

A minha reflexão não questiona o talento de Pietro Fittipaldi, mas o fato de que tendo ele passado por um processo de formação distinto do que passou Max Verstappen não precisaria de um pouco mais de “quilometragem” antes de dar passos mais largos como este, onde sentará num carro que tem controle de abertura de asa, um motor de quase 600cv e pilotos bem mais experientes que ele na pista. Queimar etapas neste momento pode por em risco todo um projeto maior.

 

Tomara que minhas preocupações não tenham fundamento.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva 

 

Last Updated ( Wednesday, 27 January 2016 21:39 )